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InvestMercados
15/06/2026
3 min

Fim do conflito no Oriente Médio reduz pressão no Fed para subir juros, diz UBS

Fim do conflito no Oriente Médio reduz pressão no Fed para subir juros, diz UBS

A pressão sobre o Federal Reserve para elevar os juros nos Estados Unidos neste ano arrefeceu após o acordo entre Washington e Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, derrubando os preços do petróleo e provocando uma alta nos títulos do Tesouro americano. A avaliação é de Leslie Falconio, estrategista-chefe de renda fixa tributável do UBS Global Wealth Management.

"O que está acontecendo agora é que os preços do petróleo estão caindo e o mercado está retirando as apostas em alta de juros. Por causa disso, o rendimento dos Treasuries de dois anos está recuando", disse Falconio em entrevista à Bloomberg Television nesta segunda-feira, 15.

Mercado retirava precificação de alta desde a semana passada

Ao longo da semana passada, os investidores chegaram a precificar uma probabilidade de quase 100% de elevação de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds até dezembro de 2026, movimento que refletia a escalada do petróleo e o risco renovado de inflação. Com o acordo anunciado nesta segunda-feira, essa probabilidade caiu para cerca de 74%, à medida que os Treasuries se valorizaram, liderados pelos vencimentos mais curtos.

Ações e títulos subiram globalmente enquanto o petróleo despencava para a mínima em três meses, após EUA e Irã anunciarem o fim do conflito e a reabertura do estreito estratégico para o tráfego marítimo.

Primeira reunião de Warsh no comando do Fed

O cenário ocorre na semana em que Kevin Warsh presidirá sua primeira decisão de política monetária à frente do Fed. Existe uma pressão crescente dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) por parte de membros favoráveis a elevar os juros, diante da alta do petróleo que ameaçava reacender a inflação.

Falconio avalia que o FOMC deve formalizar nesta reunião a remoção do viés de afrouxamento monetário — um sinal mais hawkish —, mas sustenta que o próximo movimento efetivo ainda será de corte de juros, previsto apenas para 2027.

"Acho que eles vão simplesmente sentar, exercer a opcionalidade que têm e esperar os dados chegarem antes de mudar de posição, provavelmente no primeiro ou segundo trimestre de 2027", afirmou a estrategista.

Fed deve aguardar dados do mercado de trabalho

Segundo Falconio, a manutenção dos juros ao longo de 2026 permitirá ao Fed avaliar como a economia, que ainda apresenta crescimento "razoável", se comportará diante da evolução do mercado de trabalho americano. A avaliação sugere que o banco central americano prioriza cautela antes de sinalizar qualquer mudança de direção na política monetária.

AutorPaulo Holland
FonteExame
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