EUA e Irã iniciam na sexta-feira negociações para implementar acordo de paz

Estados Unidos e Irã devem iniciar nesta sexta-feira, 19, na Suíça, as primeiras negociações para implementar o acordo assinado pelos presidentes dos dois países com o objetivo de encerrar a guerra iniciada em fevereiro.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 18, pelo Ministério das Relações Exteriores suíço.
O memorando estabelece as bases para interromper o conflito iniciado após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro, e abre caminho para uma nova fase de negociações sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções econômicas.
Segundo o governo suíço, representantes dos Estados Unidos, do Irã e dos países mediadores, Paquistão e Catar, se reunirão em Bürgenstock, próximo a Lucerna, para iniciar as discussões sobre a aplicação prática do acordo.
O documento foi assinado na quarta-feira pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. Trump formalizou o pacto durante um jantar no Palácio de Versalhes, na França, enquanto o líder iraniano assinou o texto eletronicamente em Teerã.
O acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o início de um período de 60 dias de negociações sobre o enriquecimento de urânio, o fim das sanções americanas e a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã.
Além disso, o protocolo estabelece um diálogo entre Irã e Omã para discutir a futura administração do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito.
Mercado reage à reabertura de Ormuz
A perspectiva de retomada da navegação na região ajudou a reduzir a pressão sobre os mercados internacionais de energia. Nesta quinta-feira, o barril do petróleo Brent recuava 2,06%, negociado a US$ 77,94.
O memorando também determina a suspensão do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos e prevê a retomada das exportações de petróleo do país.
Autoridades dos dois países apresentaram interpretações distintas sobre o pacto. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o acordo representa uma vitória de Teerã diante de Washington.
Já uma fonte do governo americano classificou o entendimento como uma "grande vitória" para os Estados Unidos, destacando a previsão de supervisão internacional sobre o programa nuclear iraniano.
A diplomacia iraniana ressaltou que o programa de mísseis do país ficará fora das próximas negociações.
Os líderes do G7, reunidos na França nesta semana, celebraram o acordo e afirmaram que ele representa uma oportunidade para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
O grupo também destacou a importância das negociações para reduzir as tensões no Oriente Médio e enfrentar ameaças relacionadas às atividades regionais e balísticas de Teerã.
*Com AFP
