Faturamento das PMEs cresce 3,2% no trimestre e comércio volta ao azul após quedas

As pequenas e médias empresas brasileiras mantiveram a trajetória de crescimento no segundo trimestre de 2026. O faturamento real médio das PMEs subiu 3,2% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). No primeiro semestre, a alta acumulada é de 3,7%, o quarto trimestre consecutivo de expansão do índice.
O índice acompanha 756 atividades econômicas de empresas com faturamento anual de até cinquenta milhões de reais, a partir de dados agregados e anonimizados de contas a receber de mais de 180 mil clientes. Os valores são deflacionados pelo IGP-M, o que permite medir a evolução real do faturamento.
O fato novo do trimestre veio do comércio. Após sucessivos recuos, o faturamento real das PMEs do setor voltou ao campo positivo, com alta de 4,6% entre abril e junho e avanço acumulado de 1,3% no semestre.
Em junho, o crescimento chegou a 7,0%. O movimento foi liderado pelo comércio e reparação de veículos automotores, que reverteu a queda do início do ano, enquanto atacado e varejo também retornaram ao território positivo.
Os serviços também ganharam ritmo. O setor cresceu 3,6% no trimestre, revertendo a acomodação do início do ano, e acumula alta de 2,3% no semestre. Os destaques foram atividades financeiras, transportes e armazenagem e saúde. Na ponta contrária, alimentação e educação seguem no campo negativo.
A indústria desacelerou, mas segue entre os destaques do ano. O avanço foi de 1,7% no trimestre, ante 6,7% no primeiro. No acumulado do semestre, a alta é de 4,1%, sustentada por metalurgia, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos e produtos de madeira.
A exceção foi a infraestrutura. O setor recuou 7,0% no trimestre, o pior resultado entre os grandes agrupamentos, e encerrou o semestre estável. A queda reflete a desaceleração da construção civil em ambiente de juros elevados, com retração em obras de infraestrutura e serviços especializados para construção.
Com o resultado do semestre, a Omie revisou a projeção do IODE-PMEs para 2026 de 2,2% para 2,6%. Em 2025, o índice cresceu 1,8%.
A revisão considera a política fiscal expansionista, com reajustes reais do salário mínimo e ampliação de programas de transferência de renda.
Para 2027, a estimativa inicial aponta alta de 1,7%, em um cenário de juros ainda restritivos e de ajuste das contas públicas pelo próximo governo.
Norte lidera crescimento regional
No recorte regional do semestre, o índice avançou no Norte (+12,5%), no Sul (+7,3%) e no Sudeste (+4,3%), região que concentra a maior parte das empresas ativas do país. Nordeste (-1,6%) e Centro-Oeste (-4,8%), que vinham em expansão, passaram a registrar retração no acumulado do ano.
