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InvestMercados
16/09/2026
3 min

Federal Reserve eleva juros nos EUA pela primeira vez em três anos

Alta encerra ciclo de estabilidade dos juros, das últimas cinco reuniões, e ocorre em meio ao aumento das apostas por uma política monetária mais restritiva

Federal Reserve eleva juros nos EUA pela primeira vez em três anos

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) decidiu nesta quarta-feira, 16, elevar a taxa básica de juros americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A alta, a primeira desde julho de 2023, já era amplamente esperada pelo mercado.

Na véspera, o FedWatch, ferramenta da CME que acompanha as apostas para as decisões do Fed, indicava 94,5% de probabilidade de um aumento de 25 pontos-base, contra 5,5% de manutenção da taxa.

A última vez que o Fed havia elevado os juros foi na reunião de 26 de julho de 2023, quando a autoridade monetária aprovou uma alta de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, então o maior nível em 22 anos.

A alta marca o primeiro aperto monetário sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em 2026. Em seu discurso em Jackson Hole, no fim de agosto, Warsh afirmou que a inflação havia se tornado "mais preocupante" e que os dirigentes teriam "trabalho a fazer" caso os preços não desacelerassem.

Warsh também tem evitado a prática de sinalização antecipada (forward guidance) que marcava a gestão de Jerome Powell, o que deixou o mercado com menos certeza sobre o resultado das decisões.

Nas reuniões anteriores, o Fed vinha mantendo os juros estáveis após uma sequência de cortes iniciada no final de 2025. Na última reunião antes da de hoje, em 29 de julho, a autoridade monetária decidiu manter a taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, pelo quinto encontro consecutivo. Na ocasião, porém, três dirigentes — Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan — já haviam defendido uma alta de 0,25 ponto percentual.

O movimento ocorre em meio à preocupação renovada com a inflação nos Estados Unidos e à abertura dos juros de mercado. O índice de preços ao consumidor (CPI) ficou travado em 3,4% ao ano em agosto, sem mudança em relação a julho, enquanto o núcleo do PCE, medida de inflação preferida do Fed, estava em 3,7% em julho e segue acima da meta de 2% há mais de cinco anos.

Parte da pressão inflacionária recente veio do petróleo, que voltou a superar os US$ 100 o barril com o agravamento da guerra no Oriente Médio, e do próprio regime de tarifas de Donald Trump. A dívida americana de US$ 40 trilhões também voltou ao radar dos investidores. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, os Treasuries, superou 5% em setembro de 2026, atingindo o maior nível desde 2007.

Do lado do emprego, a economia americana criou 162 mil vagas de trabalho em agosto, acima das projeções de Wall Street, o que reforçou a leitura de que o mercado de trabalho aguenta uma alta de juros sem grandes danos ao nível de ocupação.

A decisão de subir os juros a poucas semanas das eleições de meio de mandato de novembro coloca Warsh em rota de colisão com Trump, que aposta na vitória republicana e desejava custos de crédito mais baixos.

(Esta matéria está em atualização).

AutorClara Assunção
FonteExame
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