Exportações do Brasil para a Argentina caem 18% em meio às reformas de Milei
Vendas ao principal parceiro do Mercosul recuaram nos últimos 12 meses, enquanto importações brasileiras de produtos argentinos cresceram 3,8%

As exportações brasileiras à Argentina caíram 18% nos últimos 12 meses, comparado ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina, sendo o país o terceiro maior parceiro brasileiro.
Essa queda ocorre em meio às reformas econômicas do presidente argentino, Javier Milei.
Segundo osdados do Mdic, as vendas brasileiras para a Argentina recuaram 18,1% na comparação com os 12 meses anteriores. Apesar da queda, o país vizinho segue como o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Em junho, as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 1,3 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão registrados no mesmo mês de 2025. Com isso, a participação argentina nas exportações do Brasil caiu de 5,6% para 3,7%.
Indústria automotiva lidera o comércio bilateral
A indústria automotiva continua sendo o principal eixo da relação comercial entre os dois países. Entre os produtos mais exportados pelo Brasil para a Argentina em junho estão veículos de passageiros, autopeças, caminhões e outros veículos para transporte de mercadorias, além de máquinas e aparelhos elétricos.
Os principais itens vendidos foram:
- Veículos automóveis de passageiros: US$ 223 milhões (16,86% das exportações);
- Partes e acessórios para veículos: US$ 105 milhões (7,93%);
- Veículos para transporte de mercadorias e usos especiais: US$ 57 milhões (4,34%);
- Outros veículos rodoviários: US$ 38 milhões (2,88%);
- Máquinas e aparelhos elétricos: US$ 34 milhões (2,58%).
Na direção oposta, as importações brasileiras de produtos argentinos cresceram 3,8% em junho na comparação anual. Também nesse fluxo comercial, o setor automotivo concentra a maior parte das operações.
Os principais produtos comprados da Argentina foram veículos para transporte de mercadorias e usos especiais, automóveis de passageiros, trigo e centeio, petróleo bruto e polímeros de etileno.
Queda ocorre em meio à crise diplomática
A redução do comércio bilateral acontece em um momento de acirramento das tensões diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.
No último fim de semana, Milei voltou a atacar Lula durante um evento político em São Paulo, onde participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. As declarações agravaram a crise entre os dois países.
Na segunda-feira, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, para manifestar oficialmente seu repúdio às declarações do presidente argentino. Ao longo do dia, integrantes do governo Lula também elevaram o tom das críticas a Milei, enquanto o presidente argentino respondeu com novas manifestações nas redes sociais.
