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30/09/2026
5 min

Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral

Banco monta três carteiras para diferentes desfechos das eleições, com apostas em juros menores, dividendos e exposição internacional; veja as empresas selecionadas

Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral

A eleição presidencial ainda está em aberto, mas o JP Morgan já separou suas apostas na bolsa para os diferentes caminhos que o Brasil pode seguir depois das urnas. Em relatório divulgado na terça-feira (29), o banco apresentou três carteiras de ações: uma para um cenário otimista, outra para um cenário pessimista e uma terceira para qualquer desfecho eleitoral.

A divisão tem como principal referência o rumo da política fiscal e seus efeitos sobre os juros e a confiança dos investidores. No cenário favorável, reformas fiscais abririam espaço para a queda das taxas de longo prazo. No negativo, a ausência de reformas manteria os juros elevados e a confiança mais baixa. O relatório não associa essas carteiras a candidatos específicos.

De incorporadoras a fabricantes de aeronaves, a lógica é identificar quais companhias podem se beneficiar de cada ambiente — e quais têm motores de crescimento menos dependentes do resultado da disputa.

As ações para o cenário otimista segundo o JP Morgan

Se uma mudança na política fiscal provocar uma queda dos juros de longo prazo, o banco vê espaço para uma valorização das ações de shoppings. Iguatemi (IGTI11), Multiplan (MULT3) e Allos (ALOS3), nessa ordem, são as preferidas do banco.

Segundo os analistas, essas empresas negociam a múltiplos descontados, apesar de apresentarem portfólios resilientes, crescimento das vendas e dos aluguéis em lojas estabelecidas e taxas de ocupação entre 96% e 97%.

Entre as incorporadoras, Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) aparecem como as principais beneficiárias de uma melhora da confiança. Juros futuros e custo de capital menores facilitam a compra de imóveis e sustentam a demanda de média e alta renda.

O banco também aponta os empreendimentos corporativos como possíveis catalisadores de curto prazo: na Cyrela, a potencial venda do Pininfarina, já locado ao Nubank; na Eztec, a locação integral do Esther Towers ao Itaú (ITUB4).

A MRV (MRVE3) completa as apostas do segmento. Sua alavancagem elevada, com dívida líquida superior a 110% do patrimônio líquido, aumenta o potencial de benefício com juros menores. O banco acredita que a companhia pode superar o desempenho do setor nesse cenário, embora ainda fique atrás das duas primeiras construtoras citadas no cenário.

Já em autopeças, as escolhas são Randoncorp (RAPT4) e Frasle Mobility (FRAS3), pela exposição ao mercado doméstico e aos veículos pesados. RAPT4 também se beneficiaria de um alívio nas despesas financeiras: sua dívida líquida equivale a 3,2 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Para a Frasle Mobility, o relatório cita ainda um possível aumento do otimismo em relação a uma operação de fusão ou aquisição. O JP Morgan recentemente rebaixou a ação para venda.

As ações para caso 'dê ruim' após as eleições

Se o país seguir sem reforma fiscal, com juros elevados e menor confiança dos investidores, o banco muda suas preferências dentro do setor imobiliário. Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), nessa ordem, são as escolhas entre as incorporadoras.

A avaliação é que o segmento de baixa renda continua favorecido pelo suporte do Minha Casa, Minha Vida. Possíveis melhorias no programa, como juros menores e tetos mais altos para os preços dos imóveis, também podem beneficiar essas empresas.

No setor de autopeças, Tupy (TUPY3) e Iochpe-Maxion (MYPK3) se destacam pela exposição aos mercados externos. Essa característica reduz a dependência do crescimento brasileiro e permite que as companhias se beneficiem de uma desvalorização do real.

Marcopolo (POMO4) e Mahle Metal Leve (LEVE3) também entram na carteira pessimista, mas por outro motivo: os dividendos. Apesar da exposição ao mercado doméstico, o banco destaca dividend yields de 11% e 10%, respectivamente.

Faça chuva ou faça sol, estas são as ações para qualquer cenário

Para atravessar diferentes desfechos eleitorais, as escolhas do banco norte-americano são Embraer (EMBJ3) e WEG (WEGE3). A exposição internacional é o ponto em comum, mas a tese também se apoia nas perspectivas de expansão dos negócios.

No caso da Embraer, o banco espera um impacto pequeno das eleições, já que a operação é quase inteiramente dolarizada e tem exposição limitada a clientes brasileiros. A fabricante conta ainda com uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões, além de crescimento de receitas e margens.

Para a WEG, os destaques são a expansão da produção das fábricas de transformadores — com expectativa de US$ 1,7 bilhão em receitas adicionais até 2028 — e a adoção de sistemas de armazenamento de energia em baterias no Brasil.

Na avaliação dos analistas, essas frentes devem sustentar um crescimento de dois dígitos nas receitas nos próximos dois anos e apoiar as margens. A ressalva é o câmbio: uma valorização significativa do real pode levar a ação da WEG a apresentar desempenho inferior ao mercado, embora o banco considere esse cenário pouco provável.

As urnas não eliminam os riscos para 2027

Mesmo com as carteiras desenhadas, os analistas ressaltam que as perspectivas para 2027 permanecem incertas, independentemente do vencedor.

O relatório aponta riscos de inflação, juros reais elevados, preocupações com o déficit fiscal após os aumentos de gastos aprovados nas últimas semanas, desaceleração do crescimento e deterioração do ciclo de crédito.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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