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Sacre Investimentos
InvestMercadosCMDT
10/08/2026
5 min

Exxon, Chevron e rivais do petróleo lucram US$ 48 bilhões no 2º tri

Exxon, Chevron, BP, Shell e TotalEnergies geraram quase US$ 90 bilhões em caixa entre abril e junho

Exxon, Chevron e rivais do petróleo lucram US$ 48 bilhões no 2º tri

O lucro disparou, o caixa bateu recorde, mas as maiores petroleiras do mundo não abriram uma nova onda de investimentos. Em vez disso, parte do dinheiro foi direcionada ao reforço dos balanços e à redução de dívidas, com o presidente americano Donald Trump cobrando preços menores dos combustíveis.

O CEO da BP, Meg O'Neill, resumiu, em entrevista à CNBC, que a prioridade agora é reforçar a confiabilidade operacional "tanto em nossos ativos de 'upstream', onde produzimos esses barris, quanto nos ativos de refino, onde os refinamos."

A BP e as outras quatro gigantes do petróleo Exxon Mobil, Chevron, Shell e TotalEnergies atravessaram um dos trimestres mais lucrativos da história recente, sem, no entanto, converter todo esse dinheiro em uma nova onda de investimentos.

Juntas, as cinco companhias somaram US$ 48 bilhões em lucro entre abril e junho, impulsionadas pela alta nos preços de combustíveis fósseis provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

A geração de caixa foi ainda mais expressiva. O grupo chegou perto de US$ 90 bilhões no período, um recorde histórico que superou até o pico observado logo após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022.

Os contratos futuros do petróleo do tipo Brent para outubro sobem 1,54%, a US$ 84,83, enquanto os do West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, para setembro avançam 1,79%, a US$ 79,63, por volta das 8h46 (horário de Brasília) desta segunda-feira, 10.

Petroleiras adotam estratégias diferentes

Diante do volume de dinheiro em caixa, as companhias escolheram caminhos diferentes. A Shell foi a mais agressiva, fechando a compra da canadense ARC Resources por US$ 16,4 bilhões. O seu CEO, Wael Sawan, associa a operação a um cenário que considera definitivo.

Sawan chama a atual volatilidade de mercado de "o novo normal" e reconhece que a alta nas commodities tem funcionado como vento a favor para os resultados da Shell.

A BP escolheu outro rumo, descrito pelo diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould, como modo "redução da dívida". O leque de opções disponível às petroleiras para usar esse tipo de lucro é amplo.

Ele inclui fusões e aquisições (M&A, em inglês), capital de manutenção, novos projetos em renováveis ou hidrocarbonetos, redução de dívida e, por último, dividendos e recompras de ações, de acordo com a CNBC. Cada companhia, segundo Mould, dosa essas frentes à sua maneira.

Lucros atraem pressão de Donald Trump

O tamanho do lucro não passou despercebido por Trump. Na semana passada, ele acusou publicamente a Exxon Mobil e a Chevron de estarem "fazendo muito dinheiro" com a escalada de preços puxada pela guerra no Oriente Médio.

Trump também repetiu a cobrança por combustível mais barato nas bombas dos postos americanos. A crítica se soma a uma pressão que já vinha crescendo entre grupos ambientalistas, que defendem a criação de um imposto sobre lucros extraordinários do setor para bancar obras de proteção contra incêndios e enchentes.

Portugal saiu na frente nessa pauta, com o governo anunciando na semana passada a aprovação de uma taxa sobre ganhos excepcionais de petroleiras e refinarias em 2026.

Analista questiona destino do dinheiro

Para o analista de finanças de energia do instituto sem fins lucrativos Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA, em inglês), Clark Williams-Derry, o comportamento das companhias no trimestre expõe algo maior do que uma escolha pontual de alocação de capital.

Ele descreveu o período como "uma bonança financeira sem precedentes", mas destacou que o dinheiro extra não foi usado para elevar a produção conforme o mantra do governo Trump de intensificar a extração doméstica, o chamado "perfure, baby, perfure".

Ele vê que os gastos de capital, dividendos e recompras das companhias permaneceram praticamente estáveis no trimestre. Isso o levou ao questionamento: "se não repassaram mais dinheiro aos acionistas, o que as gigantes do setor fizeram com a enxurrada de caixa?"

A resposta, para o próprio analista, está no reforço dos balanços. As reservas de caixa combinadas das cinco avançaram pouco mais de US$ 17 bilhões só no trimestre, evidência de que o excedente foi usado sobretudo para reduzir dívidas e reforçar as reservas financeiras.

Williams-Derry vai além ao dizer que "as gigantes do setor de petróleo precisam de picos periódicos de preços (...) apenas para reforçar suas finanças", já que picos de preço funcionam como alívio depois de longos períodos de preços baixos e estáveis que corroem os resultados.

"Para as gigantes do setor de petróleo, o intenso sofrimento dos consumidores e a escassez global de combustíveis funcionam como um antídoto financeiro para os longos períodos de preços baixos e estáveis ​​que corroem suas finanças. (...) As disparadas de preços são uma característica planejada, e não uma falha", acrescentou.

Por que as petroleiras não investem mais?

Apesar do caixa recorde, Mould, da AJ Bell, chama atenção para a cautela generalizada das petroleiras na hora de investir em novos campos de exploração, com orçamentos de capital ainda contidos. Para ele, essa postura sugere que as próprias companhias desconfiam da durabilidade do ciclo atual.

Entre os riscos estão a possibilidade de um acordo de paz duradouro entre EUA e Irã esfriar os preços, o temor de uma nova rodada de taxação e a pressão constante de grupos ambientais e da opinião pública.

*Com informações da CNBC

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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