EXCLUSIVO: 'O Brasil é uma casa extraordinária', diz Sundar Pichai, CEO do Google

Sundar Pichai assumiu o Google em 2015 com uma missão que parecia simples: não estragar o que Larry Page e Sergey Brin haviam construído. O que fez nos dez anos seguintes foi além.
Transformou uma empresa de busca numa potência científica avaliada em US$ 4,6 trilhões, com um Nobel na folha de pagamento e um modelo de linguagem usado por 900 milhões de pessoas.
Em entrevista exclusiva à EXAME, falou sobre os riscos da era dos agentes de IA, o papel do Brasil na estratégia global da empresa e por que, para ele, a única direção possível é seguir em frente.
EXAME: À medida que os assistentes de IA se tornam mais proativos e autônomos, o Google está redesenhando efetivamente a relação entre os usuários e a internet. Com o que você é mais cauteloso para não errar?
Sundar Pichai: As expectativas dos usuários estão em constante evolução. Por um lado, as pessoas querem encontrar informações facilmente e querem resolver as coisas rapidamente.
Estamos entregando experiências úteis em ambas as frentes com recursos como o Modo de IA na Busca e o aplicativo Gemini.
Por outro lado, elas também querem ter acesso à amplitude de informações que estão na web, a partir de uma variedade de fontes confiáveis, incluindo veículos de imprensa, fóruns, YouTube, podcasts e conteúdo gerado por usuários. Estou focado em garantir que atendamos a ambas as necessidades.
EXAME: O Brasil historicamente tem sido um mercado onde os produtos globais de tecnologia são adaptados a posteriori. Com a nova presença da engenharia, o que está sendo construído no Brasil que poderia moldar os produtos do Google globalmente?
Sundar Pichai: O Brasil é uma casa extraordinária para nós e tem nos ensinado muito.
O país está na vanguarda da adoção de novas tecnologias. Começamos nossa jornada no Brasil em 2005, com engenheiros em nosso centro de Belo Horizonte trabalhando na Busca do Google.
Aprendemos muito observando como os brasileiros usam nossos produtos, com o uso da voz como a principal forma de interagir com a informação, por exemplo.
Em resposta a isso, nossas equipes no Brasil desenvolveram elementos-chave da experiência do Search Live, que lançamos em 2025. Estou muito animado sobre o aprofundamento do nosso compromisso com o Brasil com a abertura do nosso segundo centro de engenharia no país.
EXAME: Há uma tensão crescente entre a velocidade de implantação da IA e a capacidade da sociedade de absorvê-la. Você acha que a indústria está se movendo rápido demais ou desacelerar é um risco maior?
Sundar Pichai: A IA é a tecnologia mais profunda na qual a humanidade jamais trabalhará. Ela tem avançado em um ritmo extraordinário, o que pode ser difícil para as pessoas processarem.
Enquanto as pessoas pensam em suas vidas pessoais e no futuro, é compreensível que fiquem ansiosas com o que ela trará.
O que temos visto é que, uma vez que as pessoas experimentam a tecnologia e veem como ela pode beneficiá-las, por exemplo na saúde, elas se tornam mais positivas em relação ao seu potencial.
Vimos isso com a Waymo, pois as pessoas podem ficar nervosas ao andar em um carro autônomo, mas ele rapidamente se torna parte de suas rotinas assim que experimentam.
É importante que continuemos a avançar a fronteira para que possamos continuar a expandir os benefícios e levá-los a mais pessoas.
Nos próximos cinco anos, espero que a IA vá além dos laboratórios e dos early adopters, incorporando-se à vida das pessoas, liberando tempo para os médicos passarem mais tempo com os pacientes e ajudando os pais a terem mais tempo de qualidade com os filhos.
Vejo a IA como algo que pode ajudar todos nós a trabalhar e viver de maneiras mais realizadoras, e isso que devemos aspirar enquanto construímos essa tecnologia.
