EUA promete 'era de ouro' com Colômbia em agenda bilionária
Memorandos tratam de minerais críticos e energia nuclear civil; países também lançaram roteiro para reconstrução após terremoto de 7,4 graus

RESUMO | Estados Unidos e Colômbia anunciaram nesta terça-feira, 8, dois memorandos de entendimento sobre minerais críticos e energia nuclear civil durante a visita de Marco Rubio a Abelardo de la Espriella. Os acordos entre EUA e Colômbia integram uma agenda que inclui reconstrução após o terremoto, investimentos, segurança e combate ao narcotráfico.
Os Estados Unidos e a Colômbia anunciaram uma nova etapa na relação bilateral com dois memorandos de entendimento sobre minerais críticos e energia nuclear civil, além de um roteiro para reconstrução e recuperação econômica do país sul-americano.
Os acordos foram anunciados nesta terça-feira, 8, durante a visita do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao presidente colombiano Abelardo de la Espriella, em Barranquilla.
Rubio classificou a nova fase como uma possível “era de ouro” entre os dois países. A visita é a primeira de um alto integrante do governo de Donald Trump à Colômbia desde a posse de De la Espriella, em 7 de agosto, e representa uma reaproximação após os quatro anos de governo de esquerda de Gustavo Petro.
Quais são os acordos entre EUA e Colômbia?
O primeiro memorando estabelece uma estrutura de cooperação para garantir cadeias de fornecimento de minerais críticos e terras raras. O objetivo é identificar e desenvolver projetos de mineração e processamento, com participação dos governos e do setor privado.
O segundo trata de cooperação nuclear civil. O acordo prevê colaboração em infraestrutura, formação de profissionais e avaliação de tecnologias americanas, incluindo reatores avançados e pequenos reatores modulares, além de aplicações como medicina nuclear e pesquisa.
Os dois setores têm importância estratégica para Washington. Minerais críticos e terras raras são usados em eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos de defesa, enquanto o governo Trump busca ampliar a participação da energia nuclear na matriz americana e reduzir dependências consideradas estratégicas.
Por que os minerais são importantes?
A disputa por minerais críticos é também uma disputa geopolítica. Os Estados Unidos tentam reduzir a dependência de cadeias de fornecimento dominadas pela China, especialmente em materiais utilizados em tecnologias avançadas e na indústria de defesa.
O novo acordo prevê que os dois governos trabalhem para identificar e financiar projetos de mineração e processamento. O memorando também permite a mobilização de instrumentos como garantias, empréstimos, participação acionária e contratos de compra antecipada.
A parceria ganha relevância após a descoberta de tungstênio no departamento colombiano de Caldas pela empresa Collective Mining. O metal é utilizado em ferramentas industriais, aplicações aeroespaciais e equipamentos de defesa.
O que o terremoto tem a ver com a parceria?
A reconstrução da Colômbia após o terremoto de magnitude 7,4de 10 de agosto também entrou na agenda. O desastre deixou 331 mortos, 4.449 feridos e 143 desaparecidos, segundo levantamento oficial atualizado em 27 de agosto. Uma avaliação do PNUD estimou em US$ 13,2 bilhões os danos estruturais provocados pelo terremoto.
De la Espriella afirmou que a reconstrução exigirá investimentos em moradias, hospitais, escolas, estradas, pontes, serviços públicos e capacidade produtiva.
Segundo o governo colombiano, os Estados Unidos já forneceram US$ 26,5 milhões em assistência humanitária após o terremoto. O governo de De la Espriella quer agora ampliar a participação americana em infraestrutura, energia, habitação e reconstrução produtiva.
O que são os 'Acordos de Barranquilla'?
Além dos dois memorandos, De la Espriella apresentou uma agenda mais ampla, chamada de “Acordos de Barranquilla”. O plano foi dividido em três frentes: reconstruir o país, recuperar a economia e reforçar a segurança do hemisfério.
A ideia é transformar a aproximação com Washington em investimentos, projetos de infraestrutura e cooperação em segurança. O governo colombiano também quer atrair empresas americanas para ampliar cadeias produtivas e gerar empregos.
