Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
27/05/2026
10 min

Finnet traz novo CEO para operação que já movimentou R$ 2,1 trilhões

Finnet traz novo CEO para operação que já movimentou R$ 2,1 trilhões

Depois de 23 anos sob a liderança dos fundadores, a Finnet anuncia Leo Monte como novo CEO, em uma mudança que reorganiza a governança da companhia e prepara o terreno para um novo ciclo de expansão.

Yoshimiti Matsusaki e Marcos Bonfá, que fundaram a empresa em 2003, deixam a operação do dia a dia para atuar no conselho de administração. Monte assume a missão de acelerar o crescimento e consolidar a Finnet como uma das principais infraestruturas financeiras corporativas do Brasil.

A troca acontece em um momento em que o mercado financeiro corporativo passa por mudanças que mexem com a rotina das tesourarias. Open Finance, duplicata escritural, tokenização e inteligência artificial começam a alterar a forma como grandes empresas se conectam a bancos, fazem pagamentos, acompanham caixa e acessam crédito.

Monte chegou oficialmente à companhia no fim de abril. Aos 42 anos, tem no currículo experiência em expansão de operações, desenvolvimento de produtos e crescimento de empresas de tecnologia e serviços financeiros. Antes da Finnet, passou cinco anos na Sinqia, em um ciclo que culminou na venda da companhia por R$ 2,5 bilhões.

Agora, assume uma empresa que figurou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025. Em 2024, a Finnet registrou receita operacional líquida de R$ 106 milhões, alta de 21% em relação ao ano anterior. Para este ano, a expectativa é ampliar a receita entre 15% e 20%.

As inscrições para o Negócios em Expansão 2026 estão abertas e são gratuitas! Inscreva-se e ganhe assinatura da EXAME e uma formação em IA!

A Finnet funciona longe dos holofotes do consumidor final, mas sustenta parte da rotina financeira de grandes empresas. A companhia conecta organizações, bancos, ERPs — sistemas de gestão usados para controlar áreas como finanças, compras, estoque e vendas — e instituições financeiras em uma única infraestrutura tecnológica.

Hoje, está integrada a mais de 120 instituições financeiras, conecta 3,2 milhões de CNPJs e atende 70 das 100 maiores empresas do país. Pela plataforma, já passaram R$ 2,1 trilhões em transações financeiras e R$ 31 bilhões em crédito corporativo.

A empresa nasceu antes do termo fintech virar moda

A nova gestão assume uma empresa que nasceu muito antes de o mercado falar em fintech. A Finnet foi fundada em 2003 por Marcos Bonfá e Yoshimiti Matsusaki, dois executivos com carreira construída no setor de tecnologia e telecomunicações.

Os dois se conheceram no início dos anos 2000, durante uma passagem pela Nortel Networks, multinacional canadense de telecomunicações. Na época, trabalhavam em projetos ligados à Swift, rede internacional usada por bancos para troca segura de mensagens financeiras.

Foi nesse ambiente que surgiu a ideia da Finnet. Bonfá e Matsusaki observavam, de um lado, empresas com sistemas internos de gestão cada vez mais estruturados. Do outro, bancos com seus próprios canais, formatos de arquivo e regras de operação. Entre essas duas pontas, havia equipes financeiras gastando horas para enviar arquivos, baixar extratos, conferir pagamentos e conciliar informações.

O problema era ainda maior em grandes companhias. Empresas com várias contas bancárias precisavam acessar diferentes sistemas, exportar e importar arquivos e lidar com formatos distintos de cada banco. A rotina exigia tempo, gerava erros e dependia de processos manuais.

A ideia da Finnet foi criar uma ponte entre esses mundos. A empresa nasceu como uma espécie de tradutor entre os sistemas das empresas e os sistemas dos bancos. Em vez de a tesouraria acessar banco por banco, a plataforma concentrava as conexões e automatizava o tráfego de informações.

Naquele momento, a proposta não era simples de vender. Convencer bancos e grandes companhias a trafegar dados financeiros pela internet exigia vencer uma barreira de confiança.

