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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
10/09/2026
3 min

Family office do agro mira R$ 10 bilhões sob gestão e expansão nos EUA

Empresa atende cerca de 350 famílias ligadas ao agronegócio e aposta em asset, diversificação e novos mercados

Family office do agro mira R$ 10 bilhões sob gestão e expansão nos EUA

Em 2008, durante a crise financeira global, Gabriel Cestari percebeu que o patrimônio da própria família precisava de uma estrutura mais profissional de gestão. A experiência com negócios ligados ao agronegócio, atacado e distribuição levou à criação da Ghia Multi Family Office, em 2010, em Uberlândia (MG).

Hoje, a empresa administra cerca de R$ 5 bilhões e tem como meta chegar a R$ 10 bilhões até 2030. Com crescimento médio de 30% a 35% ao ano, a estratégia envolve ampliar a presença no Centro-Oeste, acelerar a Ghia Asset Management e avaliar uma aquisição nos Estados Unidos.

A Ghia cresceu acompanhando famílias empresárias ligadas ao agronegócio, um público que passou a buscar mais liquidez, diversificação e governança para preservar o patrimônio. A companhia atende cerca de 350 famílias, principalmente produtoras de soja, algodão, milho, cana-de-açúcar e café, além de empresários da cadeia do agro.

O patrimônio financeiro médio dos clientes está próximo de R$ 12 milhões, segundo Cestari, e o tíquete mínimo para atendimento é de R$ 5 milhões. Além da sede em Uberlândia, a empresa tem escritórios em Goiânia e Cuiabá e presença em Ribeirão Preto.

Segundo o executivo, a mudança no comportamento dessas famílias acelerou a demanda por serviços de gestão patrimonial. Depois de anos direcionando recursos para a compra de terras, produtores passaram a priorizar liquidez e diversificação, incluindo a manutenção de recursos no exterior.

“Nos últimos cinco anos, a gente captou muito mais o produtor rural dolarizando o patrimônio do que falando de governança, sucessão ou reforma tributária”, afirma.

Uma das principais apostas para alcançar os R$ 10 bilhões sob gestão é a Ghia Asset Management. A gestora administra atualmente R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 700 milhões em fundos exclusivos e R$ 520 milhões em fundos de crédito estruturado.

A meta é levar a vertical de crédito a R$ 2 bilhões até 2028, com o agronegócio representando 40% desse montante. A asset complementa a atuação do multi family office ao administrar recursos de famílias empresárias, cujos patrimônios pessoais e corporativos muitas vezes estão conectados.

Aposta no Centro-Oeste e nos EUA

A concentração histórica da Ghia em Uberlândia diminuiu com o avanço para outras regiões ligadas ao agronegócio. Até cerca de um ano e meio antes da entrevista, aproximadamente 90% dos clientes estavam na cidade. Depois, essa participação caiu para cerca de 80%.

No período, a empresa passou a captar duas vezes mais recursos fora de Uberlândia do que dentro do município. Goiânia se tornou uma das principais apostas de expansão, com expectativa de captar cerca de R$ 1 bilhão em novos recursos na cidade.

Apesar do crescimento, a Ghia estima deter apenas entre 3% e 5% do mercado nas regiões em que atua. “Quando olho a oportunidade que temos nas cidades em que estamos e o tamanho do mercado que ainda abraçamos, é muito animador”, afirma Cestari.

A estratégia de crescimento também contempla uma frente internacional. A Ghia estuda adquirir uma estrutura nos Estados Unidos para tornar mais eficiente a operação oferecida aos clientes no exterior.

Cestari não revela possíveis alvos, valores ou prazos, mas afirma que a empresa mantém conversas sobre crescimento inorgânico. Segundo ele, uma operação própria no país poderia reduzir custos para os clientes, especialmente em mercados de juros mais baixos, onde pequenas diferenças de taxas têm impacto maior sobre os retornos.

A Ghia já mantém uma parceria com a BlackRock, uma das maiores gestoras de investimentos do mundo, em sua estratégia internacional, baseada principalmente em alocação passiva e busca por custos reduzidos.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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