Ex-advogado de Trump avança no Senado para assumir comando da Justiça dos EUA
odd Blanche superou resistência entre republicanos após rever acordo sobre fundo ligado a indenização de Trump; confirmação pelo plenário deve ocorrer ainda nesta semana

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, deu um passo importante para ser confirmado definitivamente no comando do Departamento de Justiça. Nesta terça-feira, 4, a Comissão Judiciária do Senado aprovou sua indicação por 12 votos a 10, abrindo caminho para a votação final no plenário da Casa ainda nesta semana.
Ex-advogado pessoal do presidente Donald Trump, Blanche ocupa interinamente o cargo desde abril, quando Trump demitiu Pam Bondi. Sua confirmação, porém, enfrentava resistência de parte dos republicanos por causa de um acordo firmado pelo Departamento de Justiça envolvendo uma indenização bilionária ao presidente.
A indicação ficou travada após objeções dos senadores republicanos John Cornyn e Thom Tillis, que criticaram a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,1 bilhões) relacionado ao acordo firmado pelo Departamento de Justiça com Trump pelo vazamento de suas declarações de imposto de renda.
Segundo a AFP, Trump pretendia que os recursos fossem destinados a um fundo voltado para supostas vítimas de perseguição política. Para destravar sua indicação, Blanche emitiu, por escrito, uma ordem eliminando esse mecanismo.
Mudanças destravaram a indicação
Além de extinguir o chamado "fundo contra a instrumentalização política", Blanche esclareceu que o acordo de imunidade tributária firmado com Trump, seus dois filhos mais velhos e a Organização Trump terá efeito apenas retroativo, restrito aos anos fiscais passados, sem abranger futuras declarações de imposto de renda.
As garantias apresentadas convenceram parte dos senadores republicanos que vinham bloqueando a indicação. Segundo o New York Times, o senador John Curtis, de Utah, também anunciou que votará a favor da confirmação após receber esclarecimentos sobre o acordo.
Mesmo assim, alguns republicanos continuam indecisos. Com a ausência do senador Mitch McConnell, Blanche poderá perder no máximo dois votos de seu partido para ser confirmado pelo plenário.
Democratas mantêm oposição
Os senadores democratas permaneceram unidos contra a indicação, argumentando que o Departamento de Justiça perdeu independência e passou aatuar como uma extensão da equipe jurídica de Trump.
Antes da votação na comissão, o senador Dick Durbin, principal democrata no colegiado, afirmou que Blanche "não tem nenhuma razão para ocupar o cargo de máxima autoridade da lei" dos Estados Unidos. Durbin também acusou Blanche de ter mentido durante sua sabatina ao negar declarações feitas anteriormente sobre o fundo relacionado ao acordo com Trump.
Apesar das críticas, a maioria republicana no Senado deve garantir a confirmação de Blanche ainda nesta semana, consolidando sua permanência como chefe do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
