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Mundo
30/07/2026
3 min

EUA volta a atacar Irã; Paquistão tenta negociar desescalada

País afirma mediar conversas entre Washington e Teerã após novos bombardeios e escalada das tensões na região

EUA volta a atacar Irã; Paquistão tenta negociar desescalada

O Paquistão afirmou nesta quinta-feira, 30, que Estados Unidos e Irã negociam uma desescalada do conflito, apesar da retomada dos bombardeios americanos contra alvos iranianos durante a madrugada.

Segundo Islamabad, as conversas incluem discussões sobre o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, Tahir Andrabi, afirmou que o país atua como mediador entre Washington e Teerã e tenta restabelecer o protocolo firmado em junho, que previa o início denegociações de paz entre os dois lados.

"As negociações entre as partes continuam, em particular no que diz respeito ao Estreito de Ormuz e à desescalada", disse Andrabi. Segundo ele, o Paquistão faz "todo o possível" para retomar o acordo.

Bombardeios ampliam tensão na região

Os ataques americanos ocorreram após quase uma semana de pausa nas hostilidades e atingiram dezenas de alvos ligados à Guarda Revolucionária iraniana. Antes da ofensiva, o presidente Donald Trump havia afirmado que os Estados Unidos responderiam com força ao Irã.

A agência estatal iraniana Irna informou que cidades da província de Khuzestan e a ilha de Qeshm foram bombardeadas. Segundo a agência Fars, três integrantes de uma mesma família morreram e outras duas pessoas ficaram feridas em Qeshm.

A nova escalada também atingiu outros países da região. Na quarta-feira, Estados Unidos e Arábia Saudita bombardearam grupos pró-Irã no Iraque. Segundo a Frente de Mobilização Popular (FMP), 20 integrantes do grupo morreram, além de cinco assessores iranianos.

O Kuwait informou a morte de uma pessoa após um bombardeio iraniano, enquanto a Jordânia afirmou ter interceptado cinco mísseis disparados pelo Irã contra seu território.

No Egito, autoridades atribuíram a um ataque com drones de origem ainda desconhecida um incêndio que atingiu dois navios, incluindo uma embarcação americana, no porto de Damieta.

Disputa por rotas estratégicas

No centro da crise permanece o Estreito de Ormuz, passagem por onde transitava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo antes da guerra. Segundo o governo paquistanês, o tema faz parte das negociações em andamento.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta quinta-feira que dois petroleiros recuaram após tentarem cruzar o estreito com apoio americano, sendo que um deles teria pegado fogo durante a operação.

Com as dificuldades de navegação em Ormuz, o Mar Vermelho ganhou importância como rota alternativa para exportações da Arábia Saudita. No entanto, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, anunciaram recentemente um bloqueio naval aos portos sauditas, ampliando os riscos para o transporte marítimo na região.

Segundo o analista saudita Hesham Alghannam, os ataques promovidos por grupos aliados do Irã representam uma continuidade da guerra direta "por outros meios", mantendo a pressão sobre os adversários de Teerã.

A escalada voltou a pressionar o mercado internacional de energia. Com o aumento das tensões e o risco de interrupção das principais rotas de exportação, o barril do petróleo Brent voltou a ser negociado acima de US$ 90.

*Com AFP 

AutorEstela Marconi
FonteExame
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