EUA e China criam canal de comunicação para incidentes com IA
Visita de três dias de Xi aos EUA também rendeu acordo tarifário e compromisso chinês de importar carvão americano

Estados Unidos e China vão abrir um canal de comunicação bilateral para lidar com incidentes relacionados à inteligência artificial, tecnologia que Trump agora chama de "superinteligência" (SI).
O anúncio foi feito ao fim de uma cúpula presidencial de três dias entre Donald Trump e Xi Jinping, encerrada na sexta-feira, 25, com poucos avanços concretos além do acordo sobre IA.
Segundo a Casa Branca, os dois países instituíram um "Diálogo Estados Unidos–China sobre Superinteligência" para trocar posições sobre riscos e benefícios da tecnologia, além do canal para tratar de incidentes.
Washington informou que os líderes concordaram em adotar o termo "SI" no lugar de "IA", decisão confirmada pela imprensa estatal chinesa neste sábado, 26. A próxima reunião sobre o tema está prevista para novembro.
Antes da cúpula, Trump havia dito que preferia deixar a inteligência artificial "exatamente onde está", em referência ao ritmo acelerado das pesquisas no setor.
Já Xi adotou tom mais cauteloso, defendendo que Estados Unidos e China mantenham "uma relação sem conflito nem confrontação" e que a IA permaneça sob "controle humano".
Comércio e tarifas
Apesar do saldo modesto, a Casa Branca destacou outros dois acordos. A China se comprometeu a importar ao menos 10 milhões de toneladas de carvão americano em 2027 e 2028.
Os países também combinaram um tratamento tarifário mais favorável para US$ 30 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões) em "bens não sensíveis".
Irã também entrou na pauta
Durante uma visita ao Museu do Arquivo Nacional, em Washington, Trump disse a jornalistas que discutiu com Xi a situação do Irã, aliado de Pequim.
Questionado sobre avanços na reabertura do Estreito de Ormuz, o presidente americano respondeu: "Acho que vamos nos sair muito bem" e classificou o encontro como "muito positivo para ambos os países".
Na quinta-feira, 24, Xi já havia dito que Washington e Teerã precisavam resolver suas diferenças "o mais rápido possível" por meio de negociação, segundo a agência estatal Xinhua.
Próximos encontros e bastidores da visita
Trump e Xi confirmaram dois novos encontros ainda este ano: na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, na China, em novembro, e no G20, que Trump sediará em seu resort Doral, em Miami, em dezembro.
A visita de Xi foi marcada por gestos de aproximação: um banquete de Estado com a presença de executivos americanos de tecnologia, uma delegação chinesa reduzida e o anúncio da chegada de dois pandas ao zoológico de Atlanta, símbolo tradicional da diplomacia chinesa.
Xi também pediu "prudência" a Washington em relação a Taiwan, território que a China reivindica como seu e que recebe apoio militar americano, e voltou a defender uma "coexistência pacífica" entre as duas potências.