“Segurança digital era tratada com desconfiança e o próprio conceito de operar informações financeiras fora da estrutura física das empresas gerava resistência”, conta Bonfá.

Da telecomunicação para a tesouraria das empresas

A origem dos fundadores ajudou a moldar o negócio. Matsusaki e Bonfá vinham de um setor acostumado a lidar com grande volume de dados, faturas, cobranças e débitos automáticos. Nas telecomunicações, qualquer falha em processamento pode atingir milhares ou milhões de clientes.

Essa experiência levou os dois a enxergar um gargalo parecido nas áreas financeiras das empresas. Havia muito dinheiro circulando, muitos bancos envolvidos e pouca integração entre os sistemas.

A Finnet abriu as portas oferecendo conectividade baseada em VPNs seguras, redes privadas usadas para trafegar dados com mais controle e proteção. No começo, parte do mercado via a solução apenas como contingência, ou seja, uma alternativa para ser usada em caso de falha no modelo tradicional.

Aos poucos, a percepção mudou. As empresas começaram a ver que a conexão direta com bancos reduzia trabalho manual, dava velocidade à operação e diminuía o risco de erro.

A trajetória da Finnet acompanhou as transformações tecnológicas do setor financeiro brasileiro. Primeiro, a companhia se especializou na integração entre bancos e clientes corporativos. Depois, passou a processar os dados que circulavam por sua rede. Em seguida, transformou essas informações em inteligência operacional. Mais tarde, ampliou a atuação para crédito, automação financeira e soluções SaaS, modelo em que o software é acessado pela internet mediante contratação recorrente.

Hoje, a Finnet se define como um ecossistema de soluções financeiras em nuvem para empresas. Sua principal função é fazer com que ERPs como SAP, Totvs e Oracle conversem com bancos, instituições financeiras e plataformas de pagamento.

O que a Finnet faz

A atuação da Finnet se divide em quatro grandes frentes.

A primeira é integração e conectividade. Nessa área, a empresa automatiza processos como EDI, sigla em inglês para troca eletrônica de dados, e usa APIs, conexões que permitem a comunicação entre sistemas, para trafegar arquivos bancários com segurança.

A segunda é gestão de caixa. A companhia centraliza contas a pagar, contas a receber, extratos e conciliação bancária em uma única plataforma. Na prática, isso reduz a necessidade de acessar vários bancos ao longo do dia.

A terceira frente envolve meios de pagamento e recebimento. A Finnet facilita cobranças corporativas, baixa automática de boletos, Pix e cartões, além de acompanhar pagamentos em tempo real.

A quarta está ligada à geração de crédito. A empresa desenvolve estruturas para antecipação de recebíveis, crédito consignado e outras soluções que usam dados financeiros para facilitar o acesso das empresas a capital.

A operação é sustentada por diferentes produtos. O principal deles é o Bank Manager, plataforma que centraliza múltiplos bancos e operações financeiras em um único ambiente. O sistema permite pagamentos, consulta de extratos consolidados, conciliação bancária e relatórios financeiros.

O Luna é a ferramenta de cobrança da companhia. A plataforma integra boletos digitais ao Pix, automatiza juros e multas e cria réguas automatizadas de cobrança. A solução acompanha pagamentos em tempo real e busca reduzir inadimplência.

Já o Painel Fornecedor atua na gestão da cadeia de suprimentos. Ele permite acompanhar notas fiscais, comprovantes e operações de risco sacado, modalidade em que fornecedores antecipam valores a receber de grandes empresas.

O PIS aplica conceitos de Open Banking, sistema que permite o compartilhamento autorizado de dados financeiros, para conectar e centralizar bancos em um único canal de gestão financeira.

Por que a troca de comando acontece agora

A troca de comando não aconteceu por acaso. Depois de mais de duas décadas liderando a companhia, os fundadores entenderam que era o momento de profissionalizar ainda mais a operação.

Marcos Bonfá e Yoshimiti Matsusaki buscavam alguém capaz de circular entre o ambiente das grandes corporações, com seus processos e estruturas, sem perder a agilidade típica de operações menores.

