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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
01/10/2026
5 min

Fábrica de R$ 70 milhões em Brasília vai produzir medicamentos contra câncer e tratamentos complexos

Com mais de 2.000 m², quatro salas limpas e 100 funcionários, operação nasce para produzir medicamentos injetáveis, incluindo oncológicos, e prevê faturar até R$ 500 milhões ao ano

Fábrica de R$ 70 milhões em Brasília vai produzir medicamentos contra câncer e tratamentos complexos

Uma nova fábrica de medicamentos estéreis chega ao mercado brasileiro com investimento de R$ 70 milhões. A proposta é produzir remédios injetáveis de alta complexidade, incluindo tratamentos oncológicos. Chamada Oura Pharma, a operação será inaugurada em 15 de outubro, em Brasília, com uma estrutura de mais de 2.000 m² e mais de 100 funcionários.

Criada pelos empreendedores Eilson Studart e Flávia Ribeiro, a companhia prevê iniciar a operação com faturamento próximo de R$ 10 milhões por mês e alcançar, no longo prazo, uma receita anual de R$ 500 milhões na unidade. 

"A gente montou uma estrutura muito similar à indústria farmacêutica, que hoje é o nosso maior diferencial", afirma Flávia Ribeiro, diretora técnica da empresa.

Como funciona a fábrica de medicamentos estéreis

A Oura Pharma nasce focada em uma categoria diferente das farmácias de manipulação tradicionais. Enquanto essas operações costumam produzir medicamentos como cápsulas, cremes e fórmulas personalizadas, a nova empresa trabalha com medicamentos estéreis, produzidos em ambientes controlados e destinados principalmente a aplicações injetáveis.

A estrutura conta com quatro salas limpas, ambientes projetados para reduzir riscos de contaminação durante a fabricação, além de sistemas de controle de temperatura, pressão e filtragem do ar. A planta também possui equipamentos para produção de água utilizada nos medicamentos e sistemas de rastreabilidade por lote.

O investimento foi concentrado principalmente na infraestrutura e nos equipamentos. Entre os itens de maior peso estão o sistema HVAC, responsável pelo controle da pureza do ar, máquinas de produção e equipamentos específicos para tratamento de água.

"A principal contaminação das grandes farmácias é por pessoas. Então quanto mais máquina a gente tiver, menor o risco de contaminação do produto", afirma Flávia.

A fábrica também foi projetada para receber médicos, hospitais e outros clientes. A operação terá áreas de visitação e estruturas que permitem acompanhar parte do processo produtivo.

O modelo de negócio será voltado para empresas e profissionais de saúde. A companhia não venderá diretamente ao consumidor final, mas atenderá médicos, clínicas, hospitais e planos de saúde mediante prescrição. 

Eilson Studart, CEO, e Flávia Ribeiro, diretora técnica da Oura Pharma: empreendedores unem experiência em negócios e manipulação farmacêutica para criar operação de alta complexidade (Oura Pharma/Divulgação)

Quais medicamentos serão produzidos pela nova operação

O foco da empresa está na produção de medicamentos sintéticos de alta complexidade. Entre os produtos previstos estão hormônios, implantes, colírios, vitaminas, minerais, medicamentos veterinários e terapias oncológicas.

Um dos medicamentos citados pelos sócios é a ciclofosfamida, utilizada em tratamentos contra câncer de mama. Segundo Eilson Studart, a empresa pretende produzir esse tipo de medicamento dentro da nova estrutura.

A estratégia é ocupar um espaço entre as farmácias de manipulação tradicionais e as grandes indústrias farmacêuticas. Segundo os empreendedores, hoje os medicamentos de alta complexidade são concentrados principalmente nas indústrias, enquanto as farmácias magistrais trabalham com estruturas menores.

"Hoje quem trabalha com medicamentos de alta complexidade são as indústrias. A gente já nasce diferente porque não tem esse concorrente hoje no mercado", afirma Flávia.

A estrutura foi construída para ampliar o catálogo de produtos. Enquanto muitas farmácias de manipulação estéril operam com uma ou duas salas limpas, a Oura terá quatro ambientes independentes para produção.

Quem são os empreendedores por trás da fábrica

A criação da Oura Pharma reúne dois empresários com trajetórias diferentes.

Eilson Studart construiu sua carreira no setor de alimentação. Ele foi sócio da rede Coco Bambu por 16 anos e vendeu sua participação em 2024. Depois disso, criou a SIX Wowness, rede premium de academias voltada para saúde, performance e longevidade— e com as mensasilidades mais caras do Brasil.

Durante o período à frente da academia, Studart passou a se aproximar mais do setor médico, principalmente por meio dos clientes da rede, formados por profissionais como endocrinologistas e nutrólogos. A experiência abriu caminho para uma nova frente de negócios na área de saúde.

Flávia Ribeiro já tinha uma trajetória nosetor farmacêutico. Ela é fundadora da Quality, rede de farmácias de manipulação convencional com atuação em Brasília.

A empresária conta que estudava o mercado de manipulação estéril havia mais de dez anos, mas que o tamanho do investimento e a complexidade operacional eram barreiras para tirar o projeto do papel.
"Ele pegou na minha mão e falou: bora juntos que nós damos conta", afirma Flávia sobre o convite de Studart para desenvolver a nova empresa.

Antes da construção da fábrica, os sócios visitaram operações internacionais para buscar referências, incluindo a Fagron, empresa global de manipulação farmacêutica, nos Estados Unidos.

Por que Brasília foi escolhida para a operação

A fábrica foi instalada em Brasília pela localização estratégica para atender diferentes regiões do país.

Segundo os sócios, a posição permite uma logísticaaérea capaz de alcançar diferentes mercados brasileiros.

A distribuição será feita por empresas credenciadas, com cuidados específicos para transporte, conservação e embalagem dos medicamentos.

A companhia também pretende operar sob demanda. Os produtos serão fabricados a partir de pedidos médicos, sem produção em estoque, seguindo as normas regulatórias.

"A gente não pode produzir em larga escala sem receita. A gente está preparado para produzir escala, mas a partir de receitas emitidas e seguindo toda a normativa", afirma Studart.

Qual é a expectativa de crescimento da empresa

A previsão inicial dos sócios é começar a operação com faturamento de aproximadamente R$ 10 milhões por mês. Com a ampliação do portfólio, especialmente com medicamentos oncológicos e novos produtos, a expectativa é alcançar uma receita entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões mensais, chegando a cerca de R$ 500 milhões por ano.

A empresa também aposta na expansão da demanda por tratamentos personalizados e medicamentos de maior complexidade.

"É um produto que não tem no Brasil. Vai ajudar a baixar o custo das medicações, dar acesso mais rápido ao médico e fazer algo que ninguém está fazendo", diz Studart.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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