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Mundo
16/07/2026
5 min

EUA concentrarão esforços de combate ao terrorismo em grupos de esquerda, diz Rubio

EUA concentrarão esforços de combate ao terrorismo em grupos de esquerda, diz Rubio

Os Estados Unidos pretendem ampliar a cooperação internacional de contraterrorismo com foco em grupos classificados pelo governo como de extrema-esquerda. A proposta foi apresentada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante uma conferência realizada em Washington nesta quinta-feira, 16, com a participação de representantes de mais de 60 países.

Na avaliação de Rubio, a cooperação internacional conseguiu reduzir de forma significativa a ameaça representada pelo militantismo islâmico. Segundo ele, a violência praticada por grupos de esquerda passou a ocupar um espaço negligenciado nas estratégias de segurança e exige uma reorganização da arquitetura global de contraterrorismo. O secretário afirmou que essas organizações atuam de forma transnacional, têm como alvo políticos e infraestruturas do Ocidente e compartilham uma agenda de hostilidade contra países ocidentais.

A iniciativa representa o movimento mais amplo do governo de Donald Trump para incorporar essa prioridade à agenda internacional de segurança. A estratégia, no entanto, tem sido questionada por críticos, que afirmam não haver evidências suficientes para justificar a mudança de foco das políticas de contraterrorismo.

O presidente Donald Trump já havia colocado o combate a grupos de esquerda entre suas prioridades políticas. Durante a campanha eleitoral de 2024, ele direcionou críticas ao movimento Antifa e prometeu endurecer as ações contra organizações que, segundo sua avaliação, estimulam episódios de violência. A pauta ganhou novo destaque após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, aliado do presidente.

Como parte dessa estratégia, o governo promoveu, em maio, um workshop voltado à atuação das forças de segurança diante de grupos de extrema-esquerda. Rubio informou que uma nova edição do encontro será realizada em parceria com a Alemanha.

Durante a conferência, a ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze, afirmou que o evento também abriu espaço para discutir ameaças ligadas a grupos apoiados pela Rússia e o impacto das novas tecnologias nos processos de radicalização. Segundo ela, o ambiente extremista atual reúne diferentes correntes ideológicas, que utilizam ferramentas digitais para recrutar e mobilizar simpatizantes.

Lista de organizações terroristas

Desde novembro, o governo norte-americano incluiu quatro organizações europeias — Antifa Ost, Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária — na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Washington também passou a oferecer recompensas de até US$ 10 milhões por informações relacionadas ao financiamento desses grupos. Rubio afirmou que novas designações deverão ser anunciadas.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que a pasta ampliou investigações sobre o uso de entidades beneficentes e organizações sem fins lucrativos para ocultar influência estrangeira e financiar atos de violência.

A mudança de estratégia provocou reação entre parlamentares do Partido Democrata. Em carta enviada a Rubio, 11 congressistas questionaram as bases técnicas da nova política e criticaram a estratégia nacional de contraterrorismo divulgada pela Casa Branca em maio, destacando que o documento não faz referência a grupos neonazistas ou de extrema-direita.

Os parlamentares afirmaram que a classificação de organizações de esquerda como terroristas pode criar riscos para manifestações legais e atingir opositores políticos. No documento, eles defendem que a política de contraterrorismo permaneça baseada em critérios técnicos, evidências e dados, sem influência de disputas partidárias.

Entre os signatários da carta estão Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, e William Keating, integrante da subcomissão responsável por assuntos relacionados à Europa. O Departamento de Estado não comentou o conteúdo do documento.

Também presente na conferência, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, fez críticas aos manifestantes ligados ao Antifa. Em seu discurso, afirmou que integrantes desses grupos são motivados por "inveja e ódio" e utilizou comentários sobre sua aparência física e comportamento.

Rubio voltou a citar episódios de depredação e saques registrados durante os protestos desencadeados pela morte de George Floyd, em 2020, como exemplos de violência atribuída à extrema-esquerda. O secretário também declarou que pesquisadores e jornalistas compartilham, com frequência, objetivos defendidos por esses grupos.

O chefe da diplomacia norte-americana ainda afirmou que organizações de esquerda mantêm relações com Estados considerados hostis pelos Estados Unidos. Como exemplo, mencionou supostos vínculos entre redes ligadas ao Irã e grupos militantes de esquerda em diferentes países, sem apresentar evidências públicas para sustentar a afirmação. Rubio também acusou o governo de Cuba de contribuir para a formação da extrema-esquerda nos Estados Unidos, igualmente sem divulgar provas que embasassem a alegação.

Comando Vermelho e PCC

Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a inclusão das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) em suas listas de organizações terroristas. A classificação passará a valer em 5 de junho.

De acordo com o governo americano, os grupos receberão as designações de Specially Designated Global Terrorists (SDGTs), categoria aplicada a indivíduos e organizações submetidos a sanções dos Estados Unidos, e de Foreign Terrorist Organizations (FTOs), classificação destinada a entidades estrangeiras consideradas envolvidas em atividades terroristas.

Em comunicado, Washington afirmou que CV e PCC estão entre as principais organizações criminosas em atividade no Brasil. Segundo o texto, as facções reúnem milhares de integrantes e são apontadas como responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.

O governo dos Estados Unidos também afirmou que a atuação dos grupos ultrapassa o território brasileiro e se estende a outros países da América Latina e ao próprio território americano.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de financiamento de narcoterroristas violentos”, diz o texto do Departamento de Estado.

A decisão do governo Trump ocorre dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, que afirmou ter pedido ao republicano para declarar o PCC e o CV como organizações terroristas.

"Ao contrário de Lula, pedi a ele [Trump] que declare as facções como terroristas", disse Flávio, em entrevista coletiva após a reunião com o líder americano, feita na Casa Branca nesta terça-feira, 26.

"Pedi enfaticamente que designe o quanto antes PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras", prosseguiu.

AutorMateus Omena
FonteExame
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