Falta apenas 5% para EUA e Irã fecharem acordo, diz analista

O acordo negociado entre Estados Unidos e Irã está praticamente concluído, mas os pontos faltantes são os mais difíceis, avalia Alex Vatanka, membro sênior do think tank Middle East Institute.
Em um seminário virtual, Vatanka disse considerar que "95% do acordo já está feito", mas que esses seriam os "95% fáceis, e que os 5% difíceis ainda estão em aberto."
Entre esses tópicos que compõem a reta final para um acordo de paz estão pautas sensíveis, em especial o programa nuclear iraniano, que serviu de estopim para as hostilidades; a reabertura de Ormuz, que se tornou o ponto focal do conflito; e o fim do bloqueio naval americano em portos iranianos.
Apesar disso, um acordo mais concreto é considerado iminente pelas lideranças envolvidas.
"Eu não vejo divergências no Irã em termos das facções sobre para onde ir a partir daqui. Praticamente todas queriam a trégua. Mas agora, conforme nos aproximamos do cessar-fogo, de repente, e isso me surpreende, estamos vendo uma luta interna já se formando. Isso, por si só, aliás, devo ressaltar, sugere que um acordo é visto em Teerã como muito provável. E agora a política [do pós-guerra] tomou conta de Teerã", disse Vatanka.
Seus comentários realçam disputas pela liderança após a morte do aiatolá Ali Khamenei no começo do conflito, à medida que o seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, se afasta de aparições públicas e pronunciamentos, passando uma imagem de uma autoridade fragilizada, dividida entre reformistas e políticos de linha dura.
Inadvertidamente, isso pode minar progressos nas negociações, tendo o efeito oposto do desejado, que seria o fim das hostilidades, avalia Vatanka.
"Se essa questão das negociações entre os EUA e o Irã de repente tiver que levar em conta a política interna em Teerã e a luta pela transição em curso, agora que Ali Khamenei deixou o poder [...] essa diplomacia com os Estados Unidos pode se tornar uma moeda de troca política e, isso, para mim, não é necessariamente um bom sinal e pode ser um fator negativo."
Conversas no fim de semana
No fim de semana, o presidente americano, Donald Trump, reuniu os líderes de diversos países do Golfo Pérsico e seus respectivos ministros de Relações Exteriores em uma chamada de vídeo, na qual debateram as negociações de paz.
Durante esse encontro, avalia Barbara Leaf, ex-secretária-assistente para o Oriente Médio no Departamento de Estado, na gestão de Joe Biden, os temas-chave foram um cessar-fogo completo de 60 dias, durante o qual o bloqueio americano de portos em Ormuz seria levantado e o estreito reaberto. Ao longo da trégua, negociações sobre oprograma nuclear iraniano seriam o centro dos debates, com a questão principal girando em torno dos cerca de 400 kg de urânio enriquecido que Teerã possui.
Além disso, Leaf reiterou que muitos tópicos não teriam sido discutidos na chamada, por exemplo a questão de proxies iranianos - grupos armados que lutam por sua ideologia no exterior, como os Houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano - o programa de drones e mísseis balísticos do Irã, a inclusão do conflito paralelo entre Israel e o Hezbollah no Líbano em termos de paz e olevantamento de sanções e descongelamento de ativos iranianos no exterior.