EUA convidam ministro russo para reunião do G20 e irritam europeus
Os encontros, que seguem até terça-feira, 1º, são realizados sob a presidência dos Estados Unidos no G20

Os Estados Unidos convidaram o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, para participar da reunião do G20 em Asheville, na Carolina do Norte. A presença do representante russo provocou incômodo entre os países europeus nesta segunda-feira, 31.
Os encontros, que seguem até terça-feira, 1º, são realizados sob a presidência dos Estados Unidos no G20. O governo americano tenta convencer os demais integrantes do grupo a ampliar a pressão econômica sobre o Irã, em meio à guerra no Oriente Médio.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as conversas sobre o aumento das sanções contra Teerã avançaram. Segundo ele, uma mudança na campanha de pressão americana pode ocorrer "em questão de semanas ou meses".
A presença de Siluanov, porém, abriu outra frente de tensão. A União Europeia pediu que o ministro russo seja excluído da foto oficial do encontro. "Receber o ministro das Finanças russo aqui envia um sinal que considero preocupante", disse o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil.
Siluanov, normalmente considerado persona non grata pelos países ocidentais, participou das discussões e conversou com Bessent.
Questionado sobre o convite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou: "Gostamos de nos dar bem com todos". O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que o governo americano não hesitará em conversar com quem for necessário e afirmou que os EUA trabalham com a Rússia para buscar um acordo que interrompa a guerra.
Apesar do desconforto com a presença russa, países europeus sinalizaram disposição para discutir a estratégia americana contra o Irã. O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que os planos dos EUA serão analisados e que os países precisam trabalhar em conjunto.
Tensões comerciais
As discussões também ocorrem em meio às tensões comerciais provocadas pela política tarifária de Trump. Embora a Suprema Corte tenha derrubado a maioria das tarifas, o governo americano continua buscando impor novas taxas sobre produtos importados e retomou as hostilidades comerciais com o Canadá.
"Agora que estamos em uma guerra comercial com o Canadá, não há unidade no G7. E sem unidade no G7, é difícil chegar ao G20 e ter discussões delicadas", afirmou Josh Lipsky, pesquisador do Atlantic Council.
O G20 foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 com o objetivo de fortalecer a economia global e a estabilidade financeira. O grupo reúne 19 países, além da União Europeia e da União Africana.
A África do Sul ficou fora das reuniões deste ano após o governo americano acusar Pretória de perseguir agricultores brancos. O Brasil também não enviou o ministro da Fazenda para o encontro, em meio à relação tensa entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
(Com informações da AFP)
