Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
06/09/2026
6 min

Farmacêutica italiana investe R$ 124 milhões para ampliar fábrica no Brasil e chegar ao bilhão

Chiesi vai ampliar unidade em Santana de Parnaíba, elevar capacidade para 25 milhões de unidades anuais e produzir no país inaladores com pegada de carbono até 90% menor

Farmacêutica italiana investe R$ 124 milhões para ampliar fábrica no Brasil e chegar ao bilhão

Aos 50 anos de operação no Brasil, a farmacêuticaitaliana Chiesi decidiu ampliar a aposta no país. A companhia está investindo R$ 124 milhões na fábrica de Santana de Parnaíba, na grande São Paulo, para aumentar a produção e trazer ao mercado brasileiro uma nova geração de inaladores em spray usados por pacientes com asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a DPOC.

Na prática, são as conhecidas “bombinhas”. Além do medicamento, esses dispositivos precisam de um gás propelente para expelir a dose e levá-la às vias respiratórias. É justamente esse componente que a Chiesi pretende substituir. O atual HFA 134a dará lugar ao HFA 152a, que, segundo a empresa, permite reduzir em até 90% a pegada de carbono do produto sem alterar sua eficácia terapêutica.

O projeto começou em 2026 com obras civis e deverá avançar com a instalação de novas máquinas e processos industriais. Ruggiero afirma que o investimento continuará nos próximos anos até que a nova estrutura esteja concluída e passe pelas etapas regulatórias necessárias antes de colocar os produtos no mercado.

A capacidade da unidade deverá saltar de 15 milhões para 25 milhões de unidades por ano, um avanço de quase 67%. A ampliação ocorre enquanto a operação brasileira cresce em ritmo de dois dígitos e tenta alcançar um novo patamar de receita. A Chiesi faturou R$ 690 milhões no país em 2025 e estabeleceu a meta de chegar a R$ 1 bilhão até 2030.

Por que investir R$ 124 milhões no Brasil

A fábrica que agora receberá o novo aporte acompanha a Chiesi praticamente desde o início de sua história brasileira. A subsidiária foi criada em 1976 e foi a primeira operação do grupo fora da Itália. Segundo Ruggiero, a companhia adquiriu na época um pequeno laboratório que já possuía uma unidade fabril. O local foi modernizado sucessivamente e se transformou em um dos centros produtivos da farmacêutica.

Hoje, dali saem medicamentos destinados não apenas aos pacientes brasileiros, mas também a mercados internacionais. A fábrica produz inaladores para asma e DPOC que chegam a países europeus e do Oriente Médio.

O novo projeto amplia essa função. Dos R$ 124 milhões, uma parte será destinada às obras para aumentar a estrutura física e outra à instalação das máquinas e processos necessários para fabricar os inaladores com o novo propelente.

“Não é só um investimento da fábrica para ampliar o volume, fazer mais produção e abastecer vários mercados. É também trazer para o Brasil uma tecnologia totalmente nova”, afirma Ruggiero.

A tecnologiafaz parte da estratégia climática do grupo. Os inaladores em spray representam atualmente 70% das emissões de gases de efeito estufa da Chiesi. A companhia estabeleceu a meta de zerar as emissões em toda a cadeia até 2035.

Marco Ruggiero, presidente da Chiesi Brasil: operação brasileira cresce dois dígitos e ganha espaço na estratégia global do grupo (Chiesi Brasil/Divulgação)

Para onde irão os 10 milhões de unidades adicionais

A expansão não foi desenhada apenas para atender a uma demanda que existe hoje. Parte da nova capacidade é uma aposta no crescimento do mercado brasileiro e na ampliação das exportações.

Ruggiero diz que a operação brasileira vem crescendo dois dígitos ao ano e que a companhia pretende manter esse ritmo. Ao mesmo tempo, a Chiesi quer produzir localmente itens que hoje ainda precisa trazer de outras unidades do grupo.

O objetivo é ser autônomo”, afirmou o executivo. A estratégia passa por concentrar no Brasil a fabricação do portfólio destinado ao mercado local e, a partir daí, atender também outros países.

Com a expansão, o número de medicamentos produzidos na unidade deve passar de 11 para 19. A estimativa é que aproximadamente 31% da produção da fábrica seja destinada ao exterior.

A lista de destinos também deverá crescer. Além dos mercados já atendidos na Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania, a companhia pretende usar o Brasil como base para ampliar o fornecimento à América Latina, incluindo países como México e Colômbia.

“Temos um projeto de ser ponto de referência aqui no Brasil para a América Latina”, disse Ruggiero.

Como a empresa pretende chegar a R$ 1 bilhão

A fábrica é uma peça da estratégia, mas não é a única responsável pela meta de levar o faturamento brasileiro a R$ 1 bilhão até 2030.

A Chiesi atua principalmente em doenças respiratórias, além de áreas como neonatologia e doenças raras. No segmento respiratório, seus medicamentos são vendidos em farmácias e também distribuídos por programas e instituições públicas.

Segundo Ruggiero, uma das avenidas para o crescimento está justamente no aumento do acesso pelo sistema público de saúde. A companhia passou a fornecer uma de suas terapias respiratórias pelo SUS após o processo de incorporação e já participa há anos do Farmácia Popular.

A lógica é ampliar o universo de pacientes além daqueles que conseguem adquirir os medicamentos diretamente no varejo. A Chiesi diz ter tratado 4,6 milhões de pessoas no Brasil em 2025, crescimento de 20% sobre o ano anterior.

O Brasil já está entre os sete maiores mercados da companhia no mundo. Ruggiero evita, porém, estabelecer uma posição específica para o país no ranking global até 2030. Segundo ele, o avanço depende não apenas do tamanho da população, mas também da evolução dos gastos em saúde e das políticas públicas de cada mercado.

Quem comanda a expansão brasileira

Ruggiero chegou ao Brasil em janeiro de 2024 depois de passar seis anos comandando a subsidiária mexicana. Italiano, ele está há 18 anos na Chiesi e construiu parte da carreira dentro da própria farmacêutica.

Formado em economia e administração de empresas pela Universidade de Parma, Ruggiero passou anteriormente pela Nestlé e entrou na Chiesi em 2008, na Itália. Dentro do grupo, atuou em áreas como finanças, marketing e operações antes de assumir a gestão de negócios.

Em 2018, mudou-se com a família para o Méxicopara liderar a operação local. Seis anos depois, recebeu a missão de comandar a principal subsidiária da companhia na América Latina.

Hoje, a Chiesi emprega 400 pessoas no Brasil, considerando fábrica, escritório e força de vendas. Destas, 263 trabalham no escritório ou na equipe comercial e as demais estão ligadas principalmente à operação industrial.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
Distribuído por