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NegóciosMPOL
11/08/2026
6 min

EXCLUSIVO: Marista fatura R$ 2,2 bilhões e vai às compras para superar 100 escolas no Brasil

Nova gestão estrutura área de M&A para buscar escolas em todo o país. Atualmente, rede tem 97 unidades e mais de 100 mil alunos

EXCLUSIVO: Marista fatura R$ 2,2 bilhões e vai às compras para superar 100 escolas no Brasil

O mineiro Alessandro Marques da Luz assumiu o comando da centenária Marista Brasil com uma missão bem definida. Para os próximos anos, ele vai acelerar o crescimento de uma rede que já tem 97 escolas, mais de 100 mil alunos e receita anual de cerca de 2,2 bilhões de reais.

Em entrevista à EXAME, a primeira concedida à imprensa desde que assumiu o cargo de superintendente do Marista Brasil, Luz afirma que a rede está estruturando uma área de M&A, fusões e aquisições, para buscar oportunidades no mercado de educação básica em todo o país.

“Eu posso te garantir que o apetite é grande e a gente quer crescer rápido”, diz Luz.

A movimentação acontece durante a revisão do planejamento estratégico da organização até 2030. O Marista reúne hoje 63 colégios pagos e 34 escolas sociais.  Dessas, 17 já são centenárias.

A intenção é fazer o crescimento das unidades pagas caminhar junto com a ampliação da atuação social da rede.

Nos próximos quatro anos, o crescimento deve acontecer em duas frentes.

De um lado, o Marista pretende comprar escolas e ampliar a presença no ensino privado. De outro, quer investir nas unidades que já possui, com reformas, modernização da infraestrutura e aumento de capacidade. Algumas escolas, segundo o executivo, já têm filas de espera.

A ofensiva de aquisições não terá uma única região como alvo. Segundo Luz, o Marista pretende analisar oportunidades em todo o país.

No caso das escolas pagas, um dos pontos considerados será a capacidade do mercado local de absorver o tíquete cobrado pela rede.

Alessandro Marques da Luz, superintendente do Marista Brasil: “Eu posso te garantir que o apetite é grande e a gente quer crescer rápido” (Carla Eliane Bordon Rodrigues/Divulgação)

A meta exata para 2030 ainda não está fechada. Para o próximo ano, porém, Luz já tem um número em vista. Quer chegar a 100 unidades. Isso implicaria na compra de ao menos três colégios. 

A compra de escolas será acompanhada de investimentos nas unidades atuais. Segundo o superintendente, cerca de 60% do caixa é reinvestido nas próprias operações. Parte desses recursos vai para retrofit, reforma e modernização de prédios existentes.

Qual é a história do Marista Brasil

A presença dos Maristas no Brasil começou há mais de um século, com a chegada dos primeiros religiosos a Minas Gerais.

A organização depois avançou para outras regiões, principalmente no Sul, e construiu uma rede que hoje está presente em 20 estados e no Distrito Federal.

Parte dessa história continua funcionando como escola.

O Marista Brasil tem 17 unidades centenárias. Entre elas estão o tradicional Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo, o Rosário, em Porto Alegre, o Santa Maria, no Paraná, o São Luís, em Pernambuco, o Nossa Senhora de Nazaré, no Pará, além de unidades em Salvador e Maceió.

A longevidade cria uma vantagem de marca, mas também traz um desafio de negócios. Como manter estruturas antigas capazes de atender famílias que hoje esperam laboratórios, tecnologia, atividades no contraturno e uma rotina escolar diferente daquela de décadas atrás.

É nesse ponto que entram os investimentos em modernização e aumento de capacidade.

A organização atual do Marista Brasil também é recente. Até 2023, as escolas estavam ligadas a três províncias Maristas no país, estruturas religiosas que também mantêm outros negócios e instituições, como universidades, hospitais e a editora FTD.

Naquele ano, a gestão das unidades de educação básica das três províncias foi consolidada no Marista Brasil. A nova organização passou a cuidar das 97 escolas e criou uma estrutura nacional apoiada por escritórios regionais em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife.

É essa a estrutura que Luz administra agora.

Qual é o tamanho desta gigante da educação

A dimensão da rede coloca o Marista entre os maiores grupos de educação básica do país.

A organização tem cerca de 18 mil funcionários, considerando professores, equipes das escolas, escritórios regionais e estrutura corporativa. A receita anual gira em torno de 2,2 bilhões de reais.

As mensalidades continuam sendo a principal fonte de faturamento, mas novos serviços ganharam peso nos últimos anos. Segundo Luz, cerca de 20% da receita já vem de atividades adicionais oferecidas aos estudantes, como esportes no contraturno, ensino bilíngue, robótica e outros programas que ampliam o tempo de permanência na escola.

O movimento acompanha uma mudança no mercado de educação básica. Famílias passaram a buscar mais atividades dentro da própria escola, enquanto modelos de período integral ganharam espaço..

Setor ainda pulverizado

A decisão de montar uma área de aquisições acontece em um setor ainda pulverizado.

Luz estima que existam mais de 20 mil escolas particulares no Brasil e não acredita que poucas redes chegarão a dominar a maior parte desse universo. Na avaliação dele, o movimento será de concentração, com grupos maiores aumentando sua participação, mas mantendo a convivência com milhares de escolas independentes.

“O mercado de Educação Básica no Brasil não vai se consolidar, ele vai se concentrar”, afirma.

O Marista, segundo o executivo, já é a quarta maior rede do país. É nesse mercado fragmentado que a organização pretende buscar novos ativos.

Ao contrário de grupos de educação que cresceram com capital aberto e precisam entregar retorno a acionistas, o Marista pertence a uma organização religiosa. “O nosso compromisso não é com acionista. O nosso compromisso é com a nossa missão, com o nosso propósito”, afirma Luz.

A ligação entre crescimento comercial e atuação social é uma das teses usadas pelo novo superintendente para defender a expansão.

Das 97 unidades administradas pelo Marista Brasil, 63 são colégios pagos e 34 são escolas sociais. As escolas sociais atendem cerca de 15 mil estudantes sem cobrança de mensalidade. Os alunos também recebem alimentação, material didático e uniforme.

Outros cerca de 2 mil estudantes têm bolsas nas escolas pagas. No total, são aproximadamente 17 mil alunos atendidos com gratuidade ou bolsas.

A lógica defendida pela gestão é ampliar os dois lados da rede ao mesmo tempo. “Quanto mais escolas pagas eu tiver, mais escolas sociais naturalmente eu vou ter”, diz Luz.

Nas escolas sociais, porém, o mapa de expansão é diferente daquele usado para as aquisições. Enquanto a busca por colégios pagos será nacional, a organização vê uma necessidade maior de novas unidades sociais na região Amazônica, sobretudo em áreas do interior onde a oferta de educação é menor.

Um exemplo recente está no Acre. Em março, a rede entrou em Porto Walter, município distante quase 600 quilômetros de Rio Branco. A escola social atende mais de 400 estudantes em parceria com a prefeitura.

Luz chega ao Marista depois de mais de 20 anos trabalhando com educação. Economista de formação, passou pelo sistema de ensino Pitágoras no período de transformação da empresa que deu origem à Kroton e trabalhou por 12 anos no Grupo SEB.

Agora, assume uma organização com uma característica diferente das empresas pelas quais passou: escolas com mais de 100 anos de existência convivendo com uma estrutura nacional criada há apenas três anos.

Seu primeiro trabalho será definir até onde essa rede pode chegar em 2030.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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