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Sacre Investimentos
TecnologiaBDR
10/08/2026
3 min

Fabricar o iPhone 18 ficará 38% mais caro; Apple planeja absorver margem para segurar preços

Componente que representava 10% do custo de produção há um ano deve passar de 40% em 2027, segundo a TrendForce

Fabricar o iPhone 18 ficará 38% mais caro; Apple planeja absorver margem para segurar preços

O custo de fabricação do próximo iPhone vai subir cerca de 38% em relação ao modelo do ano passado, segundo projeção da consultoria TrendForce. A estimativa considera a versão de 256 GB do iPhone 18 Pro, previsto para o terceiro trimestre de 2026, e tem uma causa única: a disparada no preço dos chips de memória, puxada pela demanda por inteligência artificial.

O dado mais revelador é como a estrutura de custo de um celular se inverteu. Há um ano, a memória representava cerca de 10% do custo total dos componentes de um iPhone Pro. No terceiro trimestre deste ano, deve chegar a 34%, e a consultoria projeta que ultrapasse 40% no primeiro semestre de 2027. É uma mudança de natureza: até aqui, o processador e a tela eram os itens mais caros de um smartphone. Agora, a memória assume esse posto.

A origem do problema está fora do mercado de celulares. Os fabricantes de memória, liderados por Samsung, SK Hynix e Micron, redirecionaram capacidade produtiva para a HBM, a memória de alta largura de banda usada nos aceleradores de IA, que rende margens muito superiores. O resultado é escassez para todos os outros compradores. Os preços de memória subiram entre cinco e sete vezes desde o início de 2025.

Apple deve absorver parte da conta

Segundo a TrendForce, a Apple deve repetir com o iPhone a estratégia usada nos últimos lançamentos de MacBook: abrir mão de parte da margem bruta para suavizar o aumento no preço final, preservando volume de vendas e participação de mercado. A empresa também pode reajustar modelos antigos junto com a chegada da nova geração, diluindo o impacto ao longo da linha.

O movimento já era esperado. O presidente-executivo Tim Cook, em um dos seus atos finais antes de deixar o posto, havia sinalizado que a companhia elevaria valores por causa da escassez, e a Apple aumentou os preços de Macs, iPads e outros produtos sem mexer, até aqui, no iPhone. A pressão apareceu no último balanço, quando a ação caiu apesar da receita recorde, com investidores atentos justamente ao custo dos insumos.

O golpe maior vem para o Android

Se a Apple, com a maior rentabilidade do setor, sente o aperto, a situação das concorrentes é pior. As fabricantes de Android têm margens menores e, por isso, precisarão repassar uma fatia maior do aumento ao consumidor, com reajustes mais severos que os do iPhone.

O ponto mais crítico está nos aparelhos de entrada e intermediários, segmentos que já operam com margens apertadas e não têm folga para absorver custos. A TrendForce avalia que algumas marcas podem ser obrigadas a promover aumentos substanciais de preço ou simplesmente descontinuar linhas que passaram a operar com margem bruta negativa, ou seja, dando prejuízo a cada unidade vendida.

O efeito agregado deve ser uma queda na produção global de smartphones do segundo semestre de 2026 até 2027, à medida que os preços mais altos reduzem a demanda. No Brasil, onde o iPhone 17 Pro de 256 GB foi lançado a R$ 11.499, a conta chega em camada dupla: à inflação global do componente, cotada em dólar, soma-se a variação cambial.

AutorAndré Lopes
FonteExame
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