Flávio Bolsonaro falará em audiência nesta terça nos EUA; veja como será

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, participa nesta terça-feira, 7, de uma audiência nos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas ao Brasil.
Flávio será o primeiro a falar neste segundo dia de audiências, que começaram na segunda-feira, 6, e contam com mais de 80 inscritos para se pronunciar. Neste processo, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Os americanos acusam o Brasil de adotar práticas desleais no comércio em seis áreas distintas.
O senador terá cinco minutos para se pronunciar, assim como os demais participantes.
Flávio Bolsonaro participará do Painel 8, que abre o segundo dia de audiências, ao lado de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), da Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA) e de empresas americanas.
Adiamento até a eleição
Na quinta-feira passada, 2, o senador apresentou ao USTR um documento de 86 páginas no qual solicita a suspensão da tarifa adicional de 25%, a retirada do Pix da disputa comercial e a abertura de uma negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Ele defende que a aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos não resolverá os problemas apontados na investigação, que aponta barreiras comerciais impostas pelo Brasil a produtos e serviços americanos. Para ele, as taxas impostas por Trump estão tendo um efeito oposto, de fazer o Brasil endurecer sua postura, e acusa o governo Lula de agir desta forma para obter ganhos eleitorais.
"As tarifas propostas recompensariam os próprios infratores que deveriam punir. Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que vem adotando: obstruir negociações sérias, provocar retaliações de Washington e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna", diz o senador, no documento.
Flávio defende, no documento, que as tarifas em análise pelos EUA sejam adiadas ao menos até a eleição, para que o tema não gere vantagens para Lula na disputa eleitoral. O líder brasileiro teve alta nas pesquisas quando Trump impôs tarifas ao país, no ano passado.
Neste dia, falará também o embaixador Roberto Azevedo, em nome da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Fiesp e da CSN. A lista traz, ainda, representantes das empresas Taurus, Engemasa e Portobello.
O governo brasileiro decidiu não enviar representantes oficiais à sessão. A avaliação do Planalto é que a audiência é voltada principalmente à participação de empresas, entidades privadas e representantes da sociedade civil, enquanto as negociações entre os dois países continuam sendo conduzidas pelos canais diplomáticos.
Como funcionará a audiência pública
Os trabalhos foram organizados em 14 painéis distribuídos ao longo de dois dias. Os painéis reúnem representantes de diferentes segmentos da economia brasileira e americana, incluindo entidades dos setores de arroz, carnes, café, mel, açúcar, etanol, biocombustíveis, tecnologia, propriedade intelectual, indústria calçadista, siderurgia, mineração, máquinas, papel e celulose, madeira, alumínio, cerâmica e pedras naturais.
Cada participante terá cerca de cinco minutos para apresentar um resumo dosargumentos previamente encaminhados por escrito ao USTR. Em seguida, integrantes do órgão poderão fazer perguntas aos expositores, que terão oportunidade de responder aos questionamentos e esclarecer pontos considerados relevantes para a investigação.
Dependendo da dinâmica da sessão, também poderão ocorrer réplicas e novos pedidos de esclarecimento. No entanto, não se trata de uma negociação entre os participantes nem de uma votação. A audiência possui caráter consultivo e busca reunir informações técnicas que servirão de base para a decisão do governo americano.
Embora seja um procedimento público, não haverá transmissão ao vivo nem será permitida a gravação por câmeras externas. Após o encerramento dos trabalhos, o órgão divulgará a íntegra das transcrições das apresentações em seu site oficial.
Entenda o caso da Seção 301
O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1º de junho, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301, em julho de 2025.
Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e há espaço para mais negociações. Uma decisão final sobre o caso será definida até 15 de julho.
Além disso, o Brasil é investigado em outro processo pela 301, junto com outros países, que investiga o uso de trabalhos forçados na produção. Caso o país seja considerado culpado neste caso, seria alvo de outra tarifa de 12,5%. As audiências públicas dessa ação começam na terça-feira, 7.
Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas que os Estados Unidos avaliam impor ao Brasil poderão afetar 4.187 produtos, que equivalem a US$ 14,9 bilhões anuais em exportações. Entre os produtos sob risco, há destaque para ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões em mercadorias aos EUA. Em 2026, o total exportado até agora foi de US$ 17,4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.
"O Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, no comunicado que anunciou a conclusão das investigações.
Ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.
Uma audiência sobre o tema foi iniciada nesta segunda-feira, 6, e é aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país. Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderão implantar novas tarifas, além das que já estão em vigor.
Veja a agenda prevista para esta terça
Terça-feira, 7 de julho de 2026 – 10h00
Painel 8
1. Flávio Bolsonaro, senador brasileiro
2. Embaixador Roberto Azevedo, Confederação Nacional da Indústria (CNI)
3. Letícia Sperb Masselli, Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados)
4. Matt Priest, Associação dos Distribuidores e Varejistas de Calçados da América (FDRA)
5. Peter Grueterich, JPT Group LLC / Bernardo Footwear
Painel 9
1. Pete Ruggiero, Crayola LLC
2. Jonathan Gold, Federação Nacional do Varejo
3. Lauren Gray, Dillard's Inc.
4. Embaixador Roberto Azevedo, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)
5. Tim Tarpley, Conselho da Indústria de Energia e Tecnologia
Painel 10
1. Embaixador Roberto Azevedo, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)
2. Alais Coluchi, Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (ANFACER)
3. Wilton Jose Machado, Brasil Minerios
4. João Baroni, Engemasa Engenharia e Materiais Ltda.
5. Atom Saverse, Isolatek International Corporation
6. Timothy Brightbill, Coalizão dos Fabricantes Americanos de Produtos de Marcenaria
Intervalo
Painel 11
1. Colby Slaughter, Rayonier Advanced Materials, Inc.
2. Homero Busnello, Tecumseh do Brasil Ltda.
3. Nils Kah, SHF Yachts LLC (Schaefer Yachts)
4. Bret Vorhees, Taurus Holdings Inc.
5. Timothy Bauer, Amyris Inc.
6. Mark Kaplan, Consolidated Mill Supply
Painel 12
1. Tessa Capeloto, Century Aluminum
2. Kyle Lundin, Mesabi Metallics
3. Celso Figueiredo, Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (SINDIFER)
4. Brandon Farris, Associação dos Fabricantes de Aço
5. Fernando Staudt, Altus Sistemas de Automação S.A.
6. Wagner Parente, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ)
Painel 13
1. Peter Barry, WEG Electric Corp.
2. Matthew Barron, Slyvamo
3. Welber Oliveira Barral, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá)
4. Celso Figueiredo, Klabin S.A.
5. Patrick Bloom, Cleveland-Cliffs Inc.
6. Barry Schneider, Steel Dynamics Inc.
Painel 14
1. Fabio Cruz, Centrorochas – Associação Brasileira de Rochas Naturais
2. James Hieb, Instituto da Pedra Natural (NSI)
3. Janelle Edmonds, Wisenbaker Builder Services Inc.
4. James Durbin, Portobello America
5. Gian Carlo Almeida Marodin, Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI)
Recesso
