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Sacre Investimentos
Mundo
29/08/2026
7 min

EUA cogitam usar Ilhas Malvinas como moeda de troca para pressionar Reino Unido

Segundo autoridade americana ouvida pelo The Telegraph, Pentágono revisa compromisso de aliados da OTAN com meta de 5% do PIB em defesa e Londres deve receber "atenção especial"

EUA cogitam usar Ilhas Malvinas como moeda de troca para pressionar Reino Unido

O governo dos Estados Unidos avalia enviar um novo recado duro ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham: se o Reino Unido não elevar seus gastos militares, Washington pode deixar de apoiar a soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas.

A informação foi revelada por uma autoridade americana ao jornal britânico The Telegraph.

De acordo com a fonte, o Pentágono está reavaliando o cumprimento, por parte dos países da OTAN, da meta de destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à área de defesa e o Reino Unido estaria na mira dessa revisão.

Na avaliação da Casa Branca, o plano de investimento em defesa apresentado por Londres em junho ficou aquém do esperado, o que teria levado Washington a buscar formas de pressionar o premiê britânico a ampliar o orçamento militar do país.

Ao Telegraph, o funcionário americano afirmou que o Reino Unido deve receber atenção diferenciada por conta de seu potencial, e que os EUA seguirão tentando estimular o país a avançar nesse sentido.

Haveria também uma eventual mudança na posição americana sobre a reivindicação britânica às Malvinas, uma hipótese já cogitada anteriormente por Trump e que não está descartada como forma de pressão. Segundo a fonte, as conversas entre os dois países são francas e nenhuma opção está fora da mesa quando o assunto é dividir de forma mais equilibrada o peso da segurança coletiva.

Orçamento britânico ainda sem data para meta de 3%

O Tesouro do Reino Unido confirmou, na sexta-feira, 28, que o primeiro orçamento do novo ministro das Finanças, John Healey, não vai estabelecer um prazo para que o país alcance a meta de destinar 3% do PIB à defesa.

Healey havia deixado o cargo de secretário de Defesa em junho, justificando que o ex-primeiro-ministro Keir Starmer não conseguiu e que o Tesouro não quis garantir os recursos necessários para a defesa nacional em um momento de ameaças crescentes.

A mesma fonte oficial classificou o plano de investimento britânico como um avanço, mas insuficiente diante do tamanho dos desafios enfrentados pelos EUA e seus aliados.

Para Washington, países como o Reino Unido precisam intensificar seus esforços de forma mais consistente, seguindo o exemplo de outros aliados.

A ameaça atual repete um movimento já visto em abril, quando um e-mail interno do Pentágono vazou sugerindo que os EUA poderiam reconsiderar seu apoio à reivindicação britânica sobre as Malvinas como retaliação pela falta de suporte do Reino Unido durante o conflito com o Irã.

Na época, o Ministério das Relações Exteriores britânico chegou a discutir a possibilidade de uma mudança de postura americana sobre as ilhas, mas tratou o "cenário como hipotético".

As Ilhas Malvinas são administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas seguem sendo reivindicadas pela Argentina, que tem uma relação próxima com Trump. Após a ameaça de abril, o governo britânico afirmou que a soberania sobre o arquipélago "não está em questão".

Já a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, chamou a possibilidade de revisão da política americana de "um completo absurdo", comparando o episódio àameaça de Trump de anexar a Groenlândia.

Nem todos veem risco concreto na pressão americana. O almirante Lorde West de Spithead, que comandou a fragata HMS Ardent, fundada durante a Guerra das Malvinas, disse ao The Independent que a perda do reconhecimento americano à soberania britânica não teria nenhum efeito do ponto de vista militar.

Segundo ele, o fato de os EUA reconhecerem ou não a soberania britânica não torna as ilhas menos seguras.

AutorSofia Schuck
FonteExame
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