Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EXAME AgroBDRCMDT
06/06/2026
3 min

Exportações de frango dos EUA perdem força e ameaçam margens da Tyson Foods

Exportações de frango dos EUA perdem força e ameaçam margens da Tyson Foods

Os preços das exportações de frango dos Estados Unidos começaram a dar sinais de enfraquecimento em meio à expectativa de aumento da oferta no mercado americano, mostra um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). E isso deve mexer com as margens da Tyson Foods.

O documento, assinado pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, afirma que a resiliência recente dos preços chamou atenção porque o mercado externo de frango dos EUA funciona, historicamente, como um destino para o excedente da produção doméstica. A maior parte da produção é vendida internamente, e apenas o restante é exportado.

Historicamente, os preços de exportação do frango americano acompanham de perto os preços domésticos, mas costumam ser negociados com desconto médio de cerca de 40%. Atualmente, esse desconto está em 26%, patamar considerado estreito pelo relatório.

“Não vemos uma razão estrutural para isso. Então, alguma coisa precisa ceder”, afirmam os analistas.

O relatório afirma que há debate sobre o tamanho do aumento da oferta de frango nos Estados Unidos, mas destaca que a direção do ciclo parece consensual: a produção deve crescer.

Com mais oferta disponível, a tendência seria de queda nos preços domésticos e também nos preços de exportação. Segundo a análise, esse ajuste normalmente começaria pelo mercado externo.

E esse movimento pode já estar em curso. Em março, os preços das exportações americanas de frango caíram 4,1% em relação ao mês anterior, a maior queda para o mês em 20 anos. O recuo também contrariou o padrão sazonal normalmente observado no período.

Margem da Tyson Foods

O relatório vê impacto potencial sobre a Tyson Foods, uma das maiores empresas de proteína animal dos Estados Unidos.

Segundo os analistas, as margens da divisão de frango da companhia têm forte correlação com os spreads das exportações americanas — esses spreads já estão 7% abaixo da média do primeiro trimestre.

Se o cenário persistir, a resiliência recente das margens da Tyson no segmento de frango pode começar a perder força nos próximos períodos.

No segundo trimestre fiscal de 2026, a Tyson Foods registrou crescimento de receita e de rentabilidade. A receita da companhia somou US$ 13,65 bilhões no período, um crescimento de 4,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

No acumulado dos primeiros seis meses do ano fiscal, as vendas avançaram 4,8%, passando de US$ 26,69 bilhões para US$ 27,96 bilhões. Segundo o presidente e CEO da empresa, Donnie King, o desempenho do trimestre foi sustentado pelos negócios de frango e alimentos preparados.

No segmento de frango, o lucro operacional aumentou de US$ 411 milhões para US$ 523 milhões na comparação anual. Já a divisão de alimentos preparados registrou lucro de US$ 352 milhões, ante US$ 329 milhões no mesmo período do ano anterior.

Para o ano fiscal de 2026, a Tyson projeta crescimento de aproximadamente 2% na produção de frango. A expectativa é de que o segmento registre lucro operacional ajustado entre US$ 1,9 bilhão e US$ 2,05 bilhões.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
Distribuído por