Falta de combustível trava expansão da energia nuclear — e esta empresa quer ocupar esse espaço

A nova corrida pela energia nuclear enfrenta um obstáculo que vai além da construção de reatores: a escassez de combustível. À medida que dezenas de empresas desenvolvem pequenos reatores modulares e microreatores para abastecer data centers, bases militares e outras instalações, cresce também a demanda por um insumo que hoje é escasso.
É nesse nicho que a americana Standard Nuclear tenta se consolidar como uma das protagonistas da nova cadeia de suprimentos do setor, segundo reportagem da Barron's.
A empresa, sediada no Tennessee, atua em uma etapa específica da produção de combustível nuclear. Em vez de minerar ou enriquecer urânio, ela compra o material já enriquecido e o transforma em pequenos pellets cerâmicos, do tamanho de uma semente de papoula, que serão utilizados pelos operadores dos reatores.
A expectativa é que esse tipo de combustível seja amplamente empregado nos small modular reactors (SMRs) e microreatores, tecnologias que prometem ampliar o uso da energia nuclear em aplicações descentralizadas. Como dezenas de companhias trabalham no desenvolvimento desses equipamentos, a previsão é de que a demanda por combustível supere, em muito, a oferta disponível atualmente.
"Há muito mais demanda do que capacidade", afirmou o CEO da Standard Nuclear, Kurt Terrani, em entrevista à Barron's. "O IPO vai nos colocar em uma posição muito, muito favorável. Já tínhamos um balanço patrimonial muito sólido antes da oferta. Agora temos ainda mais recursos."
Empresa cresce para atender um mercado ainda em formação
A Standard Nuclear acelerou sua expansão em 2024, quando adquiriu ativos de uma empresa do setor que havia declarado falência. Desde então, passou a produzir e vender combustível nuclear e foi escolhida pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos para participar do programa federal de aceleração da energia nuclear.
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Apesar do avanço, a empresa ainda registra prejuízo enquanto amplia sua estrutura. No primeiro trimestre deste ano, as perdas somaram US$ 7,7 milhões.
Segundo a Barron's, o sucesso da companhia dependerá da consolidação do mercado de pequenos reatores. Empresas como Oklo, Radiant Industries e X-Energy desenvolvem essas tecnologias e devem demandar volumes muito maiores de combustível do que os disponíveis atualmente. A X-Energy, porém, também produz pellets de combustível, tornando-se concorrente nesse segmento.
Menor entusiasmo dos investidores afetou a estreia na bolsa
Embora a Standard Nuclear seja vista como uma potencial fornecedora estratégica para essa nova indústria, o momento do mercado não favoreceu sua chegada à bolsa.
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De acordo com a Barron's, investidores reduziram o entusiasmo com empresas ligadas à nova geração de energia nuclear nos últimos meses, o que também diminuiu o interesse pela oferta pública da companhia.
A empresa levantou US$ 150 milhões em seu IPO, reduzido em relação às expectativas iniciais, com ações vendidas a US$ 15 e avaliação de aproximadamente US$ 2 bilhões. Os papéis começaram a ser negociados sob o código STDN a US$ 13,50 e encerraram o primeiro pregão cotados a US$ 12,26.