Fed anuncia que reduzirá reuniões para decidir juros nos EUA a partir de 2027
Parte dos encontros passará a discutir só a estratégia de política monetária, sem votação sobre os juros

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, anunciou nesta quarta-feira, 28, uma mudança no calendário de reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), que define os juros americanos.
A partir de 2027, o colegiado terá encontros dedicados exclusivamente à discussão da estratégia de política monetária, sem votação sobre a taxa básica nem divulgação de comunicado.A mudança é considerada a mais significativa promovida por Warsh no banco central até agora, segundo o The New York Times. Ao abrir a coletiva de imprensa, após o Fed pausar a alta dos juros, mantendo-os na faixa atual de 3,75% a 4,00% ao ano, Warsh afirmou que a medida pretende reservar mais tempo para discussões estratégicas e permitir que os dirigentes avaliem um conjunto mais amplo de informações antes de tomar decisões sobre os juros.
O novo calendário começa a valer no outono de 2027 no Hemisfério Norte. Naquele ano, uma das oito reuniões previstas será dedicada à discussão da estratégia geral de política monetária. Warsh espera que, em 2028, sejam realizadas duas reuniões com esse objetivo e seis voltadas às decisões sobre os juros.
“Qual é a razão dessa mudança? Para mim, é bastante simples. Conduzir a política monetária corretamente exige avaliar os acontecimentos de curto prazo em intervalos regulares, oportunos e ricos em informações. Mas é igualmente importante reservar tempo e espaço para que um grupo intelectualmente diverso possa realizar deliberações estratégicas”, afirmou o presidente do Fed.
Segundo Warsh, a mudança busca abrir espaço para que os dirigentes debatam questões econômicas de longo prazo, além de acompanhar os indicadores que orientam as decisões de curto prazo.
“Precisamos repensar grandes questões, olhar para horizontes mais longos e nos concentrar, como costumo dizer, no lado esquerdo da vírgula decimal. Ou seja, nas questões de maior magnitude e relevância para a economia”, disse.
Warsh também argumentou que a organização das reuniões influencia diretamente a qualidade das decisões da autoridade monetária. “Acredito que definir o calendário e a agenda das reuniões vai muito além de um detalhe administrativo. Trata-se de uma escolha institucional que afeta a natureza e a qualidade de nossas deliberações e, em última instância, a qualidade de nossas decisões”, afirmou.
Mudança pode reduzir agilidade do Fed
Embora a proposta busque ampliar o espaço para discussões estratégicas e a análise de dados econômicos, a mudança também traz o risco de tornar o Fed menos ágil para responder a alterações rápidas no cenário econômico.
A autoridade monetária continuará podendo convocar reuniões extraordinárias para avaliar situações urgentes. Esse recurso, porém, costuma ser utilizado em períodos de crise, e não como parte da rotina de decisões sobre os juros.
O calendário atual prevê oito reuniões regulares do FOMC por ano. Com a mudança anunciada por Warsh, parte desses encontros será destinada à discussão da estratégia geral, sem deliberação sobre a taxa dos fundos federais.
