Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
19/06/2026
5 min

Fintech criada por brasileiros capta R$ 162 mi para expandir pagamentos na Ásia

Fintech criada por brasileiros capta R$ 162 mi para expandir pagamentos na Ásia

A Trace Finance acaba de levantar uma rodada Série A de US$ 32 milhões (R$ 162 milhões na cotação atual) liderada pela CoinFund, com participação de investidores como Coinbase Ventures, Haun Ventures, Valor Capital, Jump Capital, Paxos e HOF Capital.

O aporte chega em um momento de forte crescimento da empresa, que já processou mais de US$ 10 bilhões em pagamentos transfronteiriços e projeta alcançar US$ 35 milhões de receita em 2026.

Fundada por brasileiros e sediada nos Estados Unidos, a companhia fornece infraestrutura financeira para pagamentos internacionais, câmbio e conectividade bancária. Hoje, atende empresas de tecnologia, fintechs, exchanges e companhias de pagamentos que operam entre os Estados Unidos, América Latina e outros mercados emergentes.

A rodada será usada para ampliar a capacidade operacional da empresa, expandir a presença regulatória em novos mercados e acelerar a entrada na região da Ásia-Pacífico.

Qual é a origem da Trace

A ideia de montar a Trace veio de experiências prévias dos sócios com o universo dos criptoativos. Brites, hoje com 29 anos, iniciou sua carreira em 2017 como líder de parcerias na Decred, um projeto no mercado de ativos digitais. Sua principal atuação estava calcada na expansão institucional — ele dobrou a quantidade de corretoras parceiras da companhia logo no primeiro ano em que chegou.

Em 2019, Brites se juntou a Rafael Luz — que viria a se tornar COO da Trace — para lançar a Lasting Capital, onde conseguiram realizar a intermediação de mais de 400 milhões de dólares entre clientes brasileiros e corretoras de criptomoedas estrangeiras – a despeito da resistência a esse mercado no Brasil naquela época.

Com mais expertise e vivência no setor de câmbio, ambos decidiram seguir para um novo projeto — a Trace Finance. Para colocar a empresa em pé, contaram com a ajuda de um terceiro nome, Leone Parise (CTO), engenheiro de software que foi um dos primeiros membros da TrustWallet, maior carteira de criptomoedas do mundo, com mais de 20 milhões de usuários, e na Binance.

A ideia inicial era auxiliar startups em seus processos de câmbio, tanto na importação quanto na exportação. Quando conheceram a The Coffee, rede de cafeterias com inspiração japonesa, no entanto, mal esperavam que estavam prestes a encontrar uma promissora vertical de mercado.

A The Coffee precisava de ajuda para importar uma série de itens essenciais para a manutenção do negócio — desde chá verde do Japão até outros utensílios como copos e canudos. A Trace auxiliou na importação desses produtos e, pouco tempo depois, a rede a procurou. Desta vez, com um pedido diferente – ela precisava de auxílio para trazer o dinheiro que a The Coffee havia captado em rodada Série A liderada pelo fundo estrangeiro de venture capital Monashees.

“Estávamos apreensivos porque demoramos alguns dias para finalizar o serviço”, disse Brites em entrevista para a EXAME em 2022. “Fiquei surpreso com o retorno da The Coffee dizendo que estava impressionada com a nossa rapidez.”

Assine a newsletter EMPREENDA, a newsletter semanal da EXAME para quem faz acontecer nas empresas brasileiras

Como a Trace pretende usar o novo capital

O foco agora é expandir a infraestrutura construída entre Estados Unidos e América Latina para outros corredores internacionais. A principal aposta está na Ásia-Pacífico, região que passa a fazer parte da estratégia de crescimento da companhia.

Além da expansão geográfica, a Trace pretende reforçar sua equipe com executivos experientes do setor financeiro para acelerar a conquista de clientes de maior porte, como bancos internacionais e grandes empresas globais de pagamentos.

“Quando você vai pegar um banco estrangeiro como cliente, é um ciclo de vendas mais longo. A gente quer trazer pessoas que foram do Citibank, que foram do JPMorgan e de grandes bancos”, afirma Brites.

A companhia também trabalha no desenvolvimento de novos produtos de liquidação financeira e soluções ligadas a stablecoins, embora o foco atual permaneça na infraestrutura tradicional utilizada por grandes clientes institucionais.

A ambição é ampliar a carteira para empresas como Visa, Mastercard, Adyen e Stripe.

“Nossa ideia agora é atingir novos patamares”, afirma o fundador.

Como a empresa se tornou fornecedora de gigantes do setor

A América Latina foi o primeiro grande foco da operação. A região, marcada por diferentes regulações, sistemas bancários e moedas, serviu como laboratório para a construção da infraestrutura da empresa.

Hoje, a Trace afirma ser a principal provedora das quatro maiores empresas globais de pagamentos que operam na América Latina, incluindo a Dlocal, Mercado Bitcoin e Dollar App.

“O mercado de pagamentos internacionais se transformou profundamente nos últimos anos. Além dos avanços tecnológicos, os fluxos estão se tornando cada vez mais complexos, exigindo dos operadores profundo conhecimento regulatório e atuação através de estruturas reguladas locais”, afirma Brites.

Em 2023, a empresa passou a concentrar esforços em companhias de pagamentos internacionais e operações cross-border, mercado que se mostrou significativamente maior.

“Hoje a gente atende as maiores empresas de pagamento cross-border do Brasil e do mundo. Acabamos processando o volume das maiores empresas de tecnologia globais que querem interagir com o Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos”, diz o executivo.

Segundo ele, a maior parte dos mais de US$ 10 bilhões processados pela companhia foi movimentada no último ano.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
Distribuído por