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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
03/08/2026
5 min

Exclusivo: Havanna está em recuperação extrajudicial no Brasil

Rede de cafeterias faz parte de grupo que negocia dívidas de R$ 127 milhões com credores; meta de 700 lojas até 2030 segue de pé

Exclusivo: Havanna está em recuperação extrajudicial no Brasil

A operação brasileira da rede de cafeterias argentina Havanna está em recuperação extrajudicial. O pedido foi feito ainda no final do ano passado, mas o plano foi apresentado no primeiro semestre deste ano.

O processo corre na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo e reúne seis empresas do grupo controlado pelo empresário Marcos Rothenberg, que responde pela Havanna no país. Entre elas estão a DGA Doces Del Plata, que administra as franquias da marca, e a Café Del Plata, que opera lojas com o nome fantasia Havanna.

As dívidas em negociação somam R$ 127 milhões.

No pedido em que expõe as razões da recuperação, o grupo argumenta que a Café Del Plata — empresa que opera lojas com o nome fantasia Havanna — não enfrenta crise econômica própria, e que suas atividades estariam "em constante ascensão". Segundo a petição, ela foi incluída no processo por estar "interligada" às demais companhias do grupo, das quais é avalista, e que, sim, estão precisando se recuperar de uma crise.

A principal delas é a marca de perfumes Fragrance.

O documento registra, porém, outro motivo para a inclusão: havia uma ação de falência em curso contra a Havanna no Brasil, movida pela indústria de chocolates Top Cau por notas fiscais não pagas que somam 4,1 milhões de reais.

A recuperação, diz a própria peça, tornou-se uma "medida de rigor" diante dessa cobrança — ou seja, serviu também para blindar a operação do pedido de falência.

Em nota enviada à EXAME, a Havanna diz que "o processo de recuperação extrajudicial foi iniciado em função de obrigações contratadas por outras empresas do grupo acionista da Havanna, sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna, que é solidária nas obrigações financeiras do grupo".

A empresa diz também que "este processo de recuperação tem como objetivo justamente garantir que obrigações solidárias das empresas não afetem a capacidade operacional, os compromissos da Havanna com seus fornecedores, franqueados e parceiros", e que "o negócio da Havanna segue em franca expansão, com a abertura de mais de 30 novas operações no primeiro semestre de 2026. A empresa segue comprometida com seu plano de chegar a mais de 700 pontos de venda entre seus diversos modelos de operação até o ano de 2030 no Brasil, e expandir as categorias de produto que levam o Dulce de Leche Havanna, bem como democratizar o acesso a marca através da distribuição de produtos no varejo alimentar".

Como é o plano de reestruturação

A empresa já apresentou à Justiça o plano de recuperação extrajudicial. Para os credores concursais, o plano prevê deságio de 95%. Na prática, esses credores receberiam 5% do valor devido, após 12 meses de carência e em dez parcelas anuais corrigidas por TR mais 1% ao ano.

Nem todos entram nesse corte. Credores que aportarem recursos novos na empresa, no modelo conhecido como DIP,  o financiamento tomado durante a recuperação, e os classificados como parceiros recebem o valor integral, remunerado a CDI mais 9% ao ano. O plano prevê captar até 2,5 milhões de reais nessa modalidade.

O maior credor é o Explorer Fundo de Investimento, com R$ 45,8 milhões a receber. A lista inclui ainda a EDEC Comércio de Perfumes e Cosméticos, com R$ 16 milhões, e o Multiplica Long Term, com R$ 12,1 milhões.

Um pedido de falência no caminho

A petição sustenta que a Café Del Plata não vive crise própria e entrou no processo por estar "interligada" ao grupo. O documento registra, porém, o que pesou no momento do pedido: havia uma ação de falência em curso contra essa empresa, movida pela indústria de chocolates Top Cau por notas fiscais em aberto que somam R$ 4.183.987,26.

As seis empresas foram reunidas em consolidação substancial, mecanismo em que companhias de um mesmo grupo são tratadas em conjunto. A justificativa é que são avalistas umas das outras em dívidas com Banco do Brasil, Banco Pine e Banco Sofisa.

O grupo aponta a origem da crise nos juros. Mais de 90% dos pontos de venda da marca Fragrance, de perfumes, ficam em shopping centers, formato que perdeu movimento durante o período de quarentena imposto pela covid-19. As dívidas foram contraídas na pandemia, com a Selic abaixo de 3%, e ficaram mais caras quando a taxa passou de 12% em 2023 e 2024.

Qual é a história da Havanna no Brasil

A Havanna nasceu em 1939 em Mar del Plata, na Argentina, e ficou conhecida pelos alfajores e pelo doce de leite.

A marca chegou ao Brasil em 2006. O plano inicial era vender os produtos em quiosques de shopping, mas a operação logo virou cafeteria, no formato de sentar e ser servido que o consumidor brasileiro passou a associar à marca.

A expansão ganhou ritmo a partir de 2014, quando o grupo adotou o modelo de franquias. O cardápio foi adaptado ao gosto local, com a entrada de itens como pão de queijo e coxinha ao lado das empanadas e dos alfajores. Em 2025, a rede lançou a Heladeria Havanna, sorveteria de doce de leite, e levou os produtos ao varejo, com a venda de potes de sorvete em supermercados.

Hoje a Havanna tem mais de 250 unidades no Brasil, entre cafeterias, quiosques e sorveterias, concentradas no Sudeste e no Sul. A operação brasileira é a segunda maior da marca no mundo, atrás apenas da Argentina, e o grupo faturou cerca de 420 milhões de reais em 2025.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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