Fabricante gaúcha de fechaduras investe R$ 150 milhões em logística para alcançar o primeiro bilhão

Uma das maiores fabricantes de fechaduras do Brasil, a Soprano prepara um novo ciclo de crescimento. A companhia gaúcha anunciou um plano de investimentos de R$ 150 milhões para os próximos cinco anos, com foco em expansão logística, automação e ampliação industrial, em uma estratégia que tem como objetivo levar a empresa a ultrapassar R$ 1 bilhão em faturamento em 2026.
O projeto prevê a criação de 200 empregos diretos, a abertura de dois novos centros de distribuição no Sul do país e a duplicação da capacidade de armazenagem.
Fundada em 1954, em Farroupilha, na Serra Gaúcha, a 112 quilômetros de Porto Alegre, a companhia possui mil funcionários, mais de 4 mil produtos no portfólio e atua em quatro frentes de negócios: fechaduras e ferragens, materiais elétricos, componentes para móveis, utilidades térmicas e refrigeração. Hoje, a divisão de fechaduras e materiais para construção responde por mais da metade da receita do grupo.
O investimento marca também uma nova fase na história da empresa. Há cerca de um ano, a Soprano passou a ser comandada por Cyro Gazola, executivo com passagens por multinacionais como Procter & Gamble, Philips e Mondelez, além de experiências como CEO em companhias controladas por fundos de investimento.
"A Soprano tem uma longa trajetória e uma posição relevante no mercado brasileiro. O que estamos construindo agora é a base para o próximo ciclo de crescimento da companhia", afirma Gazola.
O desempenho é resultado de uma estratégia que passa por revisão de portfólio, fortalecimento comercial e maior proximidade com os clientes, tema que Gazola afirma ter colocado no centro das decisões desde que assumiu a liderança da empresa.
A logística como diferencial competitivo
A maior parte dos recursos anunciados será destinada à transformação da operação logística.
A companhia construirá dois novos centros de distribuição, um em Caxias do Sul (RS) e outro em Navegantes (SC). A nova estrutura permitirá dobrar a capacidade de armazenagem e aproximar estoques dos principais mercados consumidores do país.
O centro catarinense terá 10 mil metros quadrados de área e sua localização foi escolhida por sua proximidade com importantes corredores logísticos e portos utilizados pela empresa.
"Para ser competitivo hoje, é preciso ter uma malha logística eficiente. Estamos investindo para estar mais próximos dos clientes e dos principais centros consumidores", afirma Gazola.
Cyro Gazola, CEO da Soprano: executivo assumiu o comando há um ano e lidera o plano de expansão de R$ 150 milhões (Soprano/Divulgação)
A mudança busca reduzir prazos de entrega, aumentar a disponibilidade de produtos e melhorar o atendimento a mercados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Além da logística, parte do investimento será direcionada à ampliação da unidade industrial de Farroupilha, especialmente na produção de fechaduras e componentes metálicos.
Um negócio que vai além das fechaduras
Embora seja conhecida nacionalmente pelas fechaduras, a Soprano se tornou uma empresa multinegócios ao longo das últimas décadas.
Hoje, além da divisão MatCon — responsável por fechaduras, ferragens e materiais elétricos — a companhia atua nos segmentos de componentes para móveis, utilidades térmicas e refrigeração, por meio da marca Friven.
A empresa está entre as maiores fabricantes de fechaduras do país e também figura entre os principais fornecedores brasileiros de componentes elétricos.
Segundo Gazola, a estratégia é continuar fortalecendo todas as unidades de negócio, sem depender de um único segmento para crescer.
"Os R$ 150 milhões reforçam nosso compromisso com o crescimento da companhia como um todo. Não estamos investindo em apenas uma divisão, mas preparando as quatro unidades de negócios para a próxima etapa de expansão", afirma.
Quais serão os próximos passos da Soprano
Outro foco da nova gestão é ampliar a presença internacional da companhia.
Hoje, as exportações representam entre 5% e 10% da receita, concentradas principalmente nos países do Mercosul. Para o CEO, há espaço para ampliar essa participação nos próximos anos.
"Essa é uma das grandes oportunidades que temos. Já atendemos os países do Mercosul, mas existe espaço para ampliar nossa presença em toda a América do Sul", afirma.
A empresa mantém há mais de duas décadas uma estrutura própria em Xangai, na China, responsável pelo relacionamento com fornecedores, desenvolvimento de produtos e apoio às operações internacionais.
Com o novo investimento e a reorganização da operação, a meta é transformar a eficiência logística e a proximidade com os clientes em alavancas para sustentar uma nova fase de crescimento — e levar uma empresa fundada há 72 anos na Serra Gaúcha ao mercado internacional.
