Even (EVEN3) e Melnick (MELK3) caem na bolsa após ‘prévias fracas’; veja o que dizem analistas

Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações de Melnicke Even operam em queda nesta quarta-feira (15), um dia após as duas incorporadoras divulgarem suas prévias operacionais do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a avaliação predominante é de que os números vieram “fracos”.
Por volta das 10h35 (de Brasília), os papéis MELK3e EVEN3recuavam 2,5% e 3,3%, respectivamente, cotados a R$ 3,09 e R$ 5,56.
A título de comparação, no mesmo horário, o IBOV, principal indicador da B3, recuava 0,17%, aos 176.340 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Even
Entre abril e junho, a Even lançou dois projetos que totalizaram R$ 677 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), bem abaixo dos R$ 1,04 bilhão no mesmo período de 2025.
O principal destaque foi o empreendimento de alto luxo “Renato 410”, localizado no Itaim Bibi, em São Paulo, que somou R$ 578 milhões em VGV.
As vendas líquidas alcançaram R$ 278 milhões, sendo R$ 156 milhões referentes à participação da companhia, queda de 65% na comparação anual.
Já as vendas brutas atingiram R$ 225 milhões, retração de 54% em um ano, enquanto os cancelamentos chegaram a R$ 69 milhões, alta de 33%.
Como resultado, a Even apresentou uma velocidade de vendas (VSO) de 5% no segundo trimestre, contra 15% observados no mesmo intervalo de 2025. O indicador de vendas sobre estoque caiu para 3%, ante 7% nos três meses anteriores.
Para o BTG Pactual, a incorporadora reportou uma prévia operacional “fraca”. Em relatório, o banco apontou que, no caso das vendas líquidas, o resultado ficou 53% inferior ao esperado.
Em relação aos lançamentos, a casa ponderou que, dos R$ 677 milhões em VGV bruto, cerca de R$ 281 milhões corresponderam à participação da Even, uma queda de 60% em um ano e bem abaixo da estimativa de R$ 410 milhões.
“Os resultados operacionais do 2T26 apresentaram lançamentos abaixo do esperado, que registraram velocidade de vendas moderada no período, e vendas de estoque fracas”, disse o BTG.
“Dado o ambiente mais desafiador para o segmento de média e alta renda devido às taxas de juros elevadas por mais tempo e certo acúmulo de estoque em São Paulo, mantemos nossa recomendação neutra para a ação, apesar de estar sendo negociada com desconto, a 0,6 vez o múltiplo P/TBV”, acrescentou.
O preço-alvo do banco para o papel é de R$ 9,50, o que representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 71% frente à cotação atual.
O que dizem BBI e Safra
Na mesma linha, o Bradesco BBI classificou os números como “negativos”, principalmente pela fraqueza das vendas e pela desaceleração na absorção de estoques, que, segundo os analistas, continuam sendo os principais pontos de atenção da tese.
Em relatório, a instituição afirmou que, embora a companhia tenha um pipeline relevante de lançamentos para os próximos trimestres, o ambiente para o segmento de média e alta renda segue desafiador, especialmente diante dos juros elevados e de uma demanda mais seletiva.
De acordo com o banco, o aumento anual de 33% dos distratos, que chegaram a R$ 69 milhões, também merece acompanhamento e reforça a necessidade de melhora na execução comercial.
“Apesar da qualidade dos ativos e do histórico da companhia, seguimos com uma visão mais cautelosa para a ação, uma vez que ainda enxergamos poucos gatilhos de curto prazo capazes de acelerar a recuperação operacional ou sustentar uma reprecificação mais relevante dos papéis”, disse o BBI.
Do mesmo jeito, o Safra apontou que a Even reportou resultados operacionais “mais fracos e abaixo das estimativas”.
O banco destacou que a incorporadora lançou seus dois primeiros empreendimentos do ano no 2T26, com VGV líquido 26% inferior às expectativas.
A casa ressaltou ainda que o desempenho foi parcialmente beneficiado por um lançamento voltado à baixa renda em parceria com a Cury (CURY3).
Já as vendas líquidas ficaram 45% abaixo da estimativa do Safra, em R$ 156 milhões, pressionadas, segundo os analistas, pelo VSO de estoque de apenas 3%.
“Em um trimestre marcado por tensões geopolíticas e sazonalidade adversa, a empresa apresentou resultados operacionais fracos, bem abaixo de nossas estimativas, o que deve provocar uma reação negativa do mercado”, afirmou o banco.
“O estoque da Even subiu para o equivalente a 23,9 meses de vendas, ante 19,3 meses no 1T26, o maior nível dentro do nosso universo de cobertura. As condições macroeconômicas mais desafiadoras e um desempenho de vendas mais fraco podem impactar os lançamentos futuros e, consequentemente, os resultados da empresa, corroborando nossa recomendação neutra”, acrescentou.
O preço-alvo do Safra para a ação é de R$ 9, potencial de valorização de aproximadamente 62% frente à cotação atual.
O 2T26 da Melnick
Para a incorporadora gaúcha Melnick, que já formou uma joint venture (parceria) com a Even no passado, analistas também classificaram o trimestre como “fraco”.
Entre abril e junho, a companhia registrou vendas líquidas de R$ 108 milhões, abaixo dos R$ 325 milhões observados no mesmo período de 2025.
Segundo a prévia operacional divulgada ao mercado, a empresa lançou um projeto no trimestre que totalizou Valor Geral de Vendas (VGV) bruto de R$ 115 milhões, ante R$ 355 milhões um ano antes.
Apesar disso, entregou seis empreendimentos, que somaram 1.005 unidades e R$ 1,018 bilhão de VGV bruto, sendo R$ 530 milhões correspondentes à sua participação.
Para o BTG Pactual, embora as vendas líquidas tenham ficado abaixo das estimativas, a construtora lançou apenas um empreendimento residencial no trimestre devido ao adiamento de um projeto para o 3T26.
O banco ressaltou ainda que as entregas realizadas pela companhia podem favorecer a geração de caixa nos próximos períodos.
“A Melnick entregou seis projetos, compreendendo três residenciais, um empreendimento de uso misto, um hotel e um loteamento. Em nossa visão, isso representa um volume robusto de entregas e deve se traduzir em uma melhor geração de caixa nos próximos trimestres”, afirmou o BTG.
O Itaú BBA também apontou que os lançamentos ficaram 63% abaixo das projeções devido ao adiamento de um projeto para o 3T26.
Para a instituição, esse fator também contribuiu para o desempenho mais fraco das vendas líquidas, que somaram R$ 108 milhões, queda de 67% na comparação anual e 65% abaixo das estimativas.
Como ponto positivo, o BBA destacou, assim como o BTG, as entregas realizadas pela companhia, que devem sustentar a geração de caixa futura.
Ainda assim, ponderou que, em um cenário macroeconômico com taxas de juros e de financiamento imobiliário elevadas por mais tempo, as perspectivas para o segmento de habitação de média e alta renda continuam pressionadas.
“Diante da dinâmica de resultados mais fraca, preferimos manter uma postura de cautela em relação às ações da MELK, apesar do valuation descontado de 0,6 vez o múltiplo P/TBV.”
