EUA discute novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz FT
As tensões entre EUA e Brasil explodiram há mais de um ano, quando Trump impôs uma tarifa comercial de 50% sobre o Brasil

O governo dos Estados Unidos vem discutindo novas sanções contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no momento em que uma crise diplomática ameaça arrastar as relações entre os dois países para o nível mais baixo em décadas.
Segundo informações do Financial Times, a administração Trump considera tomar novas medidas contra Moraes, que já havia sido sancionado no ano passado.
O foco renovado de Washington no magistrado pode ampliar a divergência com Brasília sobre comércio e política.
Moraes foi atingido por sanções da Lei Magnitsky há pouco mais de um ano, acusado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de "uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados", inclusive contra o ex-presidente, Jair Bolsonaro.
Bolsonaro foi condenado no ano passado a 27 anos de prisão após ser considerado culpado pela tentativa de golpe depois das eleições de 2022.
No entanto, as sanções contra o ministro, sua esposa e uma empresa de propriedade da família foram retiradas em dezembro após uma reunião e telefonemas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Liberdade de imprensa
Segundo o FT, a atenção dos EUA sobre Moraes foi reativada em parte por causa de um caso que gerou debate sobre a liberdade de imprensa no Brasil.
O ministro autorizou mandados de busca e apreensão da polícia contra um jornalista do Maranhão que produziu reportagens a respeito do uso de veículos oficiais do estado por Flávio Dino, também do STF, e familiares. A defesa de Dino nega irregularidades e afirma que a segurança foi cedida por medidas de proteção.
Moraes argumentou que as informações foram obtidas e divulgadas ilegalmente, representando um risco para a segurança da família do magistrado. Entidades jornalísticas criticaram as apreensões dos equipamentos do jornalista
Tarifaço e farpas
As tensões entre EUA e Brasil explodiram há mais de um ano, quando Trump impôs uma tarifa comercial de 50% sobre o Brasil, exigindo que o processo contra Bolsonaro fosse arquivado. A taxa foi posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
Após um período de trégua, os EUA voltaram a impor uma tarifa de importação, dessa vez de 25%, sobre muitos produtos brasileiros.
Segundo o FT, outra atitude que não foi bem recebida em Washington foi a entrada negada de dois enviados de Trump no mês passado devido a temores de potencial interferência na eleição de outubro — alegações rejeitadas por Washington.
Lula, que busca a reeleição, sugeriu que os EUA poderiam agir para favorecer seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro. O presidente brasileiro também trocou farpas com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