Na área de segurança, De la Espriella propôs uma parceria para modernizar equipamentos militares e de inteligência, incluindo aviões, radares, drones, helicópteros, sistemas antidrones, defesa aérea, ciberdefesa e forças especiais.
Combate ao narcotráfico também está no centro
A segurança foi um dos principais assuntos da reunião. Rubio afirmou que Washington quer apoiar a Colômbia no combate a grupos armados e ao tráfico de drogas, argumentando que as redes criminosas atuam nos dois países.
A mudança representa uma aproximação em relação ao governo Petro, que teve relações mais tensas com Washington em temas como combate às drogas, segurança e migração. Rubio classificou o período como uma fase de “distância” entre os dois governos.
Qual é o interesse econômico da Colômbia?
A reaproximação ocorre em um momento delicado para as contas públicas colombianas. O déficit do governo central chegou a 6,4% do PIB em 2025, enquanto a dívida bruta alcançou 64,4% do PIB, segundo o Banco da República da Colômbia.
Por isso, o governo De la Espriella busca capital privado e financiamento externo para reconstrução e infraestrutura sem ampliar excessivamente a pressão sobre as contas públicas.
A Colômbia também quer negociar condições comerciais mais favoráveis com os Estados Unidos. O país está sujeito a uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte de suas exportações americanas, e De la Espriella busca uma suspensão temporária da medida.
O que muda na relação entre os dois países?
Na prática, a visita de Rubio amplia a agenda bilateral para além do combate ao narcotráfico. Washington e Bogotá passaram a discutir simultaneamente segurança, comércio, reconstrução, energia e acesso a minerais estratégicos.
Para os Estados Unidos, a Colômbia pode se tornar um parceiro mais próximo em uma região na qual o governo Trump busca ampliar sua influência e reduzir a presença estratégica da China. Para Bogotá, a aproximação pode trazer investimentos, financiamento e tecnologia em um momento de reconstrução e pressão fiscal.
Os dois memorandos, porém, estabelecem uma estrutura de cooperação, e não significam por si só a construção imediata de usinas nucleares ou novos projetos de mineração. O próximo passo será transformar os compromissos em projetos e investimentos concretos.
Quais acordos foram assinados entre Estados Unidos e Colômbia?
Estados Unidos e Colômbia assinaram dois memorandos de entendimento. Um estabelece cooperação em minerais críticos e terras raras, enquanto o outro prevê colaboração em energia nuclear civil.
O que prevê o acordo sobre minerais críticos?
O memorando prevê a identificação, o financiamento e o desenvolvimento de projetos de mineração e processamento com participação dos governos e do setor privado. A estrutura permite garantias, empréstimos, participação acionária e contratos de compra antecipada.
O acordo prevê a construção de usinas nucleares na Colômbia?
Não de forma imediata. O memorando estabelece cooperação em infraestrutura, formação profissional e avaliação de tecnologias americanas, como reatores avançados, pequenos reatores modulares, medicina nuclear e pesquisa.
Quanto o terremoto causou em danos à Colômbia?
Uma avaliação do PNUD estimou em US$ 13,2 bilhões os danos estruturais provocados pelo terremoto de magnitude 7,4 de 10 de agosto. Segundo levantamento oficial atualizado em 27 de agosto, o desastre deixou 331 mortos, 4.449 feridos e 143 desaparecidos.
O que são os Acordos de Barranquilla?
Os Acordos de Barranquilla são uma agenda apresentada por Abelardo de la Espriella para reconstruir a Colômbia, recuperar a economia e reforçar a segurança do hemisfério. O plano busca transformar a aproximação com Washington em investimentos, infraestrutura, empregos e cooperação em segurança.
Quanto os Estados Unidos já destinaram à Colômbia após o terremoto?
Segundo o governo colombiano, os Estados Unidos forneceram US$ 26,5 milhões em assistência humanitária. O governo de Abelardo de la Espriella pretende ampliar a participação americana em infraestrutura, energia, habitação e reconstrução produtiva.
