EWZ, índice nos EUA de ações brasileiras, amplia perdas e recua 25% no pré-mercado
Gestor prevê ações com queda de 30%: "o chão ficou muito longe"

O EWZ, principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, desabava 25,29% no pré-mercado desta segunda-feira, 26, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre depois de um período de valorização dos ativos brasileiros, impulsionado, segundo gestores, pela expectativa de alternância de poder no país.
Por volta das 8h54 (horário de Brasília), o iShares MSCI Brazil ETF era negociado a US$ 31,82, uma queda de US$ 10,77 em relação ao fechamento de sexta-feira, 23, quando encerrou o pregão a US$ 42,59, com alta de 1,77%.
Para Davi Khattar, gestor de portfólio da Atlas One Investimentos, o resultado eleitoral contrariou um cenário que já vinha sendo incorporado aos preços dos ativos brasileiros desde agosto.
“O mercado vinha atribuindo alta probabilidade de alternância de poder e, com isso, os preços vieram melhorando desde meados de agosto. Com a não confirmação, o chão ficou muito longe e devemos ver uma forte correção hoje”, afirma Khattar.
A reeleição de Lula foi confirmada no domingo, 25, após o presidente receber 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dólar e ações pressionam o EWZ
Segundo Khattar, a queda expressiva do EWZ reflete dois fatores que devem pressionar simultaneamente os ativos brasileiros: a desvalorização do real frente ao dólar e o recuo das ações negociadas na Bolsa brasileira.
"Do EWZ especificamente, tem dois efeitos: o câmbio, que deve depreciar pelo menos uns 10% sem intervenção do Banco Central (BC), e as ações, uns 15%", afirma o gestor.
O EWZ acompanha o desempenho de ações brasileiras por meio do índice MSCI Brazil e é negociado em dólares na Bolsa de Nova York.
Por essa razão, a cotação do ETF é influenciada tanto pelo comportamento das ações que compõem sua carteira quanto pela variação do real em relação à moeda americana.
Uma desvalorização do real, combinada com a queda dos preços das ações em reais, tende a ampliar as perdas do fundo em dólares.
Na avaliação de Khattar, os efeitos da reprecificação dos ativos brasileiros podem ser ainda mais intensos em determinadas empresas listadas na B3.
“Veremos papéis domésticos caindo mais de 30%, porque os juros devem abrir bastante”, diz.
A projeção do gestor considera, portanto, uma queda mais acentuada das ações de empresas expostas à economia brasileira, diante da expectativa de alta das taxas de juros de mercado.
Mercado deve passar por forte correção
O movimento do EWZ nesta segunda-feira ocorre após semanas em que os investidores, segundo Khattar, vinham atribuindo elevada probabilidade a uma mudança no comando do Executivo. Essa expectativa, na avaliação do gestor, contribuiu para a melhora dos preços dos ativos desde meados de agosto.
Com a confirmação da reeleição de Lula, o mercado passa a ajustar os preços ao resultado das urnas. A dimensão desse ajuste, na visão de Khattar, deve ser observada tanto no mercado acionário quanto no câmbio e nos juros.
A projeção de desvalorização cambial de pelo menos 10%, feita pelo gestor, considera um cenário sem intervenção do Banco Central. Já a estimativa de queda de aproximadamente 15% das ações se refere ao comportamento esperado para esses ativos, enquanto determinados papéis domésticos podem registrar perdas superiores a 30%.
A queda de 25,29% do EWZ foi registrada antes da abertura regular do mercado acionário americano e não representa, necessariamente, uma variação equivalente do Ibovespa, já que o fundo é negociado em dólares e também reflete os movimentos cambiais.
O desempenho do ETF nesta manhã, contudo, sinaliza a intensidade da reação inicial dos investidores à reeleição de Lula e à necessidade de ajuste dos preços após o resultado eleitoral.
