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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
19/10/2026
4 min

Filho do fundador do CNA aposta em playgrounds pet e quer levar a Outdog ao Brasil inteiro

Felipe Gama decidiu investir no mercado pet e criou a Outdog, que mais que dobrou o faturamento em um ano e agora migra da produção artesanal para a industrial

Filho do fundador do CNA aposta em playgrounds pet e quer levar a Outdog ao Brasil inteiro

Em um shopping em São Paulo, Felipe Gama acompanhava a filha no espaço infantil quando reparou na área ao lado, reservada aos cães. O parquinho era simples, mas tinha circuito, cores e famílias inteiras correndo com os animais. Ele viu ali uma demanda: parques feitos só para cães poderiam ser bem mais elaborados do que aquilo.

Dessa observação nasceu a Outdog, empresa que, três anos depois, soma mais de 120 projetos entregues e prepara a passagem para uma operação industrial.

Entre o CNA e a vontade de ter uma história própria

Filho de Luiz Gama, fundador da escola de idiomas CNA, Felipe começou a trabalhar com o pai aos 18 anos. Na época, a rede tinha pouco mais de cem unidades. Em cerca de oito anos, segundo ele, chegou a 600. Foi nesse período que percebeu que precisava construir sua própria trajetória e decidiu iniciar a jornada empreendedora. Felipe não deixou de atuar no CNA, ele segue ativamente no conselho da empresa, enquanto desenvolve seu próprio negócio.

Do 3x8 às prefeituras

A Outdog nasceu há cerca de três anos, em uma sala de 3 por 8 metros. A equipe inicial tinha Felipe, um ajudante e um marceneiro experiente, indicado por um amigo do ramo de playgrounds infantis.

O primeiro projeto foi uma doação à prefeitura de Mogi das Cruzes. O prefeito gostou do resultado e encomendou mais três parquinhos. No dia seguinte, a prefeitura de Guarulhos pediu outros três.

Playground pet entregue pela Outdog. Créditos: Outdog

O diferencial, segundo Felipe, estava em dois pontos. Os brinquedos foram pensados desde o início para suportar o peso de crianças, que costumam subir neles junto com os cães. E, em vez de obstáculos soltos, ele desenhou circuitos com estação central, rampas, equilíbrio, pneus e túneis, para que o cão vença cada desafio aos poucos. E assim nasceram os PlayPets.

Hoje a empresa atende condomínios (entre os clientes estão Cyrela e MRV), creches e hotéis pet, pousadas e praças públicas. Os projetos vão de cerca de R$ 7,9 mil a R$ 85 mil, esses últimos em instalações de maior porte, como as de shoppings, por exemplo. 

Quando o que funciona vira limite

Com a empresa mais bem posicionada nas buscas, os pedidos passaram a chegar do Nordeste e do Sul. Foi aí que o modelo artesanal mostrou seu limite. A resposta é a industrialização da linha: máquinas CNC, produtos modulares e kits que o próprio cliente monta, com manual, entrega em cerca de três dias e instalação simples, que consiste em fixar a base com cimento e apertar parafusos. Os projetos sob medida continuam para condomínios de alto padrão.

A oferta passa a ser organizada em três linhas:

  • Fun: produtos mais acessíveis, com envio facilitado para todo o país.
  • Prime: voltada a condomínios, praças, creches e hotéis pet.
  • Signature: projetos de maior porte e valor agregado, para shoppings e grandes empreendimentos.

Material híbrido e impacto ambiental

Playground pet entregue pela Outdog. Créditos: Outdog

Os produtos da Outdog combinam hoje eucalipto autoclavado, tratado contra fungos e bactérias e com vida útil de 10 a 15 anos, e peças em madeira ecológica, de maior durabilidade. É o modelo híbrido adotado pela empresa.

Segundo a Outdog, o uso desses materiais já evitou o descarte de cerca de 4 mil quilos de resíduos químicos e plástico reciclável e a derrubada de 10 árvores adultas.

Números e ferramentas

De 2025 para 2026, o faturamento passou de cerca de R$ 750 mil para R$ 1,6 milhão, alta de aproximadamente 113%. Para 2027, a projeção é dobrar de novo, com apoio da industrialização e da expansão nacional.

Felipe diz usar inteligência artificial em várias frentes: criação de projetos autorais para shoppings, tradução de pedidos de clientes em desenho, análise de custos e estudo de materiais. Foi a ferramenta, afirma, que sugeriu a compra da máquina CNC. Para quem quer empreender, recomenda usá-la para encontrar brechas de mercado em segmentos que crescem e manter o foco nelas.

O próximo teste da Outdog é transformar mais de 120 projetos em milhares sem perder o design e a durabilidade que sustentaram a marca até aqui.

AutorBianca Bezerra Pinto
FonteExame
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