Ex-presidente de Honduras retorna após indulto de Trump

O ex-presidente de Honduras,Juan Orlando Hernández, retornou ao país neste domingo, 26, após receber um indulto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anulou sua condenação de 45 anos de prisão por tráfico de drogas.
Ao chegar a Comayagua, a cerca de 60 quilômetros de Tegucigalpa, Hernández agradeceu a Trump e afirmou ter sido vítima de uma "caça às bruxas".
"O presidente mais informado do mundo disse: 'Eu revisei, minha equipe e eu o revisamos detalhadamente e aqui foi cometida uma tremenda injustiça'", declarou diante de apoiadores.Condenado por um tribunal federal de Nova York em junho de 2024, Hernández havia sido considerado culpado de participar do envio de centenas de toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos em parceria com organizações criminosas, entre elas a liderada por Joaquín "El Chapo" Guzmán.
Na ocasião, a Promotoria americana afirmou que o ex-presidente transformou Honduras em um "narcoestado" e em uma rota estratégica para o tráfico internacional de drogas.
A condenação foi anulada em abril deste ano, depois que Trump concedeu o indulto sob o argumento de que Hernández havia sido alvo de perseguição política durante o governo de Joe Biden.
Apesar do perdão nos Estados Unidos, o ex-presidente ainda responderá à Justiça hondurenha. Ele é acusado de desviar US$ 2 milhões em recursos públicos para financiar sua primeira campanha presidencial.Hernández afirmou que comparecerá à audiência marcada para 3 de agosto e disse que tentará recuperar 131 bens confiscados quando foi extraditado para os Estados Unidos.
Durante o discurso, o ex-presidente também deixou aberta a possibilidade de voltar à política caso considere haver risco de retorno de um governo que classificou como "radical".
O retorno de Hernández ocorre após um juiz hondurenho suspender a ordem de prisão relacionada ao caso de desvio de recursos e quatro meses depois de o Congresso destituir o então procurador-geral Johen Zelaya.
O caso reacendeu o debate sobre impunidade no país. Analistas e organizações de direitos humanos afirmam que o retorno do ex-presidente representará um teste para a independência do Judiciário hondurenho.
A trajetória política de Hernández foi marcada por denúncias de corrupção e por controvérsias, como a reeleição para um segundo mandato em 2017, autorizada por decisão da Suprema Corte apesar da proibição constitucional. A vitória foi contestada por denúncias de fraude e desencadeou protestos que deixaram cerca de 30 mortos.
Nos últimos meses, também vieram à tona gravações divulgadas pelo veículo Diario Red que sugerem um suposto acordo envolvendo Estados Unidos, Israel, Honduras e Argentina para transformar Hernández em um articulador político contra governos de esquerda na América Latina. O ex-presidente negou a autenticidade dos áudios.
*Com informações da AFP
