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Mundo
26/06/2026
5 min

FIFA tem tensões com o Irã e o Egito sobre simbolismo LGBT em partida

FIFA tem tensões com o Irã e o Egito sobre simbolismo LGBT em partida

No ano passado, o comitê organizador da Copa do Mundo em Seattle, nos Estados Unidos, um órgão independente da FIFA, planejou que o jogo de 26 de junho fosse uma partida temática do orgulho LGBT, pois coincide com o fim de semana anual do orgulho gay na cidade. Todavia, o duelo desse dia é entre duas nações muçulmanas e notavelmente conservadoras: o Egito e o Irã, dois países que criminalizam a homossexualidade e demais identificações sexuais e de gênero.

As equipes se enfrentarão à meia-noite, de sexta para sábado, no horário de Brasília.

O evento gerou tensões com as equipes. A FIFA, por sua vez, já confirmou ao jornal esportivo do New York Times, o The Athletic,que permitirá a presença das bandeiras de arco-íris e das demais identificações sexuais nos gramados, mas se afasta de uma correlação com o evento. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tentou minimizar a associação à marca "Pride Match" em uma entrevista ao jornal suíço Weltwoche em janeiro.

Ele afirmou: "Preciso esclarecer que não haverá uma 'Pride Match' na Copa do Mundo. Haverá uma partida da Copa do Mundo da FIFA em Seattle e, no mesmo dia, ocorrerão eventos organizados por entidades externas na cidade. Mas isso não tem relação alguma com a partida em si".

A federação de futebol do Egito recorreu à Fifa, afirmando que "rejeita categoricamente quaisquer atividades de promoção LGBTQ durante a partida" e alertando que tais ações poderiam "ferir suscetibilidades culturais e religiosas dos torcedores".

A federação de futebol do Irã foi citada ao sugerir que a iniciativa ligada ao Orgulho (Pride) era uma "medida irracional que apoia um determinado grupo". O Athletic também alega que os iranianos querem que a FIFA impeça quaisquer "cerimônias ou atividades promocionais" em apoio à comunidade LGBT, além de restringir símbolos e representações do movimento no estádio Lumen.

Tensões: o que os times têm a dizer?

VANCOUVER, COLÚMBIA BRITÂNICA - 21 DE JUNHO: Mohamed Salah, camisa 10 do Egito, comemora o segundo gol de sua equipe durante a partida do Grupo G da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Nova Zelândia e Egito, no BC Place Vancouver, em 21 de junho de 2026, em Vancouver, Colúmbia Britânica

Mohamed Salah, camisa 10 do Egito: atacante se tornou o maior artilheiro do país em Copas do Mundo (Fran Santiago/Getty Images/AFP)

Falando com o The Athletic, um porta-voz da seleção do Irã afirmou: “A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã trata essa questão com seriedade e comunicou claramente sua posição à FIFA.

“O Irã e o Egito são dois países muçulmanos com profundas afinidades culturais e religiosas, e as opiniões expressas por ambas as federações refletem os valores e as crenças compartilhados pelos povos de ambos os países. Nossa posição é que nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento deve ocorrer no estádio nem fazer parte do ambiente da partida. Essa posição foi comunicada à FIFA pelos canais apropriados.

“Acreditamos que a FIFA deve levar em consideração as opiniões e preocupações das seleções participantes ao analisar questões relacionadas ao ambiente da partida e à apresentação do estádio."

“A FIFA foi informada sobre essa posição conjunta de ambos os países e espera-se que tome as medidas necessárias para garantir que nenhuma cerimônia ou atividade promocional relacionada ocorra dentro do estádio ou como parte do ambiente oficial da partida.”

Por sua vez, a federação egípcia esclarece seu posicionamento em um comunicado oficial em seu website:

"A Federação Egípcia de Futebol enviou uma carta oficial à FIFA, na qual rejeita categoricamente a realização de quaisquer atividades relacionadas ao apoio à homossexualidade durante a partida entre a seleção egípcia e o Irã, agendada para 26 de junho de 2026, em Seattle, EUA, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026."

A Federação Egípcia de Futebol explicou na carta que, embora a FIFA esteja empenhada em garantir um ambiente respeitoso e acolhedor para todos os torcedores, e a fim de manter o espírito de unidade e paz, é "necessário evitar a inclusão de atividades que possam provocar sensibilidades culturais e religiosas entre os torcedores presentes dos dois países, Egito e Irã, especialmente porque tais atividades são cultural e religiosamente incompatíveis com os dois países."

A entidade afirma que baseou no princípio estabelecido pela própria FIFA de respeito às culturas e incentivo a todas as partes para que organizem eventos de forma a respeitar as crenças e identidades das comunidades participantes. "Portanto, para garantir que a partida seja realizada em um ambiente de respeito e com foco exclusivo no aspecto esportivo, a Federação Egípcia rejeita categoricamente esses apelos e exige que a FIFA não realize nenhum evento ou apresentação relacionada ao apoio à homossexualidade dentro do estádio no dia da partida", diz o comunicado.

Foco nos gramados

SEATTLE, WASHINGTON - 15 DE JUNHO: Detalhe da bola da partida durante o jogo do Grupo G da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Bélgica e Egito no Estádio de Seattle, em 15 de junho de 2026, em Seattle, Washington. Alex Grimm/Getty Images/AFP (Foto de ALEX GRIMM / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Na coletiva de imprensa que antecedeu a partida, a Federação Iraniana de Futebol pediu que todas as perguntas se restringissem à equipe, às questões táticas e ao confronto. A orientação foi reforçada pelo técnico Amir Ghalenoei, que afirmou não querer comentar "nada que seja proibido em nossa liga".

Segundo o treinador, a seleção está totalmente concentrada no futebol e em representar a população iraniana em campo. "Todos os nossos pensamentos estão voltados para o futebol — o belo jogo —, para o nosso povo e para o nosso sucesso", disse. "Vamos manter uma postura positiva; não pensaremos em outras questões. Buscamos levar alegria ao nosso povo. Quando o jogo começar, todo o nosso foco estará no campo; não pensaremos no que estiver acontecendo fora dele. A partida será emocionante e difícil, e nosso foco deve estar no futebol, e em mais nada... Só falaremos sobre futebol."

A mesma linha foi adotada pelo técnico do Egito, Hossam Hassan, que evitou qualquer abordagem sobre temas alheios ao futebol e destacou que a responsabilidade das delegações é exclusivamente esportiva.

"Estamos todos concentrados no futebol; é só nisso que pensamos, e a Fifa, naturalmente, está cuidando da parte organizacional. Nós nos preocupamos com o futebol dentro de campo. Respeitamos as normas de respeito e fair play que todos devem seguir, bem como quaisquer diretrizes estabelecidas pela Fifa", afirmou.

As declarações de ambos os treinadores evidenciaram o esforço das seleções para manter o foco na disputa esportiva e evitar manifestações sobre questões políticas ou geopolíticas que cercam o confronto.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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