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18/07/2026
3 min

Executivos vendem ações dos EUA em ritmo maior que na Crise de 2008

Executivos vendem ações dos EUA em ritmo maior que na Crise de 2008

Executivos de empresas dos Estados Unidos venderam US$ 77,6 bilhões em ações no primeiro semestre deste ano, o segundo maior volume em duas décadas, apenas menor do que o ocorrido em 2021 no contexto da pandemia de Covid-19. O movimento ocorre em um momento onde bancos de investimentos registram receitas recordes com operações na Bolsa, impulsionados pelas receitas trilionárias do mercado da IA.

Segundo levantamento da EPFR Global Market Intelligence, divulgado pelo Bloomberg nesta sexta-feira, 17, o volume de vendas representa uma alta de 20% na comparação com o mesmo período de 2025. "A atividade dos executivos sugere que eles não estão especialmente dispostos a aumentar sua exposição nas valorizações atuais", escreveram analistas da EPFR.

O contraste com as aquisições é marcante. No mesmo período em que vendiam US$ 77,6 bilhões, os executivos compraram apenas US$ 6,9 bilhões em ações de suas próprias empresas, volume ligeiramente acima do mínimo de sete anos registrado um ano antes, quando as compras totalizaram US$ 6,7 bilhões, segundo a Bloomberg.

"Os executivos permanecem relutantes em aumentar sua exposição pessoal a ações, mesmo com os mercados continuando a avançar", escreveu a equipe da EPFR.

O movimento é observado por analistas como um sinal clássico de cautela. Pessoas com maior acesso a informações internas sobre o estado real das empresas estão se desfazendo de suas posições, e não acumulando novas.

Mercado continua em alta, mas tecnologia perde força

Apesar desse comportamento dos executivos, o mercado acionário americano segue acumulando ganhos em 2026. O S&P 500 sobe cerca de 10% no ano e caminha para registrar seu quarto ano consecutivo de valorização superior a dois dígitos.

Ainda assim, operadores têm demonstrado nervosismo crescente, sobretudo com o setor de semicondutores. A percepção é de que as fabricantes de chips se valorizaram de forma excessiva e rápida, e que os gastos com inteligência artificial podem ter chegado a um nível inflado.

Esse nervosismo se refletiu nos pregões mais recentes.

Nesta quinta-feira, 16, as ações de tecnologia, especialmente as de fabricantes de chips, sofreram perdas expressivas. O índice Nasdaq 100 recua mais de 1% nesta sexta-feira, 17.

O movimento levou investidores a buscar refúgio em setores mais defensivos, como bens de consumo básico.

Segundo a Bloomberg, parte do mercado passou a questionar se as ações de fabricantes de chips não avançaram rápido demais e se os investimentos em inteligência artificial podem estar excessivos. Também cresce a preocupação com uma possível ampliação da oferta de ações, diante da expectativa de novas aberturas de capital de grandes empresas ligadas à IA.

Receitas recordes para bancos

Paradoxalmente, o ambiente de volatilidade e incerteza tem sido altamente lucrativo para os grandes bancos de investimento americanos.

A receita com operações em renda variável do Goldman Sachs atingiu US$ 7,4 bilhões no trimestre, alta de 72% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Morgan Stanley registrou crescimento de 69%, e o J.P. Morgan, de 85%, de acordo com dados dos próprios bancos.

Projetado sobre um ano inteiro, o volume combinado de receitas com trading dessas instituições chegaria a US$ 180 bilhões, segundo o Wall Street Journal.

O fenômeno não se restringe aos bancos. Ofundo Millennium teria lucrado US$ 3,7 bilhões em um único mês ao se posicionar corretamente durante o rebalanceamento dos índices de ações.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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