Europa tenta reduzir déficit com a China, mas calor recorde aumenta compra de ar-condicionado chinês

A União Europeia iniciou uma nova rodada de negociações comerciais com a China para reduzir o déficit bilateral, mas enfrenta um cenário contraditório. Enquanto busca equilibrar a balança comercial, o mercado europeu registra aumento na demanda por aparelhos de ar-condicionado fabricados por empresas chinesas devido à onda de calor que atinge o continente.
Em reunião realizada em 29 de junho, em Bruxelas, representantes da China e da União Europeia criaram o Mecanismo de Consulta sobre Comércio e Investimentos China-União Europeia, voltado para discutir temas como equilíbrio comercial, controles de exportação, propriedade intelectual e Organização Mundial do Comércio (OMC).
Após o encontro, o comissário europeu para Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, afirmou que a expectativa é avançar nas negociações até outubro. Segundo dados citados pela CNBC, o déficit comercial da União Europeia com a China chegou a € 360 bilhões em 2025 e atingiu € 98 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar desde 2022.
Durante a reunião, o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, criticou medidas restritivas adotadas pela União Europeia contra empresas chinesas e defendeu que o novo mecanismo de consultas pode ampliar o diálogo e reduzir as divergências comerciais.
Calor recorde aumenta procura por ar-condicionado chinês
Enquanto as negociações avançam, uma onda de calor impulsiona as vendas de ar-condicionado na Europa, mercado em que fabricantes chinesas ocupam posição de destaque.
Segundo a CNBC, a Midea informou que os pedidos do modelo portátil PortaSplit ultrapassaram 200 mil unidades até 29 de junho, o dobro do registrado em 2025. O equipamento foi desenvolvido para atender às normas de construção da Europa Ocidental, permitindo a instalação sem alterações permanentes nas fachadas dos edifícios.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que apenas cerca de 20% das residências europeias possuem ar-condicionado. O percentual é muito inferior aos quase 90% registrados nos Estados Unidos, indicando espaço para expansão do mercado.
Levantamento da Euromonitor International aponta que, em 2025, as chinesas Haier, Gree e Midea responderam por 32% das vendas de ar-condicionado no varejo europeu. Nenhum fabricante da União Europeia aparece entre as cinco marcas mais vendidas no continente
