Fim da 6x1 no Brasil: veja como funciona a escala flexível na Finlândia, país mais feliz do mundo
Modelo é conhecido por dar autonomia ao trabalhador para decidir horários e turnos

Em meio à repercussão da aprovação do fim da escala 6x1 no Senado, aumenta o interesse sobre como outros países administram cargas horárias, dias de trabalho e de folga.
A Finlândia, conhecida pelo título de 'país mais feliz do mundo', adota um modelo considerado flexível. O país inverte a lógica do controle estrito de horas, que é comum no Brasil, e dá autonomia ao trabalhador.
Segundo a legislação trabalhista local, a jornada de trabalho não deve exceder oito horas diárias e 40 horas semanais em um período de até 52 semanas, o que na prática torna o modelo 5x2.
O descanso semanal deve ser de 35 horas ininterruptas, preferencialmente aos domingos. Há ainda uma pausa obrigatória de no mínimo 30 minutos para descanso para expedientes que ultrapassem seis horas.
Onde está a flexibilidade?
Na Finlândia, há o que a lei chama de 'Flexitime'. Desde 1996, ao invés de um turno rígido das 8h às 17h, o trabalhador decide a que horas começa e termina o expediente, tendo liberdade para ajustar o horário em até quatro horas ao longo do dia.
Por exemplo, ele pode escolher entrar mais tarde para poder levar os filhos na escola. Ele tem autonomia para decidir, desde que entregue o volume de trabalho necessário.
A flexibilidade também se estende à gestão de horas acumuladas. Trabalhadores podem acumular horas extras, finais de semana trabalhados ou parte do período de férias. A transformação desse tempo em folgas também fica totalmente a cargo do trabalhador, que tem poder para converter em dias ou semanas inteiras de descanso remunerado.
Em outras palavras, a autonomia está no fato de que o finlandês não bate ponto para cumprir tabela, ele pode gerenciar o seu próprio tempo para cumprir as metas estabelecidas pelo empregador.
Mesmo assim, o trabalhador na Finlândia precisa anotar os horários trabalhados em uma planilha, que é entregue no fim do mês. Para isso, é adotado um modelo de confiança nas relações de trabalho, em que fraudar dados é considerado falta grave.
Esses registros são repassados pelas empresas à autoridade de segurança e saúde ocupacional do governo, que fiscaliza tudo para que as 40 horas semanais não sejam excedidas.
