EUA lança nova onda de ataques ao Irã; Teerã ameaça fechar rotas marítimas

Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na manhã desta quarta-feira, 15, ampliando a escalada do conflito entre os dois países.
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os bombardeios começaram às 7h (horário de Brasília) e têm como objetivo enfraquecer capacidades militares iranianas utilizadas em ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos afirmam que, na última semana, sete embarcações comerciais foram atacadas pelo Irã, deixando quase uma dúzia de tripulantes mortos, desaparecidos ou feridos.
A nova ofensiva ocorre cerca de oito horas após o fim da rodada anterior de ataques, encerrada às 22h de terça-feira, no horário de Washington. De acordo com o Centcom, os ataques desta quarta-feira fazem parte da continuidade da campanha militar iniciada na véspera.
Na terça-feira, os Estados Unidos informaram ter atingido dezenas de alvos militares próximos ao Estreito de Ormuz e em áreas costeiras do Irã, em uma operação que durou cerca de sete horas.
Irã reage e ameaça ampliar bloqueio marítimo
Em resposta à ofensiva americana, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Além das ações militares, o Irã ameaçou ampliar o bloqueio das rotas de exportação de energia da região.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária declarou que "os corredores de exportação de energia serão compartilhados por todos ou negados a todos" e afirmou que os Estados Unidos devem se preparar para o fechamento de outras rotas estratégicas utilizadas por Washington e seus aliados.
O grupo também declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o que chamou de "fim dos males da América".
Tensão pode atingir outra rota estratégica
Analistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que, apesar da retomada dos confrontos após o fracasso da trégua provisória firmada em junho, ainda não há expectativa de uma guerra em larga escala entre Estados Unidos e Irã, embora o risco de nova escalada permaneça.
Segundo essa avaliação, Teerã sinaliza que poderá recorrer aos houthis, grupo aliado no Iêmen, para bloquear também o estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde passa parte relevante do comércio marítimo mundial e das exportações de petróleo da Arábia Saudita.
Na segunda-feira, um alto integrante dos houthis afirmou que o grupo estaria preparado para fechar a hidrovia caso a Arábia Saudita mantenha ataques contra o Iêmen.
Trump aumenta pressão por negociações
Enquanto amplia a campanha militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o governo iraniano para retomar as negociações.
Na terça-feira, Trump afirmou que poderá atingir usinas de energia e pontes no Irã na próxima semana caso Teerã não volte à mesa de negociações.
Segundo o presidente americano, negociadores dos Estados Unidos mantiveram contato com representantes iranianos para reforçar a necessidade de um acordo.
