EXCLUSIVO: B3 desafia universitários a criar soluções para trading de alta frequência

A B3 vai sediar, em 29 de agosto, a etapa estadual de São Paulo da 20ª Maratona SBC de Programação — e, neste ano, vai colocar os estudantes para resolver problemas de um dos segmentos mais técnicos e disputados do mercado financeiro: o high frequency trading (HFT), ou negociação de alta frequência.
A bolsa brasileira vai propor dois desafios especiais de estratégias quantitativas voltadas a esse tipo de operação, desenvolvidos em parceria com as empresas Alphabot, TOOQ e Cedro.
Cerca de 50 equipes de graduação, de diferentes universidades, vão disputar vagas para a final nacional da maratona, em novembro, em Uberlândia. As informações foram enviadas com exclusividade à EXAME.
O que é, de fato, operar em alta frequência
HFT é a modalidade de negociação financeira em que algoritmos compram e vendem ativos em frações de segundo — muitas vezes em microssegundos (milionésimos de segundo) ou até nanossegundos (bilionésimos de segundo).
A vantagem não vem de uma única operação grande, mas do acúmulo de margens minúsculas de lucro repetidas milhões de vezes ao longo do dia, em uma lógica de volume, não de aposta isolada.
A tecnologia já é parte estrutural do mercado brasileiro: segundo dados da própria B3, cerca de 35% do volume de negociações na bolsa hoje passa por sistemas de alta frequência.
Para sustentar essa velocidade, a B3 mantém um datacenter de "co-location", onde empresas de HFT instalam seus próprios servidores fisicamente próximos aos da bolsa — reduzindo a chamada latência, o atraso entre o envio de uma ordem e sua execução. Para garantir que nenhuma empresa tenha vantagem técnica sobre as demais, todos os cabos de fibra óptica que conectam os servidores no datacenter da B3 têm exatamente o mesmo comprimento.
Quem são os parceiros dos desafios
A TOOQ Data Trading, uma das empresas por trás dos desafios da maratona, já opera no datacenter de co-location da B3 desde 2022, fornecendo infraestrutura tecnológica de sincronismo e monitoramento para participantes de HFT.
A empresa, com tecnologia originária do Reino Unido e do Canadá, permite acompanhamento de operações em escala de nanossegundos.
Já a Cedro fornece soluções de conectividade e dados de mercado para operações algorítmicas, e a Alphabot atua no desenvolvimento de estratégias quantitativas automatizadas — as três empresas representam, juntas, peças centrais da cadeia tecnológica que viabiliza esse tipo de negociação ultrarrápida no Brasil.
Uma ponte entre a universidade e o mercado
A maratona é organizada pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e integra o circuito do International Collegiate Programming Contest (ICPC), competição que reúne estudantes de mais de 100 países.
Os vencedores da etapa nacional avançam para a fase latino-americana, que seleciona equipes para a disputa mundial do ICPC.
"Acreditamos que a formação de talentos em tecnologia começa muito antes da entrada no mercado de trabalho", afirma Marina Naime, gerente de educação da B3. As inscrições para a maratona estão abertas até 10 de agosto no site oficial da competição.
