Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
CiênciaCMDT
09/09/2026
5 min

EUA soltam 1 bilhão de moscas de laboratório contra praga carnívora

Estratégia usa machos esterilizados para interromper a reprodução da mosca-varejeira, praga que ameaça o gado e a vida selvagem no país

EUA soltam 1 bilhão de moscas de laboratório contra praga carnívora

Cerca de 1 bilhão de moscas estéreis já foram liberadas nos Estados Unidos para combater uma praga que voltou a ameaçar os rebanhos do país. A estratégia usa uma técnica desenvolvida para interromper a reprodução da mosca-varejeira do Novo Mundo.

Segundo a CNN, a iniciativa ganhou força após a confirmação de casos da chamada mosca-da-bicheira do Novo Mundo nos EUA. A praga havia sido considerada erradicada do país e de grande parte da América Central décadas atrás.

A mosca-varejeira deposita ovos em animais de sangue quente, incluindo seres humanos. Depois que os ovos eclodem, as larvas penetram no tecido vivo e podem provocar infecções e até a morte.

Mosca-varejeira voltou a avançar pela América

A mosca-varejeira do Novo Mundo rompeu as barreiras de contenção no Panamá em 2023. A partir do Darién, região de floresta entre Panamá e Colômbia, a praga avançou para o norte.

Desde então, milhares de animais foram infestados no Panamá e no México. Em junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou os primeiros casos no país em décadas. A ameaça preocupa principalmente o setor de pecuária. O gado é um dos principais alvos da mosca-da-bicheira e representa uma atividade econômica de grande importância nos Estados Unidos.

Apraga também pode afetar animais selvagens e de estimação. Por isso, autoridades ampliaram o monitoramento de animais, o uso de armadilhas e a vigilância em áreas consideradas de risco.

Como as moscas estéreis combatem a praga

A técnica utiliza moscas criadas em laboratório e esterilizadas com radiação. Depois, os insetos são liberados em regiões onde há presença da mosca-varejeira.

As moscas estéreis continuam capazes de acasalar, mas não conseguem gerar descendentes. A estratégia explora uma característica das fêmeas da espécie, que normalmente acasalam apenas uma vez.

Quando uma fêmea selvagem cruza com um macho estéril, portanto, ela não produz uma nova geração de moscas. Com liberações sucessivas, a expectativa é reduzir a população da praga.

A técnica foi fundamental para a erradicação da mosca-da-bicheira do Novo Mundo nos Estados Unidos e em outros países durante as décadas de 1960 e 1970.

Praga pode crescer rapidamente

Apesar do número relativamente baixo de casos registrados nos EUA, especialistas alertam para o potencial de crescimento da população da mosca-varejeira. As moscas vivem cerca de 21 dias. Nesse período, uma fêmea pode colocar até 3 mil ovos, segundo informações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

O potencial reprodutivo da espécie já provocou aumentos rápidos no passado. Em 1971, foram registrados 473 casos. No ano seguinte, o número chegou a quase 100 mil.

O cenário preocupa porque alguns casos podem não ser identificados em animais selvagens ou não ser comunicados pelas propriedades rurais às autoridades.

EUA tentam ampliar produção de moscas estéreis

Para controlar a praga, os Estados Unidos precisam liberar centenas de milhões de moscas estéreis por semana. A capacidade de produção, porém, foi reduzida depois que a mosca-varejeira deixou de representar uma ameaça imediata. Muitas instalações foram fechadas após a erradicação da praga.

Atualmente, uma fábrica no Panamá consegue produzir até 100 milhões de moscas por semana. Uma nova unidade no México também deverá alcançar essa capacidade quando estiver em plena operação.

Os Estados Unidos começaram a construir uma fábrica no Texas em abril. A previsão é que a unidade seja inaugurada no fim de 2027.

Quando atingir a capacidade prevista, a fábrica poderá produzir 100 milhões de moscas por semana inicialmente. Até o fim de 2028, a produção poderá chegar a mais 300 milhões por semana.

Mesmo assim, parte das moscas produzidas é formada por fêmeas. Como elas também são estéreis, não contribuem diretamente para o aumento do número de machos disponíveis para acasalamento.

Além da criação convencional, os Estados Unidos desenvolvem moscas geneticamente modificadas para produzir apenas machos. O projeto, chamado Novofly, está em fase de testes de campo no Panamá. A proposta é aumentar a quantidade de machos estéreis disponíveis para as liberações.

A estratégia poderia elevar a eficiência da produção porque eliminaria a necessidade de criar fêmeas estéreis. Segundo especialistas envolvidos no programa, e citados pela CNN, os machos também poderiam se concentrar nas fêmeas selvagens férteis.

Os resultados dos testes de campo ainda estão em andamento. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos afirma que os primeiros resultados são positivos.

Combate envolve pecuária e monitoramento

A liberação de moscas estéreis é apenas uma das medidas adotadas contra a mosca-da-bicheira do Novo Mundo. As autoridades também monitoram a população de animais selvagens, inspecionam rebanhos e trabalham com pecuaristas para identificar novas infestações.

O objetivo é detectar rapidamente animais infectados e impedir que a mosca-varejeira avance para novas áreas. O governo americano também prevê investimentos em novas estruturas e tecnologias para ampliar a capacidade de produção e dispersão dos insetos.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
Distribuído por