Flávio Bolsonaro diz aos EUA que tarifas ao Brasil daria 'vitória política' a Lula

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta semana, em Washington, de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Em documento enviado ao órgão americano, o parlamentar pede a suspensão da medida e afirma que ela daria uma "vitória política" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A audiência ocorre nesta terça-feira, na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. Na última quinta-feira, Flávio encaminhou ao USTR um documento de 86 páginas com argumentos contra a sobretaxa proposta pelo governo do presidente Donald Trump.
Segundo o senador, a adoção das tarifas fortaleceria politicamente Lula, em vez de pressionar seu governo, além de causar prejuízos à economia americana e aos brasileiros que defendem uma relação mais próxima entre os dois países.
Na conclusão do documento, Flávio afirma que a medida beneficiaria o governo brasileiro no cenário político interno.
"Em outras palavras: as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos", escreveu.
Senador critica estratégia do governo brasileiro
Ao longo da manifestação, Flávio sustenta que o governo Lula transformou a disputa comercial com os Estados Unidos em um ativo político doméstico. Segundo ele, uma nova rodada de tarifas reforçaria essa estratégia em vez de produzir os efeitos desejados por Washington.
Para embasar a avaliação, o senador cita pesquisas eleitorais e argumenta que as tarifas impostas anteriormente pelo governo Trump acabaram fortalecendo eleitoralmente Lula, em vez de enfraquecer sua gestão.
A proposta de sobretaxar produtos brasileiros em 25% faz parte de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O órgão aponta supostas práticas desleais e discriminatórias do Brasil em temas como o sistema Pix, propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal.
*Com O Globo
