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24/09/2026
5 min

Farmácias caem até 8% na Bolsa após Mercado Livre anunciar venda de remédios

As ações de RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PNVL3) e Panvel (PNVL3) despencaram nesta quinta-feira, 24

Farmácias caem até 8% na Bolsa após Mercado Livre anunciar venda de remédios
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A plataforma de comércio eletrônico Mercado Livre começará a vender medicamentos com receita nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, incluindo antibióticos e canetas para emagrecimento como Ozempic. O anúncio derrubou na quinta-feira, 24, as ações das redes de farmácias RD Saúde, Pague Menos e Panvel, diante do receio de maior pressão sobre margens e canais digitais.

A entrada do Mercado Livre na venda de medicamentos com receita adicionou uma nova frente de pressão sobre as redes de farmácias brasileiras. As ações de RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PNVL3) e Panvel (PNVL3) despencaram nesta quinta-feira, 24, após a companhia anunciar que começará a vender medicamentos sob prescrição, incluindo antibióticos e canetas para emagrecimento, como Ozempic.

Os papéis da RD Saúde fecharam em baixa de 5,38%, a R$ 18,45, a segunda maior queda do Ibovespa. Pague Menos (PGMN3) recuou 8%, a R$ 3,45, depois de chegar a cair mais de 10% após o anúncio. Já Panvel (PNVL3) caiu 4,90%, a R$ 12,43.

O anúncio foi feito durante a 10ª edição do Meli Experience, evento do Mercado Livre realizado nesta quinta, em São Paulo. Já a partir de amanhã consumidores poderão enviar a receita médica para análise de um farmacêutico da própria operação antes da liberação da compra.

"Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios. Além disso, a taxa de conversão de medicamentos é muito maior quando comparada aos demais produtos", afirmou Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil.

Inicialmente, a operação ficará concentrada em São Paulo e poderá contar com entregas em até uma hora nas regiões atendidas pela logística da companhia.

Mas a ambição vai além da venda direta de medicamentos. O Mercado Livre também pretende colocar farmácias tradicionais dentro de seu marketplace. A companhia espera encerrar o ano com pelo menos três redes operando na plataforma no modelo 3P, em que os parceiros vendem diretamente ao consumidor utilizando a infraestrutura digital do Mercado Livre. As primeiras integrações devem começar em outubro na região metropolitana de São Paulo.

O movimento representa uma mudança importante para a empresa, que até agora havia avançado no setor de saúde principalmente com produtos sem prescrição, vitaminas e itens de cuidados pessoais.

A companhia começou a se preparar para entrar no mercado farmacêutico há cerca de um ano, quando comprou a Farmácia Cuidamos, no Jabaquara, em São Paulo. A aquisição permitiu ao Mercado Livre cumprir a exigência regulatória que vincula a venda online de medicamentos a uma farmácia ou drogaria aberta ao público e devidamente regulamentada.

Em 2026, a empresa iniciou um projeto-piloto de venda de medicamentos sem prescrição em alguns bairros da capital paulista. Agora, com a autorização para comercializar remédios sob prescrição e a entrada de redes parceiras, amplia sua atuação em uma categoria que considera estratégica justamente pela frequência de compra.

"Com Mercado Livre e Amazon ganhando espaço nesses segmentos, investidores passaram a questionar o potencial de margem das farmácias", afirmou Lucas Esteves, head de varejo do Santander Brasil, em entrevista à Revista EXAME, em julho.

Farmácias enfrentam nova disputa por canais de venda

A novidade desta quinta-feira adiciona uma nova variável à equação: a possibilidade de grandes plataformas digitais se tornarem também canais de venda de medicamentos que hoje passam pelas redes tradicionais.

O receio não surgiu agora. Em junho, a abertura de uma loja oficial da Novo Nordisk dentro do Mercado Livre no México já havia chamado a atenção de investidores e provocado reação negativa nas ações de farmácias brasileiras, diante do temor de que um modelo semelhante pudesse reduzir o papel das varejistas como intermediárias.

No Brasil, a Novo Nordisk também retomou em setembro a venda direta de Ozempic e Wegovy ao consumidor por meio da plataforma NovoCare Farmácia, em parceria com a AS Medicamentos. O consumidor pode escolher entre comprar diretamente pelo canal ou ser direcionado para outras redes de farmácias.

Os preços do programa NovoDia são semelhantes aos praticados nas principais redes do país. A diferença está no canal: em vez de necessariamente passar pela loja física ou pelo site de uma varejista, o consumidor pode chegar ao medicamento por uma plataforma ligada diretamente à fabricante.

O Mercado Livre agora avança em outra direção, ao combinar a venda própria com a possibilidade de reunir redes tradicionais dentro do marketplace.

E não é apenas a companhia argentina que busca uma fatia desse mercado. Em agosto, a Anvisa liberou a venda de medicamentos pela Shopee. No varejo físico, o Assaí inaugurou a primeira unidade da Assaí Farma depois da aprovação de uma lei que permitiu farmácias dentro de supermercados. O plano da companhia é abrir 25 unidades em São Paulo em 2026, com potencial para chegar a 250 no país.

Para as redes tradicionais, portanto, a disputa deixa de estar restrita à abertura de lojas e à concorrência entre farmácias. Passa também por quem controla o relacionamento digital com o consumidor e a distribuição dos medicamentos.

AutorClara Assunção
FonteExame
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