Fintech alemã capta US$ 110 milhões e aposta no Brasil para levar IA a bancos e seguradoras

A Taktile, startup alemã que usa inteligência artificial para automatizar decisões operacionais e de risco em bancos, fintechs e seguradoras, acaba de levantar uma rodada Series C de US$ 110 milhões. A rodada foi liderada pela Growth Equity da Goldman Sachs Alternatives, com a participação de Balderton Capital, Index Ventures, Tiger Global, Y Combinator e Dig Ventures.
Com o aporte, o financiamento total da Taktile agora ultrapassa R$ 1 bilhão. Parte desse capital será usada para acelerar a expansão na América Latina, com foco inicial em Brasil e México.“O Brasil reúne um dos ecossistemas financeiros mais avançados do mundo, com regulação robusta e altamente inovadora", diz Carolina Fraidemberge, Diretora de Vendas para a América Latina.
Para a companhia, o próximo passo é ampliar a presença regional. A operação latino-americana já possui clientes locais e agora busca estruturar uma equipe própria, que deve chegar a cerca de 20 profissionais.
Da Alemanha para 30 países
A Taktile nasceu em Berlim, na Alemanha, em 2020. A proposta era resolver um problema recorrente em instituições financeiras: a dificuldade de automatizar decisões críticas sem depender de sistemas complexos e lentos de atualizar.
A tecnologia desenvolvida é usada em atividades como concessão de crédito, cobrança, prevenção à lavagem de dinheiro, detecção de fraudes e subscrição de seguros. A plataforma permite que clientes construam fluxos de decisão por meio de interfaces visuais, sem necessidade de programação avançada.Entre os principais usos estão a automação da análise de crédito em empresas B2B, reduzindo em até 95% o tempo de decisão; a melhoria na prevenção à lavagem de dinheiro, com redução de 75% dos falsos positivos e maior precisão na identificação de transações suspeitas; e a detecção de fraudes em seguradoras, com queda de até 40% nos casos fraudulentos em sinistros.
“O cliente não está comprando um fluxo, está comprando resultado: mais eficiência, menos risco e decisão mais rápida”, diz Gabriel Purkyt, General Manager da Taktile no Brasil.
A companhia afirma ter mais de 250 clientes distribuídos por quase 30 países e operações em Nova York, Londres, Romênia e agora São Paulo.Por que a América Latina entrou na rota
Embora a empresa já atendesse clientes na região, a abertura da operação própria marca uma mudança estratégica. US$ 20 milhões será direcionado para a operação da América Latina.
Gabriel Purkyt, General Manager da Taktile no Brasil, e Carolina Fraidemberge, Diretora de Vendas para a América Latina, vão liderar a expansão regional da empresa a partir do novo escritório em São Paulo.
Gabriel traz mais de 13 anos de experiência em consultorias estratégicas como o BCG. Carolina traz uma experiência regional com passagens por FICO, B3 e Equifax.
Segundo Carolina, o mercado latino-americano deixou de ser visto como uma aposta futura para se tornar prioridade dentro da estratégia global.
"O mercado da América Latina não é um mercado secundário para a Taktile. Ele é um mercado prioritário", afirma.
A avaliação está ligada ao perfil da região. O Brasil reúne um dos sistemas financeiros mais digitalizados do mundo, enquanto países como México, Colômbia e Peru vivem uma expansão acelerada do ecossistema de fintechs.
Além disso, a companhia vê vantagem em operar em mercados regulados. "O regulador aqui é robusto, mas também muito criativo. Pix, cadastro positivo e open finance são exemplos de mudanças que exigem capacidade rápida de adaptação", diz Carolina.
A empresa aposta que bancos e seguradoras precisarão de plataformas capazes de atualizar processos e políticas com velocidade, sem abrir mão de rastreabilidade e governança.
O que os US$ 110 milhões vão financiar
A nova rodada de investimentos será direcionada a dois principais eixos: desenvolvimento de produto e expansão geográfica.
No primeiro, a empresa afirma que o ritmo acelerado das evoluções em inteligência artificial exige atualização contínua da plataforma, com novas funcionalidades e aprimoramentos constantes. O segundo eixo é a expansão internacional, com foco em fortalecer equipes locais e acelerar a presença em novos mercados. No Brasil, a equipe deve chegar a 20 pessoas.
“Queremos crescer o time, dar robustez à estrutura e conseguir crescer ainda mais rápido”, afirma Gabriel.
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