Eztec (EZTC3) cai 3% na bolsa após prévia do 2T26; é hora de comprar ou vender?

Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da Eztec(EZTC3) operam em queda nesta terça-feira (14), um dia depois de a construtora divulgar suaprévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a avaliação predominante é de que os números vieram “mistos”.
Por volta das 11h55 (de Brasília), os papéis da companhia estavam cotados a R$ 12,54, o que representa desvalorização de aproximadamente 3,5% em relação à abertura do pregão.
A título de comparação, no mesmo horário, o principal indicador da B3 (IBOV) avançava cerca de 0,53%, aos 176.676 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
Como foi o 2T26 da Eztec
Entre abril e junho, a Eztec lançou três empreendimentos, todos na Região Metropolitana de São Paulo, que somaram Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 773 milhões, alta de 57,8% em relação ao mesmo período de 2025.
O principal foi o “Reserva São Caetano GranResort“, em São Caetano do Sul, com VGV de R$ 457 milhões e 41% das unidades vendidas até o fim do trimestre.
Também foram colocados no mercado o “Azzure Resort Life“, em Osasco, com VGV de R$ 199 milhões e 55% de comercialização, e a terceira fase do “Reserva São Caetano Bosque“, com VGV de R$ 117 milhões e 33% de vendas em 20 dias.
Ao todo, as vendas brutas da incorporadora alcançaram R$ 675,1 milhões no 2T26, crescimento de 21% na comparação anual, enquanto as líquidas avançaram 18,2%, para R$ 577,6 milhões.
Os distratos, por outro lado, somaram perto de R$ 97,5 milhões, alta de 40,9% frente a igual intervalo de 2025.
Já o indicador de velocidade de vendas (VSO) ficou em 14,8% entre abril e junho, praticamente estável frente aos 15,2% registrados no segundo trimestre de 2025.
Para o Bradesco BBI, os números vieram “mistos”. Em relatório, o banco apontou que, de um lado, a Eztec segue apresentando evolução operacional relevante, com recordes de lançamentos e vendas no acumulado do ano, o que indica melhora consistente da atividade comercial.
Por outro lado, porém, disse que o aumento dos distratos merece monitoramento, ainda que parte desse movimento possa estar relacionada à conversão mais lenta de vendas previamente registradas e não necessariamente a uma deterioração da demanda.
“Outro fator de atenção é o elevado volume de estoque pronto, que continua representando uma parcela importante dos ativos da companhia”, ponderou o BBI.
De fato, o estoque total da Eztec encerrou junho em R$ 3,31 bilhões em VGV, alta de 21,8% na comparação anual.
Segundo a incorporadora, esse crescimento reflete principalmente o forte ritmo de lançamentos nos últimos 12 meses.
“Dessa forma, embora reconheçamos os avanços operacionais recentes, entendemos que o valuation atual já incorpora boa parte dessa melhora, justificando uma visão mais neutra para a ação neste momento”, afirmou o banco.
Safra vê vendas abaixo do esperado
O Safra, por sua vez, avaliou que a Eztec apresentou resultados “sequencialmente mais fracos“, com vendas 10% abaixo das estimativas, atribuídas principalmente a uma absorção de lançamentos menor, embora ainda resistente.
De acordo com o banco, um volume maior de distratos também pressionou a comercialização de estoque, o que resultou em um VSO trimestral mais baixo, de 14,8%, 1,9 ponto percentual inferior à projeção.
“Apesar da absorção de lançamentos ainda resiliente, o estoque registrou novo aumento sequencial e encerrou junho com um prazo de escoamento ligeiramente maior, de 16,9 meses, contra 16,6 meses no primeiro trimestre de 2026”, disse a casa.
“Além disso, o aumento dos níveis de estoque em São Paulo e um cenário de taxas de juros elevadas por mais tempo podem pressionar os resultados futuros”, acrescentou.
Apesar dos pontos de atenção, o Safra manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para EZTC3, destacando o valuation considerado atrativo, com o múltiplo P/VP (Preço/Valor Patrimonial) de 0,7 vez para 2026.
O preço-alvo do banco para o papel é de R$ 21,50, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 69% frente à cotação atual.
Itaú BBA mantém visão positiva
O Itaú BBA também classificou os números como “mistos”. Segundo a instituição, os lançamentos vieram 8% acima das estimativas, enquanto o desempenho de vendas dos novos projetos foi sólido, com 43% das unidades comercializadas no trimestre.
No entanto, o banco ponderou que as vendas líquidas ficaram 13% abaixo das projeções, impactadas principalmente pela performance inferior ao esperado da comercialização de estoque existente.
“Embora o cenário macroeconômico permaneça desafiador e as perspectivas para o segmento residencial de média e alta renda estejam mais incertas, mantemos nossa recomendação outperform, apoiada pelo valuation atrativo e pela potencial venda do Esther Towers como um importante catalisador para o papel”, afirmou o BBA.
O preço-alvo para as ações é de R$ 18, o que indica potencial de valorização de aproximadamente 41%.
