EWZ desaba 20% e contratos de real derretem com Lula à frente na reta final da apuração
Ativos são negociados no exterior e servem como prévia para o pregão no Brasil na segunda-feira

- EWZ, principal ETF de ações brasileiras em Nova York, recua 18,29% no pregão noturno, a US$ 34,80
- Contrato futuro de real em Chicago perde 9,1% e aponta para um dólar de R$ 5,51
- Lula lidera a apuração com 51,31% dos votos válidos, mas a vitória ainda não foi confirmada pelo TSE
- Movimento desfaz o rali que se seguiu ao primeiro turno, quando o mercado passou a apostar em Flávio Bolsonaro
Os ativos brasileiros negociados no exterior despencaram na noite deste domingo, 25, à medida que a apuração do segundo turno consolidava a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O EWZ, fundo de índice que reúne as maiores empresas da bolsa brasileira e é negociado em Nova York, recuava 18,29% no pregão noturno, cotado a US$ 34,80, uma perda de US$ 7,79 em relação ao fechamento de sexta-feira.
Em Chicago, o contrato futuro contínuo de real na CME caía 9,1%, a US$ 0,18145 por real. Convertida para o padrão usado no Brasil, a cotação equivale a um dólar de R$ 5,51, ante R$ 5,01 implícitos no fechamento de sexta-feira.
Mercado oscilou junto com a contagem dos votos
A queda foi se aprofundando ao longo da noite, no ritmo da apuração. Lula abriu a contagem na frente, foi ultrapassado por Flávio pouco antes das 19h45 e voltou à liderança com cerca de metade das urnas apuradas. Às 19h37, o contrato de real com vencimento em novembro já recuava 4,03%, o que correspondia a um dólar de R$ 5,22. Às 19h48, com a virada momentânea de Flávio, a perda diminuiu para 2,50%. Conforme a vantagem do petista se ampliou, a pressão voltou com mais força.
Na última parcial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponível no momento desta publicação, com 80,75% das seções apuradas, Lula somava 51,31% dos votos válidos. O Datafolha já projeta a reeleição do presidente para um quarto mandato, mas o resultado ainda não foi oficializado pelo TSE. Veja em tempo real a disputa entre Lula e Flávio.
Aposta em Flávio é desmontada
A reação reflete o tamanho da aposta que o mercado havia feito no candidato do PL. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, contrariando a maior parte das pesquisas. No dia seguinte, o Ibovespa fechou em alta de 7,70%, em nível recorde, o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,00, e o EWZ subiu 12,54%.
Desde então, os investidores trataram a vitória de Flávio como o cenário mais provável. Nos mercados de previsão, o senador aparecia com cerca de 80% de chance de vencer até a manhã deste domingo. Com o avanço da apuração, a leitura se inverteu, e o EWZ devolveu em uma noite mais do que tudo o que havia ganhado após o primeiro turno.
Liquidez baixa amplia movimentos
Os números da noite precisam ser lidos com cautela. Tanto o pregão noturno do EWZ quanto o contrato de real em Chicago operam com poucos participantes no domingo, o que faz qualquer ordem de maior volume mover os preços com força. A medida mais precisa da reação do mercado virá na segunda-feira, 26, com a abertura do dólar futuro e do Ibovespa na B3, às 9h e às 10h, respectivamente.
