Fim da escala 6×1: BTG aponta empresas do agro que mais devem sentir impacto da mudança
A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem corte salarial, pode aumentar os custos operacionais de empresas ligadas ao agronegócio, segundo avaliação do BTG Pactual. Entre os segmentos analisados, os produtores de açúcar e etanol aparecem como os mais vulneráveis ao fim […]

A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem corte salarial, pode aumentar os custos operacionais de empresas ligadas ao agronegócio, segundo avaliação do BTG Pactual.
Entre os segmentos analisados, os produtores de açúcar e etanol aparecem como os mais vulneráveis ao fim da escala 6×1. Isso porque o setor depende fortemente de mão de obra, opera de forma contínua durante a safra e tem pouca capacidade de repassar aumentos de custos aos preços das commodities.
Os frigoríficos também devem sentir os efeitos da medida. De acordo com o banco, a MBRF (MBRF3) é a empresa com maior sensibilidade à mudança devido à sua forte exposição aos mercados de aves e suínos, atividades que demandam grande contingente de trabalhadores.
Já a JBS (JBSS32) tende a sofrer impacto menor graças à sua diversificação geográfica e operacional, com parte relevante das receitas geradas fora do Brasil.
No campo, produtores de grãos e empresas de serviços agrícolas aparecem em situação mais confortável. O BTG destaca que esses negócios possuem menor peso da folha de pagamento sobre as receitas e menor dependência de operações industriais ininterruptas.
Entre as companhias de alimentos básicos, M.Dias Branco (MDIA3) e Camil (CAML3) também podem enfrentar pressão nas margens caso a proposta avance. Segundo os analistas, o impacto é especialmente relevante sobre o lucro líquido dessas empresas.
Por outro lado, a Ambev (ABEV3) desponta como uma das companhias mais preparadas para absorver os custos adicionais. O banco estima que a cervejaria conseguiria compensar o aumento de despesas trabalhistas com um reajuste de aproximadamente 0,5% em seus preços, apoiada por margens mais robustas e maior poder de precificação.
Na avaliação do BTG, embora a mudança tenha potencial de elevar custos em diversos elos da cadeia agroindustrial, os efeitos devem variar significativamente conforme a intensidade de mão de obra, o grau de automação e a capacidade de repassar preços ao consumidor.
