EUA flexibilizam sanções à Venezuela para permitir ajuda após terremotos
Medida do Tesouro autoriza operações até outubro para viabilizar resposta aos terremotos que deixaram mais de 200 mortos

Os Estados Unidos autorizaram uma flexibilização temporária das sanções contra a Venezuela para permitir operações financeiras e comerciais voltadas exclusivamente ao atendimento humanitário após os terremotos que atingiram o país e deixaram mais de 200 mortos.
A medida abre uma exceção pontual ao regime sancionatório vigente e ocorre em meio a um cenário de agravamento da crise humanitária na região.
A decisão do Departamento do Tesouro dos EUA permite transações relacionadas a atividades de socorro até 23 de outubro, desde que vinculadas diretamente à resposta à tragédia. O objetivo é viabilizar o fluxo de recursos e serviços essenciais em meio à destruição provocada pelos tremores.
Exceção pontual ao regime de sanções
Segundo a ordem emitida pelo Tesouro, as operações autorizadas são aquelas que, em condições normais, estariam bloqueadas pelo Regulamento de Sanções contra a Venezuela (VSR), administrado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).
A autorização tem caráter restrito e não representa uma flexibilização ampla do regime de sanções, mantendo o bloqueio de ativos e demais restrições financeiras já impostas a entidades e operações venezuelanas.
O governo americano reforçou ainda que a medida não se aplica a qualquer outra transação que esteja sujeita a diferentes ordens executivas ou dispositivos legais associados ao sistema de sanções.
Resposta humanitária após terremotos devastadores
A flexibilização foi anunciada em meio às operações de emergência após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela com diferença de apenas 39 segundos. Os eventos são considerados os mais graves da história recente do país e agravaram a pressão sobre a infraestrutura local.
Os abalos sísmicos deixaram mais de 200 mortos e provocaram destruição em larga escala, exigindo uma resposta internacional coordenada para atendimento emergencial e reconstrução básica.
Além da autorização para transações específicas, o Departamento de Estado dos EUA anunciou o envio de US$ 100 milhões ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), com foco na assistência direta à população afetada.
Sinalização diplomática em meio às sanções
A medida ocorre em um contexto mais amplo de ajustes pontuais na política de sanções dos EUA em relação à Venezuela. Nos últimos meses, Washington já havia autorizado licenças específicas relacionadas à exploração e comercialização de petróleo, indicando uma abordagem mais flexível em áreas estratégicas.
Mesmo com as exceções humanitárias, o núcleo do regime de sanções permanece ativo, preservando restrições financeiras e comerciais consideradas centrais na pressão dos Estados Unidos sobre o governo venezuelano.
Desde a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro, segundo o histórico recente citado, os EUA vêm calibrando autorizações pontuais que permitem atividades específicas sob supervisão do OFAC, sem alterar a estrutura principal das restrições.
*Com EFE
