Farmacêutica bilionária investe US$ 25 milhões no Brasil para dobrar produção
Presente em 18 países, Adium fatura R$ 1 bilhão na operação brasileira e amplia fábrica no país para abastecer mercado interno e externo

RESUMO +
A farmacêutica Adium está investindo US$ 25 milhões no Brasil para modernizar o complexo de Pindamonhangaba e dobrar a produção nacional nos próximos cinco anos. A empresa, que faturou R$ 1 bilhão no país em 2025, também planeja multiplicar as exportações por 100 e lançar mais de 60 princípios ativos.
A farmacêuticaAdium quer dobrar sua produção no Brasil nos próximos cinco anos e transformar a operação brasileira em uma base de abastecimento para outros países da América Latina. Para isso, tem um plano de investimentos industriais de US$ 25 milhões (R$ 124 milhões na cotação atual) entre 2024 e 2026, concentrado no complexo de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.
O movimento acompanha a expansão de um negócio que faturou R$ 1 bilhão no Brasil em 2025. Presente em 18 países latino-americanos, a companhia combina medicamentos próprios com produtos licenciados de farmacêuticas internacionais. Sua atuação vai de remédios vendidos sem receita a tratamentos para câncer e doenças raras.
“O que a gente almeja é dobrar o volume de produção nos próximos cinco anos”, afirma Hélio Segouras, gerente-geral da Adium Brasil.
A ampliação da fábrica é uma parte da estratégia. A empresa também prepara lançamentos e pretende aumentar as exportações, hoje descritas pelo executivo como uma operação ainda embrionária.
Quem é a farmacêutica que faturou R$ 1 bilhão no Brasil
Fundada em 1975 por um médico argentino, a Adium construiu sua atuação com foco na América Latina. O grupo emprega mais de 7.300 pessoas e mantém centros produtivos na Argentina, no Brasil, no México, no Paraguai e no Uruguai.
A operação brasileira começou em 1991, sob a marca Zodiac Produtos Farmacêuticos, com 10 funcionários e foco na comercialização de medicamentos licenciados. Em 2023, passou a adotar o nome Adium, alinhando a identidade local à do grupo.
Hoje, são aproximadamente 850 funcionários no país, distribuídos entre o escritório em São Paulo, o complexo industrial e as equipes que atuam em diferentes regiões. O portfólio brasileiro reúne mais de 40 princípios ativos — as substâncias responsáveis pelo efeito dos medicamentos.
Entre as marcas estão Pyridium, Condroflex e Prebictal, além de tratamentos oncológicos como Libtayo e Eligard. Essa combinação de produtos de uso mais difundido com terapias especializadas também aparece na distribuição das vendas: segundo Segouras, metade do negócio brasileiro está no canal de farmácias e a outra metade, no mercado institucional, que abrange hospitais, clínicas e compradores públicos e privados.
Para atender essas duas frentes, a companhia estruturou cinco unidades de negócio, voltadas a medicamentos sem receita, sistema nervoso central, urologia e dor, doenças raras e oncologia. A divisão busca dar equipes e estratégias específicas a mercados com compradores e formas de contratação diferentes.
Expansão industrial: Adium prevê US$ 25 milhões em investimentos no Brasil e quer dobrar a produção em cinco anos. (Adium/Divulgação)
Onde serão aplicados os US$ 25 milhões
O investimento industrial brasileiro integra um plano regional de US$ 165 milhões destinado à capacidade produtiva, inovação e desenvolvimento de negócios na América Latina.
Em Pindamonhangaba, a empresa inaugurou uma nova linha de produção em outubro de 2025. O complexo também abriga, desde 2024, uma área de pesquisa e desenvolvimento que trabalha em produtos para o mercado brasileiro e para outros países.
Segundo Segouras, os recursos são direcionados à expansão e à modernização da fábrica, com equipamentos e melhorias para elevar a eficiência. O valor de US$ 25 milhões, explica, se refere à frente produtiva e não abrange todo o investimento em inovação previsto pela companhia.
