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08/10/2026
4 min

Flávio Bolsonaro nega relação com site que promete dar criptomoedas a quem apoiá-lo

Campanha do candidato também manifestou o desejo de tirar a iniciativa, que configura infração eleitoral, do ar

Flávio Bolsonaro nega relação com site que promete dar criptomoedas a quem apoiá-lo

A campanha do candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, negou qualquer relação com o site que promete distribuir uma criptomoeda chamada B22 a quem compartilhar o projeto cripto apoiando o senador. Além disso, o jurídico de Flávio diz que pretende tentar tirar a iniciativa do ar.

"A equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro vai entrar com medidas judiciais contra a publicação mencionada nas esferas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site. A campanha desconhece a autoria do site citado, assim como não tem qualquer relação com o seu conteúdo e nem com a venda de criptomoedas", disse a equipe do candidato em resposta a questionamento da EXAME.

Segundo advogados especialistas em direito eleitoral, a iniciativa do site brasil22token configura uma infração eleitoral e ainda se assemelha a golpes praticados com criptomoedas.

Um advogado que não quis ser identificado disse que o caso lembra o golpe da memecoin LIBRA, que chegou a ser impulsionada pelo presidente da Argentina, Javier Milei, antes dos criadores do ativo venderem suas participações, levando o criptoativo a uma queda de 95%.

Na tarde desta quinta-feira, 8, a deputada estadual reeleita, Ediane Maria (PSOL-SP) e a deputada federal recém-eleita, Natália Boulos (PSOL-SP) apresentaram uma notícia-crime à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra os responsáveis pelo site.

Site promete criptomoeda de apoio a Flávio

O site do projeto de apoio a Flávio promete um airdropa quem comprar pelo menos 10 mil tokens B22 por meio de uma carteira de autocustódia de Solana e depois fazer uma publicação nas redes sociais X, Instagram ou TikTok divulgando o projeto. A compra seria realizada na plataforma descentralizada de compra e venda de moedas digitais, Jupiter, dentro do blockchain Solana.

O projeto promete distribuir 30 mil tokens B22 aos mil primeiros usuários aprovados por cumprirem os dois critérios de elegibilidade. O site Rugcheck diz que até agora há apenas 686 detentores da criptomoeda.

A criptomoeda B22 custa US$ 0,00017 e a soma do valor de todos os tokens não passa de US$ 168 mil, segundo informações do DexScreener. Isso significa que as 30 mil moedas digitais prometidas, na cotação atual, renderiam não mais do que US$ 5,10 para quem divulgar o projeto. Subtraindo-se os US$ 1,70 que custam os 10 mil B22 necessários para entrar, o usuário lucraria somente US$ 3,40 (o equivalente a R$ 17,04) se fizesse tudo o que o site pede.

Advogados veem semelhança com 'caso Marçal'

O site do brasil22token está sendo divulgado pelo perfil do Instagram hyperkidsafrica, que tem 12,9 milhões de seguidores e diz arrecadar recursos para construir casas para crianças em Uganda. No entanto, o Brasil22Token diz que a defesa do voto em Flávio Bolsonaro é do projeto cripto e não uma manifestação das Hyperskids.

Apesar de dizer que o voto é secreto e que o airdrop não exige que o usuário revele seu voto, ele deixa claro que o período da campanha vale apenas até 26 de outubro, ou seja, um dia após o segundo turno das eleições. O site diz ainda que não é um projeto oficial e não tem vínculo com "nenhum político, partido, candidatura ou campanha eleitoral".

Uma reportagem da Folha de S. Paulo falou com um advogado que comparou o site à estrutura de "campeonatos de cortes" promovida pelo coach Pablo Marçal quando foi candidato a prefeito de São Paulo em 2024. Marçal foi condenado na ocasião por abuso de poder econômico.

Em postagem no X, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, chamou o site de "compra de votos aberta" e citou o perfil do TSE.

Sem indícios de relação com a campanha

Apesar disso, Eduardo San'Anna, sócio do Furtado, Simões e Sant'Anna Advogados, afirmou que só haveria crime eleitoral caso fosse comprovada ligação do site com a campanha de Flávio. "Se for constatado algum envolvimento do candidato, isso poderia resultar em inelegibilidade e perda da campanha", apontou.

Em nota, André Ferreira e Emília Malacarne, sócios do Souto Correa Advogados, afirmaram que, em uma análise preliminar, o caso pode suscitar discussões sobre o enquadramento da conduta no crime previsto no art. 334 do Código Eleitoral, que pune os responsáveis por utilizar organização comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores com pena de detenção de seis meses a um ano, e cassação do registro se o responsável for candidato.

"Uma conclusão mais precisa, todavia, demandaria uma apuração mais aprofundada dos fatos", concluem os advogados.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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