“O Leo reúne todas essas qualificações”, diz Matsusaki.

A chegada de Monte também acompanha um novo estágio da Finnet. A companhia deixou de ser apenas uma empresa de conectividade bancária e passou a atuar em várias camadas da infraestrutura financeira corporativa.

A empresa também passou a lidar com um ambiente regulatório mais sofisticado. Um dos movimentos recentes foi a autorização do Banco Central para operar como Iniciadora de Transação de Pagamento, ou ITP, dentro do ecossistema de Open Finance. Na prática, isso permite que clientes aprovem e liquidem transações multibancos direto do ERP ou de uma plataforma própria, sem precisar entrar em vários internet bankings.

A Finnet também recebeu o Prêmio Fintech do IBEF-SP, reconhecimento ligado ao mercado de diretores financeiros e tesouraria.

A nova fronteira está na inteligência artificial

É na inteligência artificial que a Finnet concentra parte importante da próxima etapa de crescimento. A empresa anunciou uma fundação de IA voltada às finanças corporativas, com o objetivo de automatizar tarefas financeiras e integrar sistemas usados por CFOs e equipes de tesouraria.

A proposta é permitir que executivos recebam alertas de fluxo de caixa, recomendações financeiras, informações operacionais e até executem determinadas ações por aplicativos como WhatsApp, sem precisar navegar por diferentes sistemas.

A empresa já utiliza IA internamente há mais de dois anos. As aplicações estão nas áreas de tecnologia, testes automatizados, desenvolvimento de software e operação corporativa.

A companhia criou ainda um comitê interno para acompanhar governança, compliance e segurança no uso dessas ferramentas. O tema é sensível porque a Finnet lida com dados financeiros de grandes empresas e transações de valor elevado.

Apesar da expansão da automação, a direção afirma que a estratégia não passa pela substituição das equipes, hoje com cerca de 300 funcionários, mas pelo aumento de produtividade. A empresa também passou a buscar profissionais mais familiarizados com inteligência artificial e automação de processos.

Crédito, tributos e duplicata escritural

A expansão do ecossistema levou a Finnet para áreas além da conectividade bancária. Uma delas foi a tributária. A companhia desenvolveu internamente uma solução voltada à automação de cálculo de tributos ligada aos processos de pagamento.

Outra frente em desenvolvimento é a duplicata escritural, versão digital e registrada da duplicata, documento usado para formalizar valores a receber em vendas a prazo. Esse mercado deve ganhar relevância porque pode ampliar a segurança de operações de crédito com recebíveis.

A Finnet também atua em soluções de crédito corporativo. Pela plataforma da empresa, já passaram R$ 31 bilhões em crédito. A lógica é usar a integração com dados financeiros e documentos corporativos para simplificar operações que, em muitos casos, ainda dependem de troca manual de arquivos e conferências repetidas.

O desafio da nova fase

A Finnet chega à troca de comando com uma base construída ao longo de mais de duas décadas. Os fundadores continuam no conselho, enquanto Monte passa a liderar a operação diária.

A missão do novo CEO é transformar a infraestrutura criada pela companhia em uma plataforma mais ampla de gestão financeira corporativa. Isso inclui avançar em Open Finance, inteligência artificial, duplicata escritural, crédito e automação de processos.

O desafio é crescer sem perder a confiança que sustenta o negócio desde a origem. A Finnet nasceu para resolver um problema pouco visível fora das áreas financeiras: fazer empresas e bancos conversarem sem erro, sem retrabalho e com segurança.

Duas décadas depois, o problema continua existindo, mas ganhou novas camadas. Os arquivos bancários agora convivem com APIs, Pix, Open Finance, IA e novas formas de crédito. A função da Finnet segue parecida com a ideia original dos fundadores: organizar esse trânsito de informações para que o dinheiro das empresas circule com menos fricção.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024. A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.

As inscrições para o Negócios em Expansão 2026 já estão abertas e são gratuitas! Inscreva-se e ganhe assinatura da EXAME e uma formação em IA!

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros. Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

AutorJúlia Arbex
FonteExame
Distribuído por