A meta é fazer o volume exportado crescer cerca de 100 vezes nos próximos cinco anos. Como a base atual é pequena, o salto projetado representa sobretudo uma mudança de função da operação brasileira: além de atender à demanda doméstica, ela deverá ganhar espaço no fornecimento para outros mercados da região.
“Nos próximos cinco anos, a tendência é que a gente multiplique por 100 a nossa exportação”, diz o executivo.
Quais são as outras frentes de crescimento
No recorte trimestral mais recente apresentado pela Adium, a companhia cresceu 17%, ante os 10% da média de empresas do setor. A comparação inclui os medicamentos da classe GLP-1, que reúne as conhecidas canetas usadas no tratamento de diabetes e obesidade. Excluída essa classe, o crescimento do mercado foi de 8,1%.
A Adium participa desse negócio em outros países latino-americanos por meio de um acordo com a Eli Lilly. Nesses mercados, importa e comercializa as canetas produzidas pela parceira. No Brasil, não atua nessa comercialização.
O avanço local veio de outras especialidades. A área de sistema nervoso central, que inclui tratamentos ligados à saúde mental, cresceu mais de 50%, diante de 16,1% do mercado correspondente. Em oncologia, a expansão superou 20%.
Os medicamentos sem receita avançaram 14%, enquanto o mercado cresceu entre 7% e 8%. Na área de dor, a Adium registrou alta de 11,6%, contra 3,6% do segmento.
Outro indicador mostra o avanço nas vendas institucionais. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, a companhia cresceu 16,1% nesse canal, ante 9,1% do mercado, segundo dados da IQVIA divulgados pela empresa. Entre os produtos que contribuíram para o desempenho estavam tratamentos oncológicos e medicamentos utilizados no cuidado de problemas articulares.
Quais medicamentos estão nos planos de expansão
Segouras diz que a Adium pretende acrescentar mais de 60 princípios ativos ao portfólio brasileiro nos próximos cinco anos. Parte dos produtos será desenvolvida pela própria estrutura de pesquisa da companhia.
Além das especialidades em que já atua, a empresa prepara sua entrada na área cardiometabólica, que reúne tratamentos relacionados ao coração e ao metabolismo, incluindo condições como diabetes e obesidade. “Nós não vamos entrar com canetas em um primeiro momento”, afirma Segouras.
A intenção é ampliar a presença da empresa em uma área que ainda não integra sua atuação brasileira, somando-a aos negócios de oncologia e sistema nervoso central. O plano combina dois caminhos.
Pelo desenvolvimento próprio, a Adium amplia a carteira ligada à sua estrutura industrial. Pelos licenciamentos, obtém de outras farmacêuticas os direitos de comercializar medicamentos em mercados da região. Esse modelo permite que empresas internacionais utilizem a operação local da Adium para levar seus produtos aos compradores brasileiros.
A expansão também envolve mudanças na forma de negociar com os compradores. Em 2026, a Adium firmou um acordo de compartilhamento de risco com o A.C.Camargo Cancer Center para um tratamento de câncer de pulmão. A parceria associa o fornecimento do medicamento à responsabilidade pelos resultados do tratamento.
Nesse tipo de contrato, fornecedor e instituição estabelecem critérios clínicos previamente. Se os resultados previstos não forem alcançados, a farmacêutica pode assumir parte do custo, conforme as condições negociadas. O A.C.Camargo já utiliza essa lógica em acordos com a indústria.
Para a Adium, a iniciativa acrescenta uma ferramenta comercial ao negócio de terapias especializadas. O objetivo é facilitar a contratação ao dividir com o comprador parte da incerteza financeira associada ao tratamento.
A estratégia brasileira reúne, assim, expansão industrial, novos medicamentos e diferentes formas de acesso ao mercado. É também uma peça do plano regional: segundo Segouras, o grupo pretende alcançar a liderança farmacêutica na América Latina em um horizonte de cinco a 10 anos.
